31.3.13

O senhor que contava histórias

Por Alice Vieira 
HÁ MUITOS, muitos anos, eu tive a vossa idade. 
“Ainda havia dinossauros?”, perguntou-me há dias o meu neto mais novo.
Não, realmente JÁ não havia dinossauros. 
Mas AINDA não havia televisão, nem computador, nem telemóvel, nem iPOD, nem MP3,nem Playstation, nem uma série de outras maravilhas, indispensáveis na nossa vida actual.
Mas o facto de elas não existirem não impediu que – no meio de uma infância difícil, solitária e pouco afectuosa - eu fosse uma criança feliz. 
E essa felicidade devo-a aos livros que li — e, muito especialmente, aos livros de um senhor chamado Adolfo Simões Muller.
Adolfo Simões Muller sabia muitas histórias, e levou toda a sua vida a contar histórias. (...) 
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O Parlamento ou a Rua

Por Maria Filomena Mónica 
DEPOIS de quinze dias em Boston, aterrei num país, o meu, que acabara de inventar um novo termo: «grandolar». A coisa assustou-me, não tanto por si, mas pelos comentários que suscitou. À esquerda, o título da coluna habitual de José Vítor Malheiros era «A rua é a única saída» e, à direita, o de Adriano Moreira «A Ilusão Eleitoral». Pelos vistos, não posso deixar a Pátria, pois esta começa logo a deslizar para a asneira.
A falta de credibilidade da classe política é um fenómeno europeu, mas, se compararmos os países do norte com os do sul, constataremos que os graus de desconfiança variam. O ódio que os latinos sentem diante dos governantes radica-se não só nos privilégios de que auferem mas na concepção de que não desempenham qualquer função útil. Este desprezo recai, em doses maiores, sobre os deputados. Criados pela intriga partidária, arrastam-se, quais sonâmbulos, pela Assembleia da Republica. Uma vez por outra, acordam, o que ainda é pior, uma vez que a sua incapacidade para resolver a mais rudimentar questão fica inexoravelmente exposta (veja-se o que se passou com a lei dos mandatos autárquicos). O país sente que nada tem de comum com o que naquele palco se desenrola.
Apesar das aparências, os políticos não têm aqui uma base eleitoral. Pego num caso menor, o de Gloria Araújo, apanhada a guiar com 2,4 gramas de álcool por litro de sangue, um valor que prefigura crime. Nem eu, nem, aposto, os eleitores do Porto – círculo por que foi eleita – jamais tínhamos ouvido falar dela. Note-se que não estou a falar do seu julgamento em tribunal, mas da legitimidade da sua permanência no Parlamento, tanto mais que a senhora participou em reuniões da «Comissão para a Ética, a Cidadania e a Comunicação», tendo ainda feito parte de acções de promoção de segurança nas estradas. A sua irresponsabilidade está patente na entrevista que, a 4 de Fevereiro, deu ao jornal I, onde declarou que, «sabia que tinha consumido bebidas alcoólicas mas é evidente que não tinha a consciência de que seria aquela taxa», explicando, com ar cândido, que apenas se limitara a guiar do parque privativo da Assembleia da República até ao parque do hotel Clarion, na R. Rodrigo da Fonseca, onde costuma ficar. Ser-se deputada é, para ela, um emprego como qualquer outro. Assim, durante os dias posteriores à bebedeira, optou por «adoecer», à espera de que tudo voltasse à normalidade. 
Dado que os outros partidos, bem como a Comissão Nacional do PS, de que faz parte, consideram admissível manter em funções alguém apanhada a conduzir com mais do dobro da quantidade de álcool permitida por lei, os socialistas tripeiros pouco ou nada poderão fazer, se, nas próximas eleições, António José Seguro a voltar a colocar em lugar elegível. Apesar das promessas da criação de círculos uninominais por parte dos dois maiores partidos, nada aconteceu. Eis o resultado: o Parlamento está em vias de ser substituído pela rua. 
«Expresso» de 2 Fev 13

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Luz - Florença, 2011

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É sabido que em Florença o que não falta são palácios, solares, mosteiros, conventos, igrejas… Talvez isso explique a falha de memória, que não quero atribuir apenas à minha idade… Em frente ao magnífico Museu Bargello de escultura (Museo Nazionale del Bargello), está uma igreja e um convento, abertos ao público. Ali passei um momento de paz e descanso, depois de ter andado horas a ver as esculturas do Bargello. Na igreja, decorria um culto, o que aumentava o sossego do ambiente. Esta imagem vem dessa pequena pausa. (2011)

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"Segunda-feira de Festa"

Por A. M. Galopim de Carvalho
OS CRENTES festejavam, religiosamente, o Domingo de Páscoa, mas o grande dia era a “Segunda-feira de Festa”, feriado municipal, em que tinha lugar uma celebração de raiz popular, vivida pela generalidade das gentes.
Muitas famílias, no geral, as de condições mais modestas, a «malta do garrafão», como lhes chamavam os meus pais, comiam o assado da “Segunda-feira de Festa”, no campo. E, por tradição, o campo que reunia o grosso desse pessoal era o Alto de São Bento, a cerca de 2 km das Portas da Lagoa, na direcção de Arraiolos.
Nesse dia e neste local, desde a base da colina até aos moinhos, fervilhava animação. Cada árvore, uma família. (...)
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30.3.13

Estes até nos fazem parecer normais

Por Ferreira Fernandes 
ONTEM, o jovem líder norte-coreano Kim Jong-un mandou os seus mísseis apontarem para alvos dos Estados Unidos e da Coreia do Sul. Em coreano isso soa um pouco como o "agarrem-me, senão eu mato-o!" que às vezes acontece nas nossas ruas, gritado por alguém de braços livres mas querendo mostrar-se fora de si. 
A resposta da Coreia do Sul foi arrasadora: não ligou. Já os Estados Unidos enviaram para a região dois bombardeiros B-2 Spirit com bombas nucleares. No fundo é para apaziguar, para dizer ao maluco que alguém o toma a sério. E no fundo, mesmo, é para justificar aos contribuintes americanos porque se paga 45 mil milhões de dólares para se ter aqueles aviões. 
Os B-2 saíram do Missuri, no meio dos Estados Unidos, e logo chegaram à Coreia do Sul. O míssil com que Kim Jong-un ameaça, o Taepodong-2, teoricamente poderia chegar ao Havai, que é estado americano. Na verdade, foi testado uma vez, em 2006, e desmaiou 35 segundos depois do lançamento. Mas não ouviram ontem a locutora norte-coreana a anunciar a guerra iminente? Estava eufórica. Não viram Kim Jong-un de binóculos, numa trincheira, a olhar exercícios militares? Como um boi para um palácio. Não viram as manifestações espontâneas na Praça Kim Il-sung? Quadriculadas como um implante capilar. Então, não suspirem de alívio pela insuficiência do Taepodong-2. Nas guerras, mais perigosa do que a capacidade técnica em más mãos é a maluquice varrida instalada num dos lados. 
«DN» de 30 Mar 13

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Publicado no jornal "Lusitano de Zurique"

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29.3.13

Exportamos rubros tomates e produzimos menos lixo

Por Joaquim Letria
ALGUNS leitores mais atentos notaram já, acertadamente, que esta semana inaugurei nestas crónicas um novo ciclo: o de elogiar a crise, o desemprego, a pobreza e as dificuldades, embora não tenha ganho ainda balanço suficiente para conseguir dizer bem do Governo.

Não ter carro, não ter casa e não ter trabalho, - dizia eu  ironicamente, está bom de ver – tem o seu encanto, pelo que nos liberta de IMI e de rendas,  de preços de gasóleo e de super, de chefes, patrões, horários e  colegas. Ser pobrezinho parece ser um descanso, não se pensa em Chipre não se sonha com a Merkel, quer-se lá saber do Obama!

Eis, então, o meu contentamento posterior a essa crónica ao encontrar novos factos que parecem louvar a crise e as dificuldades a que os portugueses estão entregues. Noto, em primeiro lugar, o êxito que é para as nossas Relações Exteriores o nosso bem-amado ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, ir ao Japão acompanhado por nove fábricas de transformação de tomate e mais outras seis empresas desse sector. Os nipónicos nunca tinham vista nada assim!

Paulo Portas não leva pasteis de nata nem rissóis de camarão consigo, mas não se esquece do rubro tomate lusitano, sector que já consegue pôr no estrangeiro 10 % da sua produção, esforço de assinalar que, por certo, encherá de orgulho a centrista ministra Assunção Cristas, que tanto se esforça por fazer render a agricultura.
Mas a crise não se fica por aqui em boas notícias. Vejam só que a produção do lixo urbano caiu em 2012 para os níveis mais baixos desta década. Dentro de dois anos, em consequência da diminuição do consumo e da produção industrial, o lixo urbano em Portugal deverá cair ainda, antes de 2015, para menos de 12%! Ou seja, mesmo com o lixo que os políticos dão sinais de continuar a produzir, a crise e as dificuldades asseguram que Portugal produzirá muito menos poluição!   

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Como, em Lisboa, a calçada portuguesa é acarinhada

Depois de muitos protestos contra a vergonha que é a destruição da calçada no Largo do Areeiro (onde as poucas partes em bom estado têm sido usadas para esplanadas e estacionamento), "alguém" resolveu o problema com umas pazadas de cimento. 
Abençoada cidade, que tem quem assim a ame!

Sócrates,os outros e ele próprio

Por Ferreira Fernandes
ENTÃO, Sócrates voltou. Vou zurzi-lo. 
Um ex-primeiro-ministro de Portugal não dá explicações sobre como pode ir estudar dois anos para Paris. Parolos podem parolar sobre isso, mas gente da classe média que já teve filhos a estudar durante cinco anos em Paris sabe que isso é honestamente possível. Não se explica tal a um Octávio Ribeiro, diretor do CM, que insiste há meses com esse tema. Olha-se-lhe é para a cara dele e à pergunta que nela vem estampada ("E V. Exa toma mais alguma coisinha?") e responde-se: "Não, só a conta." E não se lhe deixa a gorjeta de uma explicação numa entrevista com jornalistas decentes. 
Tirando esse deslize, Sócrates foi moderado, criticou no PR falhas de solidariedade institucional. Ora com Cavaco um animal feroz levantaria outra coisa: aquele que é hoje o Presidente de Portugal ganhou de um banco, num ano, mais do dobro do que lá tinha depositado - e, depois de ter sido provado que o banco era de bandidos, não devolveu as mais-valias. Essa é a questão-chave, porque reconhecida e aceite, do desconforto dos portugueses com os seus políticos. 
Já com os chefes do Governo e da oposição, Sócrates limitou-se a mostrar, em contraexemplo, que Passos tem sido uma cucurbitácea, lá fora, e Seguro, um banana, cá dentro. Daí as minhas críticas por ele ir para essa coisa falsa que é político comentador político. Um político assim deveria ir ao congresso do seu partido e lutar pelo seu lugar. 
«DN» de 29 Mar 13

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28.3.13

Esta, sim, tem (ou teria...) lógica

Dado que o grande problema dos carros deste género é a sua limitada autonomia, a primeira fase de uma eventual massificação passa, necessariamente, por dar prioridade a frotas - veículos que se movam em zonas restritas e, de preferência com recolha em locais certos (para carregamento das baterias). É o caso de veículos como os dos aeroportos, portos, correios, piquetes (da água, da electricidade, etc) e, também, dos táxis, como aqui é abordado.
A ideia anterior (semear postos de carregamento - que já vão na 2ª geração! - à espera que as pessoas comprem carros para lá os carregarem) implicou queimar uma etapa necessária e, por isso, deu disparate.

Piores do que nós mas mais coloridos

Por Ferreira Fernandes
ENQUANTO ainda somos europeus vejamos o que nos acontece em casa, embora longe. 
O italiano PD (centro-esquerda) foi convidado pelo Presidente Napolitano para disfarçar a trapalhada das eleições. Bersani (PD) fala com o PDL (de Berlusconi, centro-direita) porque sem alianças na Câmara de Deputados e no Senado (para complicar o Parlamento é bicéfalo), niente. O primeiro-ministro de saída só suspira: "Estamos mortinhos por ir embora", disse Monti ainda ontem. Mas PD e PDL não se descosem, por várias razões e mais esta: Berlusconi quer juntar as alianças parlamentares à questão presidencial. O Presidente Napolitano está de saída, o mandato acaba em meados de maio e os deputados têm de votar no próximo. 
Este é o cenário colorido ao qual há que juntar o já célebre Beppe Grillo e o seu Movimento 5 Estrelas (M5S), que representa um quarto do eleitorado italiano. Grillo não está nem na Câmara nem no Senado, comanda as suas hostes pelo seu blogue. Os deputados M5S não votam por governo nenhum, rezando por um PD-PDL que caia em meses e, a seguir, os grillini ganhem a sério. Programa: olhem a figura de urso que os outros têm feito! Ontem, no blogue, Grillo disse quem eram os outros: os "partidos putanheiros". Ilustrou a coisa com Saturno Comendo Um Filho, quadro de Goya, os "outros" comendo as "novas gerações", sem trabalho, nem futuro... 
Grillo tem 64 anos, mas os profetas não têm idade. E dá jeito não ter idade para varrer o passado.
«DN» de 28 Mar 13

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Apontamentos de Lisboa

O texto do mupi tem piada...

O Chipre, a União Europeia e o euro

Por C. Barroco Esperança
CONTRARIANDO a diretiva comunitária que garante os depósitos bancários até 100 mil €€, os ministros das Finanças da UE assinaram a pilhagem de 6,75% para esse valor e de 9,9% para valores mais elevados. Depois, perante a insurreição parlamentar de Chipre,  resolveram taxar em 30% os depósitos superiores ao referido montante, julgando apagar o lume da lareira enquanto o fogo alastrou na floresta. Em Portugal, por mais pausada e convictamente que o ministro Gaspar garanta que os bancos estão sólidos, a liquidez evapora-se. Já todos sabem do que são capazes, antes de recuarem no saque, fosse qual fosse o montante. (...)
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Apontamentos de Lisboa

À Rua João Villaret
Duas formas de arte urbana: a dos pinta-paredes e a dos passadores de cabos...

27.3.13

Quanto já ganhou o senhor António Borges?...

Por Antunes Ferreira 
VEIO A PÚBLICO (hoje já não há segredos, o que é uma boa maçada, ia dizer porra, mas não convém muito porque sou bem educado) o valor que o (des)Governo pagou, e a quem? Passo a citar a informação pública, ou melhor dizendo para que não surjam dúvidas, através do «Diário Digital»: «O conhecido e polémico economista António Borges já recebeu do (des)Governo,[o (des) é meu] pelos seus serviços como consultor, 300 mil euros entre 1 de Fevereiro de 2012 e 1 de Fevereiro de 2013, mais o montante das despesas efectuados neste ano de contrato, que foi entretanto renovado por mais um ano, avançou na quarta-feira o jornal i.»
«Mais de um ano depois, o (des)governo [o des é igualmente meu] responde às dúvidas do PS e divulga o contrato celebrado a 29 de Fevereiro de 2012 entre a empresa estatal Parpública e a empresa ABDL L.da, uma sociedade por quotas entre António Mendo Castel-Branco Borges e Diogo José Fernandes Homem de Lucena, em que António Borges tem uma quota de 15 012,02 euros e Lucena uma de 4 987,98 euros.» 
«Com um extenso programa de privatizações inscrito no Memorando de entendimento com a troika e outras da exclusiva responsabilidade da maioria PSD/CDS, como a RTP e os CTT, o executivo [eu digo executor] de Passos Coelho, um dos mais reduzidos da democracia, decidiu contratar António Borges como consultor para esta área específica).» Para não magoar alguns daqueles que (ainda me leem) transcrevo apenas da mesma fonte: 
(…) «Como o contrato foi assinado a 29 de Fevereiro de 2012, a empresa de António Borges e Diogo Lucena não participou nas privatizações da EDP e da REN, realizadas no final de 2011 e princípios de 2012, respectivamente. Até agora, só esteve presente na venda da ANA e nos falhanços das privatizações da TAP e da RTP. Recorde-se que para esta última António Borges chegou a apresentar publicamente vários modelos, todos falhados, e que provocaram enorme polémica na sociedade portuguesa. 
Este ano, o governo tenciona retomar a venda da TAP e as privatizações dos CTT, CP Carga e da empresa EGF do grupo Águas de Portugal.» 
Estamos todos nós, os Portugueses – e digo nós, os Portugueses, porque eu o sou também, se bem que com este (des)Governo, já nem sei bem se não o devia ser – a sofrer a maior crise de que há notícia neste País, mesmo tendo em conta a de 1385, o terramoto de 1755, a noite de cristal, o imperialismo salazarento, só uns quantos exemplos, pois há bastantes mais… Mas, repito esta é a pior de todas, porque é um mandar em Portugal por gente estrangeira, a «famosa troika» que é sobretudo a Senhora Angela Merkel. Comparada com ela a dinastia filipina (1580-1640) é o que se pode classificar como peanuts
O mandão que é o Senhor António Borges é um bom exemplo (se calhar como o Fernando Ulrich, de insensibilidade pelos Portugueses, aos quais se podia acrescentar bem o já célebre vão tomar no cu da autoria do Francisco José Viegas, ex-secretário de Estado da Cultura…) continua a «aconselhar» o primeiro ministro (???) Passos Coelho, como se não fosse nada com ele e tivesse sempre razão e nunca desse um erro, como afirmou pouco mais ou menos o sôr Silva, na opinião do truculento Alberto João Jardim. 
Com gente desta onde irá Portugal? Não sei, ninguém sabe; só sei que nos falta um Buiça e sou contra a violência…

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Sem carro, sem casa, sem trabalho

Por Joaquim Letria 
ESTOU a ficar na dúvida, sem saber a quantas é melhor andar. Eu explico: Estou sem carro, sem casa e sem trabalho. 
Há 50 anos, dava de frosques, punha as pernas a caminho, dava corda aos sapatos, falava com três ou quatro pessoas e alguma coisa se iria arranjar. 
Há 30 anos, ficava desesperado, agarrava no resto do dinheiro, pedia mais algum emprestado e emigrava. Logo se veria o que sairia na rifa, mas alguma coisa se haveria de conseguir. 
Hoje, sem carro, sem casa e sem trabalho, nesta idade, é um descanso!
Não me preocupam, de todo, os preços dos combustíveis. Não quero saber se o gasóleo desce e a gasolina sobe, ou se o Hollande vai pôr uma coisa e outra ao mesmo preço. Não gasto combustível e de transportes públicos ando o mínimo possível.
Como não tenho casa e vivo por favor numa parte de casa com serventia de cozinha, quero lá saber do IMI ou preocupa-me lá a nova lei das rendas! Néspias! Tenho é de me dar bem com os meus vizinhos, para não me subirem a renda nem me despejarem do quartinho alugado, porque este é um sítio muito central para ir a pé para os biscates que me vão aparecendo. 
Sem trabalho é um descanso. Sou patrão de mim próprio, trabalho segundo o meu próprio horário, não aturo patrões estúpidos nem chefes incompetentes e não tenho de gramar colegas preocupados com o euromilhões, com os filhos nem com o Futebol Clube do Porto. 
Por fim, como não tenho dinheiro para pôr no banco, durmo descansado, que nem um anjinho, sem me preocupar com a zona euro, se vamos ou não voltar ao escudo, não sonho com a Merkel, não penso em Chipre e quero que o Constâncio e o Gaspar dêem uma volta ao bilhar grande… 
Sem carro, sem casa e sem trabalho é um descanso! Porque pensam que cada vez há mais gente a viver assim?!

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Qual a gama dos BMW para o Estado?

Por Ferreira Fernandes
ANDO de metro e nunca usei sapatos vermelhos, e em nenhum desses momentos me pensei a caminho da santidade. Também o Papa Francisco, que decidiu de certa maneira imitar-me (enfim, o metro não voltará tão cedo), não deve julgar que se salva por isso. E gosto das suas escolhas simples, agora confirmadas por não querer ir para os aposentos do terceiro andar do Palácio Pontifical e ficar-se pela Casa de Santa Marta, que apesar de acolher os cardeais durante os conclaves não é mais do que uma honesta pensão com águas correntes. 
Eu sei que alguns - que já lhe tinham lido várias obras antes de Ratzinger ter escolhido o "camauro" com bordas de arminho e souberam, então, relacionar os pensamentos do filósofo bávaro com o vestuário litúrgico - sorriem, agora, com as minhas esperanças nos sapatos cambados do porteño. Como se eles pudessem ter os seus simbolismos e eu não. Ora penso que as escolhas do Papa Francisco, além de irem ao sabor da fantástica marca, Francisco, passam uma mensagem muito própria para estes tempos. Uns dirão que tanta dessacralização não vai com o cargo, mas eu penso que vai, porque o respeita mais. Para não sair de Roma, dou o exemplo de Carla Voltolina, mulher do Presidente Sandro Pertini, que disse: "Nunca dormi no Palácio do Quirinal. Elegeram o Sandro, não a mim." E isso foi nos anos 70/80, ainda não tínhamos tanta necessidade de um Papa a andar como é natural um septuagenário desenvolto fazê-lo.
«DN» de 27 Mar 13

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Apontamentos de Lisboa

Há dias, um blogue dedicado a Lisboa insurgia-se contra a variedade de placas com o "número de polícia" nas portas das casas, e ilustrava o protesto com umas 3 fotos, tiradas em ruas diferentes.
Pois bem;  aqui fica uma outra colecção, tirada apenas do lado nascente da Av. Almirante Reis (e só entre o 52 e o 172). E havia muitas outras variedades, que aqui se omitem - estas já chegam...

Um senhor português

Por Baptista-Bastos
HÁ JÁ UM bom par d'anos, em Santiago de Compostela, por um entardecer embatente de calor, um grupo de escritores portugueses falava do sentido da vida e do absurdo da sua insuficiência. Éramos, aqueles, Óscar Lopes, José Saramago, Maria Velho da Costa, eu, Francisco Belard, João de Melo. À memória não me vêm outros, mas talvez fossem mais na roda da esplanada, e as sombras dos edifícios formavam no cenário um recorte fantomático. Com o patrocínio da Gulbenkian viajáramos, à cidade medieval, um grupo expressivo falar das nossas experiências, e escutar o que os escritores galegos tinham para nos dizer. Foi uma jornada inesquecível, pela variedade de pessoas, pelas diferentes estéticas e pela grandeza do enunciado. Recordo-me do êxito estrepitoso de A Barraca, e de Maria do Céu Guerra, cujo génio, ao interpretar Gil Vicente, encheu de espanto e admiração o teatro apinhado.
Mas nesse fim de tarde, nessa esplanada longínqua discreteávamos acerca da natureza da vida e dos mistérios da morte. Foi quando Óscar Lopes, no jeito modesto e tímido, sua característica, disse: "O grande simbolista belga Maurice Maeterlinck escreveu que 'Os vivos são tão estúpidos quando falam dos mortos!'". Quedou-se em silêncio, mas a natureza da conversa era facilmente aplicável ao conceito. Uns defendiam a vida para lá do túmulo, outros não, outros ainda indecisos. A sabedoria tola de quem nada sabe para além do horizonte visível. E Óscar Lopes ensinava-nos, com simplicidade extrema, que devíamos duvidar de tudo, inclusive das nossas certezas mais enraizadas.
Este homem extraordinário, este português incomum, bondoso, sábio, generoso e decente, um dos maiores intelectuais europeus, que se foi embora há dias, com 95 anos, passou a vida a estudar, a interpelar, a interrogar-se e a pôr em causa todo o conhecimento adquirido, numa inquietação que o conduzia a outras inquietações e a novos dilemas. Marxista, comunista, membro do Comité Central do PCP, nunca entendeu a imposição dos dogmas, e a cedência do espírito às injunções do momento. A essência do seu percurso não tem igual. O meu amigo Vasco Graça Moura, num poema belíssimo, "Um Senhor de Matosinhos", traçou-lhe o retrato, por dentro e por fora. É um dos mais formidáveis textos de admiração da literatura portuguesa.
Há dias, no DN, Francisco Mangas recordava uma carta (1978) de Óscar Lopes ao seu companheiro António José Saraiva: "Estou farto de sofrer dores de cabeça e este mal difuso. No entanto, acredito que a vida tem um sentido. Acredito, de raiz, nisso. Nesse aspecto sou religioso e fui-o sempre."
Perguntar aos livros, aos temas sagrados e à matemática, aos teólogos e aos materialistas, perguntar à vida o que a vida tentava ocultar. Decifrar os sinais mais escassos e duvidar, duvidar sempre, até da própria dúvida. Deixou-nos esse legado.
«DN» de 27 Mar 13

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26.3.13

«Dito & Feito»

Por José António Lima
CIRCULA aí pela net, entre muitas fotomontagens verrinosas e piadas corrosivas sobre o Governo, uma sucessão de imagens de Passos Coelho – em 2011, em 2012 e em 2013 – prometendo repetidamente o fim da recessão e assegurando que o ano seguinte – no caso, 2012 ou 2013 ou 2014 – assinalará o início da recuperação económica.
O problema dessa ilustração humorística, para lá da sua acidez crítica, é que ela corresponde sem exageros à verdade dos factos. Passos Coelho afirmou mesmo aos portugueses, tanto em 2011 como em 2012 ou em 2013, que a viragem para o crescimento positivo da economia ocorreria com toda a certeza num qualquer trimestre do ano seguinte, ano esse que já foi atirado para 2015 ou 2016.
O primeiro-ministro falhou redondamente nas suas promessas voluntaristas. Tal como o ministro Vítor Gaspar tem errado cada vez mais estrepitosamente nas suas previsões sobre a economia e as finanças do país. Ao ponto de os resultados da sétima avaliação da troika o terem forçado a nova pirueta nos números que já corrigira um mês antes... Até o défice de 2012, que o ministro das Finanças anunciara há pouco ter ficado em 4,9% do PIB, acabou por disparar para os 6,6%.
Acontece que, num poder político desgastado e desacreditado pela crise e a austeridade, Passos Coelho e Vítor Gaspar ainda constituíam, para lá do desagrado provocado pelas suas políticas, a reserva de rigor e seriedade que restava na imagem do Governo. A qual assegurava, aos olhos de uma parte dos portugueses, os índices mínimos de confiança e esperança no rumo de ajustamento seguido pela governação do país. Ora, a sucessão de erros e inverdades nas previsões e promessas de Passos e Gaspar acaba por atingir a sua própria seriedade e credibilidade políticas. O que é fatal.
É este Governo que se assemelha agora a uma nau à deriva, sem rumo certo, sem responsáveis de confiança ao leme e com uma tripulação destroçada pelo desânimo. Um Governo que se arrisca a naufragar no embate com uma das próximas intempéries: o chumbo do OE pelo Tribunal Constitucional, o anúncio em Maio dos cortes de 4 mil milhões ou a hecatombe eleitoral nas autárquicas. Teme-se o pior. 
«SOL» de 22 Mar 13

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Drama

Por Helena Matos
PORTUGAL é governado à vez por dois partidos: um, o PSD, não sabe o que é. O outro, o PS, não quer saber o que faz e muito menos o que fez. Esta particular circunstância leva a que o PSD não tenha um discurso de poder e muito menos seja encarado pelo eleitorado como tendo verdadeira legitimidade. 
Desde Cavaco Silva que o PSD não ganha eleições por si mesmo mas sim porque o PS as perde. Os próprios dirigentes do PSD comportam-se como se reconhecessem uma espécie de superioridade moral nas propostas da esquerda em geral e nas do PS em particular: é como se eles, sociais-democratas, apenas não fossem socialistas porque, com aquela obsessão pelo ‘deficit', vivessem convencidos de que não existe dinheiro para tal. Mas claro que quando existir eles serão ainda mais socialistas que os socialistas.
Já o PS assume-se naturalmente como o partido do poder em Portugal. É assim que se sente e é assim que se apresenta. Esta relação do PS com o poder é um extraordinário trunfo quando é governo e em boa verdade é também um factor de tranquilidade para o País pois mesmo que a CGTP peça a demissão de um qualquer ministro a ninguém de bom senso ocorrerá pôr em causa a legitimidade quer do ministro visado quer do Governo no seu todo. A isto acresce que em países como Portugal, França e Espanha o socialismo passou de ideologia a ‘password' que pode validar uma coisa e o seu contrário. Nesse sentido, o PS é o partido ideal para reformar o Estado pois aquilo que num ministro do PSD é um sinal de insensibilidade social num ministro do PS é um gesto de coragem em defesa do Estado Social: foi preciso uma ministra da ala esquerda do PS, Ana Jorge, para que por uma vez se dissesse o óbvio sobre as crianças com fome nas escolas sem que meio País não desmaiasse com o choque: "Apelo às crianças e famílias que aproveitem a necessidade de contenção para fazerem sopa em casa, por forma a não gastarem em ‘fast-food' que, para além de fazer mal, é mais caro".
A bem do nosso sossego, da razoabilidade do País e para especial gosto de muitos barões do PSD, o ideal seria que o PS fosse invariavelmente governo não se desse a circunstância de boa parte do PS considerar que esta indiscutível superioridade política do partido implica uma superioridade face à lei e sobretudo face à moral. Casos como o fax de Macau, a reacção ao escândalo Casa Pia que terminou naquela inenarrável recepção a Paulo Pedroso na Assembleia da República, o Freeport ou a tentativa de silenciamento da TVI poderiam acontecer com o PSD. 
O que só o PS consegue é apresentar tudo isso como o resultado de cabalas e urdiduras. Nesta particular relação com o seu passado, parte do PS quer agora que António José Seguro assuma a defesa do chamado legado de Sócrates. Ou seja parte do PS pretende como linha para o partido o alargamento ao âmbito da política da atitude que os notáveis do PS, à excepção de Guterres, adoptaram nos casos em que surgiam os nomes de alguns dirigentes socialistas: não se pensa, não se avalia, não se questiona. Acusa-se. 
A curto prazo esta transformação do PS numa máquina de defesa da imagem de pretéritos líderes, a que se junta o horror do PSD à ideologia, podem transformar Portugal num local infrequentável.
«DE» de 26 Mar 13

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Por Ferreira Fernandes
PORQUE os Deuses das Comparações Malandras não dormem, quis o destino que em Londres, no domingo, uma televisão tivesse acolhido um político. Este, um grande, uma prima-dona, de incontroláveis melenas loiras, mayor de Londres e conservador à espreita de mais, a morder as canelas do seu colega primeiro-ministro, enfim, Boris Johnson, foi tratado pela BBC como, no dia seguinte a ter sido zurzido, ele próprio disse o que lhe fizera o jornalista: "Ele estava no seu perfeito direito de me escavacar. Aliás, o chocante seria não tê-lo feito. Se um apresentador da BBC já não pode atacar o nojento de um político conservador, onde é que o mundo vai parar?" 
Sim, há um pouco de ironia nas palavras, mas sobretudo há o saber qual é o lugar de um político frente às câmaras. Para se explicar, não debitar, para ser contraditado e não para lhe beberem as palavras. 
Aconteceu, pois, esta batalha, enquanto no mais velho aliado da Velha Albion decorrem as contratações de políticos para jogos florais nas televisões: "Ora faça Vossa Senhoria o obséquio de nos ilustrar..." 
É a terceira vez que, numa semana, falo do assunto - aí está o porquê: é um assunto de civilização. Ou queremos políticos e jornalistas assim, ou não. Aconteceu ainda que peguei no assunto quando José Sócrates passou a ser um dos convidados. É coincidência, mas não mera: Sócrates é para ser zurzido e não para ser ser desperdiçado como se fosse um qualquer Marques Mendes.
«DN» de 26 Mar 13

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25.3.13

Apontamentos de Lisboa

A chamada Feira do Relógio, que funciona na zona da Bela Vista, merece uma visita, mas há que ter em conta que fecha às 14h. Quem lá aparecer pouco depois, apenas verá isto...

Mortífero Prémio Nobel

Por Joaquim Letria
O PRESIDENTE Obama é o Prémio Nobel da Paz politicamente responsável pelo maior número de civis mortos em acções militares das tropas de que ele é o comandante supremo. O mundo inteiro viu-o também a assistir em directo à morte de Bin Laden por uma força Seal de Marines sob o seu comando. Agora, Barack Obama prepara-se para ser o presidente dos drones, os aviões não tripulados que, à distância e telecomandados, matam ou destroem alvos previamente escolhidos sob as ordens do presidente. 
Interessantes as perguntas e respostas acerca do poder do presidente mandar abater cidadãos americanos em solo americano sem uma decisão de qualquer tribunal.”O Presidente não matou ninguém assim, ainda”, respondem aqueles que falam por ele. O presidente diz “não matei ainda ninguém e não tenho a intenção de mandar matar americanos, mas pode ser preciso” . Os críticos não se calam: a resposta certa do presidente deveria ter sido apenas “Não!”. 
Bill Maher, um seu apoiante, reconhece que os drones têm sido excessivamente utilizados em todo o mundo. Mas o mais esclarecedor de tudo, para nós, é o reconhecimento de Maher de que “nem todos os ataques de drones são maus. Algumas pessoas precisam mesmo de ser mortas. É como com a pena de morte! O que é preciso é matar a gente certa!”
Entre a Segurança Nacional e os Direitos Humanos, estes perdem para aqueles. Os especialistas compreendem e justificam as decisões dos presidentes, como aquelas que no Paquistão e no Afeganistão mataram milhares de civis inocentes. Se fôssemos presidente faríamos a mesma coisa. Metem-nos numa pequena sala interior, sem janelas, mostram-nos uma lista dos maus e filmes secretos de tipos que nos convencem que são terroristas, e lembram-nos que o nosso papel é proteger a democracia, as instituições, o povo, a nação. Perante isto que se pode fazer de diferente do que eles fazem?!” 
Veremos o que o futuro nos traz e as partidas que pode pregar ao sucessor de W.Bush…para nos proteger, naturalmente...

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Apontamentos de Lisboa

Vem gente de propósito aqui, ver a Fonte Luminosa da Alameda (nomeadamente quando está a funcionar), e é de saudar que a autarquia a tenha posto, de novo, com vida. O que não se percebe é que uma zona monumental de Lisboa possa ter o que aqui se vê.
Quanto a "agir agora", prefiro "agir em Outubro" quando, na próximas eleições, saberei ter em conta quem assim trata a cidade - até porque, neste caso, os que fazem e os que deixam fazer pertencem à mesma força política com responsabilidades na autarquia. 

E tu em que comentador votas?

Por Ferreira Fernandes
TORNOU-SE o coroar de progressão na carreira de um político: militante, deputado, ministro e, enfim, comentador político televisivo! Três ex-líderes do PSD, um do PS e um do BE acabam de se juntar a um outro ex-líder social-democrata - o professor Marcelo, o indestronável Ferguson do comentário -, num vendaval de contratações. 
Antigamente a glória era chegar a comendador; agora, a comentador. Passa-se de uma consonante sonora (d) para uma surda (t), o que para quem se quer fazer ouvir me parece despromoção. Acresce que nisto de juntar política e televisão não se pode ficar a meio caminho. Como um dia disse Emídio Rangel, uma televisão pode vender um Presidente. Disse "uma televisão", não "um comentário televisivo". Ponham os olhos em Berlusconi que para chegar lá comprou a emissora, o que não o fez uma respeitada "Sua Eminenza", fê-lo uma poderosa "Sua Emitenza"... 
Já critiquei a moda pela minha ótica de consumidor: a atual política informativa das Tvs com um político comentador político - dar altifalante a alguém que faz de conta que comenta de fora, quando é parte interessadíssima - é uma fraude (e ainda por cima com a caução de um jornalista/virador, que só está no palco para mudar as páginas da partitura do artista.) 
Volto à crítica, por generosidade para com comentadores: se a intenção é política (e é), não é só perda de tempo, é despromoção. O político é aquele que ganha a outro. A falar sozinho não vai lá. 
«DN» de 25 Mar 13

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24.3.13

Etíopes na Igreja da Natividade, Belém 2012

Fotografias de António BarretoAPPh
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Ao chegar à Igreja da Natividade, em Belém, na Palestina ou na Cisjordânia, cruzo-me com uma excursão de umas dezenas de mulheres africanas, peregrinas, todas vestidas de branco: fui informado de que se tratava de Etíopes, vindas de um velho país cristão. Em geral muito altas e elegantes, percorriam os lugares santos com enorme energia e alegria. Nesta fotografia, registei talvez as mais cansadas à procura de sombra. Belém é uma terra estranha. Tudo se mistura ali. Todas as religiões estão lá. Para ir lá, vindo de Jerusalém (meia dúzia de quilómetros…), foi necessário mostrar passaporte, passar o controlo das polícias israelitas e palestinianas e atravessar um muro de betão e circuitos de radar e vídeos… A Basílica da Natividade é um local sagrado tanto para Cristãos como para Islamitas. Diz a lenda que foi ali que nasceu Jesus Cristo. O sítio “exacto” está marcado por uma estrela de prata colocada no chão. A igreja data do século IV e foi mandada erigir por Constantino. Hoje, a Igreja é considerada pertença da Igreja da Arménia, da Igreja Ortodoxa Oriental e da Ordem dos Franciscanos. Tal como noutros locais, no Santo Sepulcro, por exemplo, o condomínio nem sempre é pacífico. Os diferentes cultos e as várias Ordens têm longos e antigos contenciosos que não estão perto de serem resolvidos. Como aliás nenhum conflito naquela região: são, há três ou quatro mil anos, problemas sem solução. (2012)

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Evolução do pensamento geológico no contexto filosófico, social, religioso e político da Europa

René Descartes (1596-1650)
INICIADO em Florença de onde se difundiu, em especial, para a Europa Central e Ocidental, a Renascença ou o Renascimento, como também se diz, é geralmente apresentado como um período da história da Europa, de limites temporais difusos, grosso modo, entre finais do século XIII e meados do século XVII, na transição da Idade Média para a Idade Moderna, durante o qual ocorreram acentuadas transformações em muitas áreas da vida humana, nomeadamente, na economia, na política, na religião, na filosofia, em diversas artes (pintura, escultura, arquitectura, poesia, música) na ciência e na tecnologia. Durante este período, marcado pela redescoberta e revalorização das referências culturais da Antiguidade e pelo ressuscitar do diálogo filosófico entre Platão e Aristóteles, ou seja, entre o idealismo e o empirismo filosófico, assiste-se ao nascimento do humanismo e ao relativo declínio das estruturas económicas, sociais e políticas medievais, com destaque para o feudalismo, que vai cedendo o passo ao urbanismo.(...)
Texto integral [aqui]

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23.3.13

«Só uma pessoa que não estiver no seu são juízo acha que está tudo bem»,

Por Antunes Ferreira 
CONTADO, ninguém acredita. E com carradas de razão: se não tivesse visto como vi e ouvido o que ouvi através da televisão poderia crer no que estava a acontecer. Logo me veio à lembrança o velho ditado que diz que com amigos destes mais vale ter inimigos. E Gaspar mudo e quedo, sereno e seráfico, aliás como lhe é habitual. De resto, não é só de hoje que todas as suas previsões falharam, falham e falharão, sem dó nem piedade.
Acabava justamente de receber há escassos minutos um mail de uma pessoa por quem tenho o maior respeito e que transcrevo abaixo em itálico, sem sequer lhe pedir a sua autorização. Isto porque hoje também já não há segredos… 
E que disse Paulo Portas? Este mimo: «Só uma pessoa que não estiver no seu são juízo acha que está tudo bem», afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros no debate na Assembleia da República, com o «otimista, professoral, inquestionável e indiscutível Gaspar» justamente a seu lado na bancada do Governo de onde Portas também apelou ao PS para mostrar um "realismo consensual". +++Ora bem, aqui vai o texto do mail acima citado: 
«Ano de 1993: com a economia portuguesa a ruir, um alucinado Braga de Macedo, então ministro das Finanças, foi à Assembleia da República gritar a plenos pulmões que o país era um oásis. Este sketch parlamentar resistiu à passagem do tempo. Quem não resistiu foi Braga de Macedo: após um breve compasso de espera, Cavaco "calçou-lhe uns patins"».
Mas, «quem era o homem que, em 1992, fez as previsões para Braga de Macedo? Um tal Vítor Louçã Rabaça Gaspar, que chefiava o Gabinete de Estudos do Ministério das Finanças, onde falhou ele nas previsões. Falhou em tudo na evolução da economia e na arrecadação das receitas fiscais. Veja-se: 
Gaspar previu um crescimento do PIB de 2% em 1993, mas a economia acabou por recuar 0,7%, ou seja, o pretenso oásis que Braga de Macedo anunciava, acabou numa recessão; o Orçamento do Estado para 1993 previa um encaixe à volta de 3.340 milhões de contos (16.660 milhões de euros) com as receitas correntes, mas houve necessidade de fazer um orçamento rectificativo que já estimava menos 364,7 milhões de contos (1,8 milhões de euros), porque a receita fiscal teve um desempenho bem pior do que se estava à espera.
Vinte anos depois, o tal Vítor Louçã Rabaça Gaspar, que levou Braga de Macedo a estatelar-se contra a parede em 1993, não vos lembra ninguém? 
Já nem me lembrava!!
Mas olha que é o mesmo que estás a pensar!! 
Com o tempo, o homem não conseguiu aprender nada». 
Mas, há mais: nas intervenções finais no debate de urgência do PS, Portas, apelou ao PS para mostrar um «realismo consensual», num tom de aproximação aos socialistas (…) O líder do CDS-PP, concordou com o secretário-geral do PS, António José Seguro, na necessidade de criar um banco de fomento para estimular o investimento económico e acolheu outra proposta sobre créditos fiscais para pequenas e médias empresas também avançada pelo líder socialista. O ministro dos Negócios Estrangeiros sustentou que, nas negociações com a troica, deve conseguir-se a redução dos prazos dos reembolsos previstos para os próximos anos. E vincou a necessidade de diluir mais no tempo os cortes de quatro mil milhões de euros na despesa do Estado. «[É necessário] procurar a redução estrutural da despesa sem que a variável tempo seja um dogma e com escolhas económico-sociais ponderadas», afirmou Portas que tem nas mãos a tarefa de elaborar um guião dos cortes.
Na resposta, Seguro (que tem vindo a marcar passo, ou seja, como dizem os Brasileiros «faz que anda, mas não anda» e que parece esfregar os olhos sonolentos, ficar semi-acordado, meter a primeira e arrancar devagarinho, para tentar alcançar a enorme velocidade de corrida de um caracol, no seu melhor estilo) fez notar a diferença entre o discurso do líder do CDS e o do primeiro-ministro. O líder do PS acusou a maioria de demonstrar «posições híbridas, como um polícia bom e um polícia mau», E, como tal disse haver «um partido da coligação bom e outro mau».
Não é (ainda) a estória dos ratos abandonarem o barco quando este começa a afundar-se; mas, com mil demónios, é muito parecida. Até ao momento nada me consta de qualquer coisa que o senhor primeiro-ministro tenha acrescentado ou comentado. Lá dizia o nosso velho conhecido Fernando Ulrich: ai aguenta, aguenta. Se os sem famílias (sic) aguentam por que não havemos de aguentar?

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22.3.13

Apontamentos de Lisboa

Este turista deve ter chegado há pouco a Lisboa - só assim se compreende o seu interesse em fotografar este pequeno monte de lixo existente junto à Rua 1.º de Dezembro. Não muito longe dali (no Martim Moniz, na Rua da Palma e na Almirante Reis, p. ex.), tinha à sua disposição várias toneladas, e em modalidades muito mais interessantes esteticamente.

Os parabéns hoje devidos ao CCC que dá vida aos nossos corações

Por Joaquim Letria 
UMA COISA que eu gosto, nesta escrita de opiniões, é ter oportunidade de dizer bem de alguém ou de alguma coisa. Infelizmente, surgem mais ocasiões para criticar e denunciar o que está mal do que ser encomiástico para o que quer que se queira. Também é verdade que os leitores preferem a maledicência e o escárnio, o que, por si só acaba por justificar que muita gente da que anda a escrever por aí escolha essa linha para ter mais audiência, acumular mais leitores e ser mais compensado quando se cala ou elogia. Nada disto é errado, se conduzido com equilíbrio e seriedade, mas infelizmente nem sempre é isso que norteia alguns beneficiários de favores e prebendas que vociferam segundo as suas próprias conveniências.
Nestas linhas, venho dizer bem do Centro de Cirurgia Cardiotorácica de Coimbra (CCC) que completa hoje, precisamente, 25 anos de idade. Só poderei ganhar alguma coisa com isto se alguma vez me levarem atempadamente a Coimbra, de tinhonhi, para entrar para o “Clube do Fecho Éclair”, nome irónico posto àqueles que são operados ao coração e ficam com uma costura bem feitinha sobre o esterno. Mas não conheço lá ninguém e, de nome, só reconheço o Professor Manuel Antunes, responsável por alguns amigos meus ainda andarem por aí, dez e quinze anos depois de lhes ter partido o esterno e lhes ter posto o coração a palpitar cá fora, até ao final da reparação da avaria.
Durante este quarto de século que hoje se completa, o CCC operou cerca de 40 mil doentes sem que, até hoje, ali exista uma lista de espera.Com uma média de 1850 operações anuais, cerca de oito por cada dia útil, este serviço, integrado no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), é uma referência portuguesa a nível internacional. O CCC salvou muitos milhares de portugueses, sem lhes perguntar quanto ganhavam e se podiam pagar. Note-se que a Unidade de Tratamento Intensivo das Coronárias (UTIC) de Santa Maria, mais a cardiocirurgia de Santa Cruz, em Carnaxide, e os serviços de cirurgia vascular de Santa Marta são outros pontos de excelência deste nosso tão mal tratado país. Não é bonito?!
Que feliz que eu fico por poder aqui elogiar este serviço, do CCC, precisamente quando faz 25 anos de idade, sobrevivendo a governos, ministérios, ministros, ministras e administradores, sem permitir que o estraguem como fizeram em muitas outras parcelas do Serviço Nacional de Saúde!

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Apontamentos de Lisboa

Calçada do Cascão - 18 Mar 13
Turistas estrangeiros, vindos de Alfama e a caminho de Santa Clara, praticam a arte portuguesa de caminhar pelo meio da rua. Simultaneamente, vão apreciando os azulejos ainda existentes nas fachadas - alguns dos que aqui faltam estão à venda na Feira da Ladra, para onde eles se dirigem. Mas isso fica para um próximo post.

Estar 'in' parecendo 'off'

Por Ferreira Fernandes
O RELVAS passou uma rasteira ao PS, ofereceu um altifalante ao opositor interno de Seguro. O Tó Zé está nas suas sete quintas, o "outro" é só comentador e ele continua comentado. Os das petições contra um programa de Sócrates estão contra. Os das petições a favor, a favor. Os do Governo, atrapalhados, precisam de factos políticos para fazer esquecer os factos. Os do Governo, confiantes, não receiam o "animal político". Se isto correr mal para o Governo, a previsão do convite foi do Gaspar. Se correr bem, corre certamente mal para o Seguro, o que talvez seja bom para o Governo, mas acaba por ser bem pior, porque correu bem a Sócrates. 
Qual Governo-Oposição, Acordo Ortográfico-Vasco Graça Moura, Porto-Benfica, qual quê, a partir de agora será o confronto de shares: Marcelo-Sócrates... E é justamente esta última frase que nos leva ao essencial. Que não é o manancial de opiniões desencontradas de ontem, algumas das quais lembrei antes. O País apaixonou-se por um facto menor. Apaixonou-se por causa do sujeito do facto, José Sócrates, o mais detestado e amado político da última década. Mas o assunto é o facto, que é menor, e não o sujeito que vai agir nele. Vamos, pois, ter mais um político a debitar a semana, in a fazer de conta que está off, e com um pau de cabeleira a dar-lhe corda. Uma especialidade portuguesa que está para a informação como as conferências de Blair ou de Aznar estão para a ciência política. Já bocejo
«DN» de 22 mar 13

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Os pinta-paredes (52)

Em cima: os gigantescos grafitos que ornamentavam toda esta parede (junto à Estação do Rossio, em Lisboa), e que já aqui se mostraram, foram devidamente tapados. Ninguém nos explica porque é que a conta nunca é enviada aos 'artistas', mas isso é outra história...
Em baixo: aproveitando o inesperado brinde da brancura imaculada, logo começaram a aparecer 'novidades gráficas' - a que aqui se vê é apenas uma delas...

21.3.13

Economês

Por Pedro Barroso
O ECONOMÊS é de facto uma língua delicada e sinuosa. 
Acabo de ler no Económico que a nossa venda de títulos de dívida vai óptima mais uma vez, porque agora, entre outras razoes, já estamos no lixo fino! ... mas espantosamente aparece um comentário dizendo que isto acontece e realizou-se numa altura em que o Chipre tenta evitar a bancarrota, depois de ter chumbado o resgate europeu proposto pelo Eurogrupo.
Ora para mim, que sou músico e nunca quis penetrar na semântica económica quer-me parecer que o que os deputados em Chipre corajosamente chumbaram foi um roubo que se pretendia instituir, directo e descarado, ao aforro das pessoas privadas. Isto é - precisar de resgate europeu, pois, sim senhor; mas com regras a estudar, não indo aos magros pecúlios particulares de quem aforrou para a velhice. É preciso lata para ainda falar do generoso acto de resgate europeu oferecido - que valia mais esquecerem pela vergonha e insulto que representa da forma como foi apresentado. Entretanto nem sei que diga, fico muito feliz também por ter lido que... Na bolsa nacional, o principal destaque vai para a recuperação da banca, que foi de resto o sector mais castigado nas últimas sessões.
E eu cheio de pena! ... oh pa mim! Vou já ali comprar mil acções do BCP que estão baratinhas a 0,10€... e de facto não valem mais que isso. Juntando tudo isto às erráticas previsões de Gaspar e ao sábio Belmiro, que nos ensina que só há emprego se os salários forem muito baixos e que, sim, podemos manifestar-nos com toda a nossa indignação que isso até é terapêutico - um autentico divertimento, ora bem ... ficamos com uma análise completa de como esta linguagem económica varia conforme as ópticas e galáxias onde se constrói.
E a carteira de quem falou.

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Apontamentos de Lisboa

Rua do Ouro - 18 Mar 13

Chefe, temos crise: a lei está esquisita

Por Ferreira Fernandes
PRONTO, o que era de esperar não se fez esperar. E como não temos problemas de maior (nem crise política, nem crise económica, nem crise financeira...) resolvemos inventar um problema de exegese. De interpretação de textos, como os xamãs fazem com ossos de pássaros ou folhas de chá. Oh igunga biribirim!, pode o Seara ir p'ra Lisboa ou não pode? Primeiro sinal: não pode. Mas, descansai, como não temos problemas de maior, haverá mais sinais. Uns xamãs dirão que sim, outros, que não. Até que os Grandes Feiticeiros do Constitucional nivelem as diversas inspirações. 
Cretinos! E não falo dos meritíssimos, mas dos cretinos a montante e cretinos a jusante dos textos mancos. Falo dos eleitos (palavra que deveria ser respeitada), já cuspidos na rua por qualquer borra-botas e implorando por mais vexames. Cretinos que não sabem fazer uma lei sim ou sopas. Se não sabem falar claro - e pelo que vê no Diário da República, não - contratem para assessora a dona Idalina, comerciante no Bolhão. Quando ela trata o cliente de "lindezas", este sabe que ela gosta dele; se ela lhe chama "badalhoco", ele sabe que não. A dona Idalina preza que as suas palavras façam lei. Ela não precisa de xamãs, simples ou constitucionalistas, para interpretarem o que lhe sai pela boca fora. Cretinos! Cretinos, os parlamentares que fazem leis balhelhas. Cretinos, os candidatos que, na ânsia de subirem de câmara, aceitam pôr-se nas mãos dos xamãs. 
«DN» de 20 Mar 13

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Pise, e escolha o piso!

Lisboa, Anjos, 18 Mar 13
De vez em quando, discutem-se as vantagens e desvantagens do asfalto em comparação com os tradicionais paralelepípedos: aderência e impermeabilização dos solos são sempre os aspectos apontados, mas nunca mais se chega a uma conclusão definitiva. É, pois, de saudar que haja, em Lisboa, inúmeros locais assim - onde as pessoas podem, num espaço restrito, apreciar e comparar as duas soluções. Aqui, há a vantagem adicional de os peões também poderem formar a sua opinião.

O Governo português no funeral do Chipre

Por C. Barroco Esperança
O GOVERNO português, formado por um conjunto heterogéneo de indigentes intelectuais de parcas habilitações académicas, politicamente formatados nas escolas das juventudes partidárias e nas suas universidades de verão, com académicos reputados, sem a menor sensibilidade política, teria de produzir uma comissão liquidatária do que resta do País.
Unidos por um ódio patológico a tudo o que cheire a herança do 25 de Abril, a direitos dos trabalhadores e a datas relacionadas com a liberdade, imbuídos de ódio cego a tudo o que cheire a socialismo ou onde o adjetivo social apareça, deitaram fora as promessas eleitorais do mais néscio governante desde a ditadura de Pimenta de Castro, empossado como primeiro-ministro, e apostaram fazer de Portugal um laboratório neoliberal, quiçá como exemplo para os outros países, «custe o que custar». (...)
Texto integral [aqui]

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20.3.13

O fim da rebaldaria?!

Por Joaquim Letria 
ALGUNS gestores e administradores portugueses, de certas empresas públicas e privadas, estão entre os mais bem pagos do mundo, vamos lá saber porquê, se atendermos aos resultados e aos graus de dificuldade do trabalho que têm que fazer. 
O CEO (presidente executivo) norte-americano mais bem pago em 2012 foi Mike Duke, do Walmart. Ele recebeu 10 mil euros à hora, o que é mais do que um trabalhador médio, mais a família e amigos, todos juntos, recebem num mês de trabalho. Mike Duke foi o 46.º gestor mais bem pago na América durante o ano passado, segundo a revista Forbes
Um gestor de empresa, pública ou privada, recebe hoje 340 vezes mais do que um trabalhador médio. Em 1980, um gestor recebia 42 vezes mais. Durante décadas os salários, prémios e bónus dos gestores e administradores não pararam de subir, com as diferenças a aumentarem cada ano até chegarem às proporções escabrosas de hoje. A tirania desta nova classe de monarquia no topo das empresas, além de se aumentar a si própria sem critério, considera-se com direito a tudo sem ter de prestar contas a ninguém. Entretanto, para melhor podemos avaliar o seu trabalho, conseguiram que um salário dum trabalhador médio, que era de 8 euros à hora em 1968, passasse para um máximo de …4,70 euros, apesar da produtividade ter duplicado neste período. 
Barack Obama anunciou que deseja que o salário mínimo, nos Estados Unidos, seja de 9 dólares à hora, em 2015, isto depois de ter dito em campanha eleitoral, em 2008, que queria que esse mesmo salário, em 2011, fosse de 9,5 dólares, o que só mostra que quem vive do seu trabalho está muito bem entregue! 
A defesa dos gestores reside no argumento de que os bónus e os salários monstruosos que auferem são necessários para atrair os melhores para o negócio. Mas os suíços já não vão nessa conversa. Depois de verem o seu banco gigante UBS perder biliões em negócios e os seus laboratórios farmacêuticos Novartis despedirem milhares de trabalhadores e técnicos, os eleitores helvéticos decidiram, em referendo, exigir que os accionistas aprovem os montantes dos prémios e salários de quem nomeiam para lhes cuidar dos negócios. Esta decisão de cidadania está a preocupar as cabeças das companhias pelo mundo fora. Será que a rebaldaria vai, um dia, acabar!? 

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No Reino do Absurdo

Lisboa, Av. de Paris, 16 Mar 13

Também cá sê romano: escolhe os melhores

Por Ferreira Fernandes
HÁ EM ROMA um mistério. Os jornais italianos têm uns especialistas que não são comuns nos outros países: os vaticanistas. Esses especialistas apresentaram, durante o conclave, os papabili mais certos, um italiano, um brasileiro, um canadiano e um par de americanos. E, como isto é assunto de Espírito Santo, também uns outsiders, um húngaro, um austríaco, um francês... 
Faltou aos vaticanistas falar de alguém. Ora, eles sabiam que no precedente conclave o argentino Bergoglio fora o principal adversário de Ratzinger. Esse, o mistério: porque não entrou ele nos prognósticos? Como demonstrou em poucos dias, Bergoglio é um líder notável. Adotou um nome inspirado em São Francisco de Assis, o santo dos pobres, o que é hoje todo um programa para quem quer animar a Igreja. Porquê, então, os especialistas se esqueceram do cardeal Bergoglio? 
Há uma igreja em Roma, a de Santo Inácio de Loyola, fundador dos jesuítas, que talvez tenha a resposta. Na cúpula, que não é uma, está pintada em trompe-l'oeil uma imensa cúpula que nos leva, fascinados, ao engano. Os jesuítas em cinco séculos serviram e influenciaram com a capacidade dos sábios e só agora, com Bergoglio, têm um Papa. Que ele e os seus queiram o poder não me surpreende, é próprio de quem tem convicções. O que me impressiona é que a Igreja Católica, porque está em crise, tenha escolhido os melhores. Olha, outro mistério: estar em crise e escolher os melhores.
«DN» de 20 Mar 13

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 In "Monarquia do Norte - 1919" de Helena Moreira da Silva, Ed. Academia Portuguesa da História

Muito se tem falado dos "acontecimentos bancários" em Chipre, não faltando quem pense que, em Portugal, poderá vir a suceder o mesmo. Pois...

Jorge Coelho

Por Baptista-Bastos
NO TABLADO de Viseu, onde o PS organizou um comício de apoio a José Junqueiro, certo facto sobrelevou todos os outros: o reaparecimento de Jorge Coelho. Tonitruante, fogoso e convicto reduziu a subnitrato o Governo, disse que se sentia muito bem com o regresso e foi calorosamente aplaudido, acaso muito mais do que o secretário-geral, Seguro. Se na vida não há coincidências, em política a ingenuidade e a candura são inexistentes. Jorge Coelho, como prometeu, não vai ficar por ali. E o confronto entre o estilo almofadinha de Seguro e a veemência retumbante de Coelho é mais do [que ]provável porque inevitável.
Apesar dos despautérios criminosos do PSD, das monstruosidades sociais do tandem Passos-Gaspar, o PS de Seguro não erradica de uma mediocridade constrangedora, e o que o separa do adversário são uns módicos e irrelevantes pontos. A aptidão de Seguro em servir-se de uma água chilra, diz que faz e não faz, que vai e não vai, fatigou os seus "camaradas", animados em conspirações e intrigas, e enfadou todos aqueles, insatisfeitos e decepcionados, que começaram a ver nele uma espécie de caixeiro de loja de caixões, fúnebre e sorna.
Jorge Coelho vai simplesmente animar a morna narrativa deste PS, desinteressante e lutuoso, ou, pelo contrário, o seu propósito e de quem o foi desencantar estão mais para além? Todas as conjecturas são justificáveis por plausíveis.
Em qualquer dos casos, tanto Passos como Seguro têm de se acautelar. Dando-se o caso de Jorge Coelho insistir em "que se sente bem": voltar aos comícios e usar o discurso tribunalício que o definiu, as mentirolas e as imposturas de Passos vão encontrar respostas de bulldozer, e até agora mansas e frívolas. Por seu turno, Seguro terá de abandonar as ambiguidades de uma intervenção que nem sequer belisca a acção governamental, ou será irremediavelmente trucidado, pela específica natureza das coisas. Jorge Coelho, cuja fibra e gosto da escaramuça, estabelece melhor a clivagem entre o que deve ser feito e as prudências do silêncio é, de longe, o mais preferido, nas circunstâncias actuais - e mesmo em outras.
Este PS não é carne, nem peixe, nem arenque vermelho; ignora-se, mesmo, a ideologia em que se escora; e esse hibridismo não é, necessariamente, apenas resultado das imposições da Europa, particularmente da Alemanha e da política hegemónica que lhe subjaz. O inesperado "reaparecimento" de Jorge Coelho não é um episódio isolado, desprovido de qualquer significado - nem pessoal nem dissimulado. Porquê agora, altura em que os efeitos desta lógica podem levar mais convulsões ao conhecido mal-estar existente no PS? Por outro lado, ante as exigências da troika, que pode fazer um governo servil?, sem brio e sem grandeza, e cuja deformidade ética, as violentas críticas, os sarcasmos sulfúricos e os protestos constantes transformaram numa indignidade histórica.
«DN» de 20 Mar 13

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19.3.13

Os pinta-paredes (51)

As duas primeiras imagens são enquadramentos diferentes obtidos da mesma fotografia. Idem, no caso da 3ª e 4ª
Estas fotografias, tiradas ontem em S. Pedro de Penaferrim, Sintra, mostram um dos muitos caminhos que conduzem à Pena. Como não podia deixar de ser, os pinta-paredes já ali chegaram, com a agravante de que o granito não é fácil de limpar. A solução, neste caso, foi reenquadrar as imagens e, além disso, omitir uma outra, que mostra o que se passa, ali ao lado, numa fonte romântica que também mereceu as atenções dos artistas.
(Lord Byron, um apaixonado por esta terra, dizia qualquer coisa do género: «Como é que Deus deu Sintra às bestas dos portugueses?»)