12.6.14

E no rabecão os sapateiros habituais

Por Ferreira Fernandes 
Escutem!!! Depois de Kirkuk e Mossul, a segunda cidade iraquiana, os jihadistas tomaram Tikrit e atacam Samarra. Aqui chegados deixem-me lembrar-vos a velha história Um Encontro em Samarra contada por Somerset Maugham. Tendo um comerciante de Bagdad mandado o criado ao mercado, este veio a tremer: "Vi a Morte a olhar para mim!" O comerciante deu o seu melhor cavalo ao criado e disse-lhe para se esconder numa cidade vizinha, Samarra. Depois, o comerciante foi ao mercado e, tendo encontrado a Morte, ralhou com ela por ter ameaçado o seu servo. Mas a Morte disse: "Não ameacei, só me admirei porque tinha com ele, hoje, um encontro em Samarra..." Há, pois, um encontro com a morte em Samarra. Denunciado, aliás, por um velho provérbio português: "Quem te manda a ti, sapateiro, tocar o rabecão." Um dia, um imperialismo forte de músculos e vazio de cabeça tomou Bagdad. E que fez? Acabou com o exército e a polícia iraquiana. Qualquer músico de rabecão saberia dizer a Bush o trivial: "Matem meia dúzia de generais e substituam-nos por jovens coronéis. Mudem os déspotas, nunca destruam as instituições." Mas os sapateiros de Washington não quiseram assim. Apagaram sem precaver-se com alternativa. E querem os atuais sapateiros fazer o mesmo com a Síria... Baralham tudo, embora com desculpa: rabecão em português também quer dizer "carroça fúnebre para indigentes". Nesse sentido, a política americana para o Médio Oriente tem tocado afinada.
«DN» de 12 Jun 14

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