31.12.09

«Suttree» - Passatempo-relâmpago de 1 Jan 2010

Lisboa, Av. Guerra Junqueiro
ontem,
ou noutro dia qualquer
SE CORMAC McCarthy (a quem devemos, p. ex., o «Este País Não É Para Velhos» e «A Estrada») tivesse passado por cá, não teria desprezado a inspiração proporcionada por imagens como esta para o seu relato das aventuras de Suttree (no romance a que essa personagem dá o nome). A pergunta é: Porquê?
Os comentários serão desbloqueados amanhã de manhã, num momento-surpresa, sendo atribuído - não por acaso - um exemplar de «À Caça do Último Homem Selvagem» (de Angela Vallvey) a quem primeiro der a resposta certa.
Actualização (11h13m): a resposta certa já foi dada, pelo que o passatempo terminou.

Feliz Década Nova

Por João Duque

HÁ UMA MANIA, ERRADA, de considerar que as décadas se iniciam no dia 1 de Janeiro de um ano de último dígito 0. Ah, porque é que é errado? Porque não havendo ano zero, a primeira década terá começado no dia 1 de Janeiro do ano 1 e acabado no dia 31 de Dezembro do ano 10. E por aí adiante… Mas porque todos insistem nessa ideia, desisto, e vou eu próprio alimentá-la falando da Nova Década.

Sabemos como Portugal está. Se todos percebemos, se tivéssemos juízo, ou nos íamos embora deixando o país só, com as suas dívidas para que os credores o viessem pilhar levando o que entendessem, ou atacávamos os problemas de frente e tomávamos decisões corajosas: baixávamos salários (como os irlandeses), aumentávamos impostos (como os Gregos), atrasávamos a data para a reforma ou reduzíamos o seu valor (ou ambas as coisas – como os Britânicos), reduzíamos os benefícios de ordem social, etc., etc., etc. Mas, isso, ninguém quer e por isso ninguém vai ter coragem de fazer nem de propor em eleições que queira seriamente vencer… (...)
Texto integral [aqui]

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Mistérios de Lisboa

Esta fotografia encerra um mistério que os leitores são desafiados a descobrir. Ver e responder [aqui].

Os arreliadores congressos

Por Joaquim Letria

BUENOS AIRES é uma cidade maravilhosa. Talvez por isso tem sempre milhares de médicos e ecologistas de todo o mundo reunidos em congressos.

Estas duas comunidades científicas preocupam-se com a “Sã permanência dos humanos na Terra” e defendem-nos dos “perigos cada vez maiores que ameaçam o nosso planeta”.

Em Buenos Aires há engarrafamentos de congressos. Admitindo que as sessões de trabalho ocupam 16 horas diárias, ou seja 960 minutos, os quais, multiplicados por oito dias, se convertem em 7680 minutos, chegamos à conclusão de que cada cientista dispõe de 7 minutos para comunicar e interrogar os seus pares.

Mas como as sessões são matutinas e vespertinas, esses 7 minutos são divididos por dois, o que não dá aos ilustres cientistas nem tempo para mandarem um beijinho à família, nos dois turnos de 3,5 minutos que lhes cabem. Por isso, alguém redige as conclusões que permitem, no final, ficarem todos informados depois de dispensados da arreliadora presença nos maçadores trabalhos. É assim que se consegue ir ao Rio de Janeiro, a Fernando Pó, ao Antártico, ao tango e ao samba e, noutros casos, brincarem aos piratas da Malásia. Sempre, sempre a bem dos humanos na Terra ou em defesa dos perigos que ameaçam o nosso planeta. Para nosso bem…

«24 horas» de 31 de Dezembro de 2009

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Luz - Atenas, Grécia

Fotografias de António Barreto- APPh

Clicar na imagem, para a ampliar
EM JULHO DE 1974, já depois de vir a Portugal “ver o 25 de Abril”, voltei a Genebra tratar da minha vida e preparar-me para regressar a Portugal. Antes disso, fui “despedir-me da Europa”, escolhi uma viagem à Grécia, onde nunca tinha ido. Cheguei a Atenas no dia do “golpe” que derrubou a ditadura dos Coronéis. Sorte a minha! Tinha perdido o 25 de Abril, tive, em troca, um “golpe democrático”. Fiquei por Atenas uns dias a festejar. Invoquei a minha qualidade, duvidosa, de correspondente do jornal “República” (tinha um cartão de identidade) e estive em todos os locais importantes. Assisti à Chegada de Karamanlis e aos primeiros encontros com os democratas gregos. Nas ruas, era uma enorme agitação festiva. Nesta imagem, a polícia tenta conter a multidão que cercava o hotel onde os democratas se reuniam e onde Karamanlis acabava de chegar. (1974)

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Cavaco, PS e oposição

Por C. Barroco Esperança

NA SEQUÊNCIA
da promulgação do diploma que suspende a entrada em vigor do Código Contributivo, o PS criticou o PR e acusou-o de alinhar com a oposição. Penso que o PR não merece a acusação, embora tenha sido uma temeridade suspender um diploma saído de laboriosas negociações e de difíceis compromissos em sede de Concertação Social.

Não teve dúvidas em promulgá-lo e nem sequer suscitou a fiscalização preventiva da sua constitucionalidade. As receitas para a Segurança Social foram postas em causa e os partidos à esquerda do PS talvez venham a verificar que votar ao lado da direita não é a melhor forma de defenderem os trabalhadores de cujo monopólio se arrogam. (...)
Texto integral [aqui]

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30.12.09

Passatempo-relâmpago de 31 Dez 09


DESAFIA-SE os leitores que viram o filme cujo trailer aqui se afixa a darem a sua opinião (devidamente fundamentada, evidentemente) sobre o mesmo.
Os comentários serão desbloqueados amanhã, dia 31 Dez 09, num momento-surpresa, sendo atribuído um exemplar do policial «Sherlock Holmes contra Jack, o Estripador» (de Ellery Queen) ao autor do primeiro.

Em defesa dos circenses

Por Joaquim Letria

HÁ POR AÍ UMAS ORGANIZAÇÕES subvencionadas para defenderem os animais. Acho muito bem. Nesta época, essas organizações defendem os animais dos circos. No Verão, vão a Pamplona onde elas se despem numa largada já famosa durante a feira de San Fermin e muito apreciada em toda a Espanha, onde nunca se viu tantas portuguesas em pelota.

Devia haver organizações para defenderem as assistentes dos domadores de elefantes que se sujeitam a serem esmagadas, ou atiradas a distância, quando os paquidermes circulam sem os pisar sobre os seus corpos prostrados ou os atiram uns para os outros com as suas ásperas trombas.
Quando era pequeno tiraram-me à força do Coliseu para não ver o corpo destroçado duma “partenaire” a quem um elefante abraçou com a sua tromba agitada pelo ciúme, comentavam os circunstantes. Mas são episódios destes que atraem multidões ao circo, desde o trapezista ou funâmbulo desarticulado no solo, depois da queda, ou o palhaço a fazer-nos rir na noite da morte de sua mãe.

Espero que haja um juiz que se compenetre do risco do mau humor dum proboscídeo. Um leão é sempre um animal perigoso e com a tromba dum elefante não se brinca!
«24 horas» de 30 de Dezembro de 2009

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Descubra as sete diferenças

Por Manuel João Ramos:



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Diáfano

Por João Paulo Guerra
O PSD é um partido político onde acontecem excentricidades. Não, não estou a falar do provável regresso nem da possível saída do dr. Santana Lopes.
A MAIS RECENTE EXCENTRICIDADE do PSD é a coabitação de sete militantes por assoalhada, num T1 do Bairro da Boavista, em Lisboa. Dizem as gazetas que numa outra determinada secção do PSD, à qual pertencem afamados e criativos militantes como António Preto e Sérgio Lipari, haveria 21 militantes inscritos residindo em apenas três moradas. Mas isto, sendo alguma coisa, não é praticamente nada. Anteriormente foram detectadas, na freguesia de Algés, coisas tão estranhas como viverem 24 militantes do PSD numa casa em Queijas ou existirem militantes inscritos com a morada de uma casa em ruínas.

Mas esta verdadeira crise da habitação não é o único caso excêntrico observado no PSD. Não há muito tempo, os jornais tinham aventado a hipótese de uma alegada compra de votos a militantes na distrital de Lisboa, bem como o pagamento de quotas em atraso. Terá sido desse modo, com dinheiro introduzido e retirado de uma mala por artes de prestidigitação, que certas secções de Lisboa do PSD terão produzido o milagre da multiplicação dos militantes. A verdade é que uma determinada secção terá mesmo sextuplicado os filiados. A compra de votos é crime público punível na legislação portuguesa com pena até um ano de prisão. Mas a multiplicação dos militantes e respectivos votos também poderá ter sido produzida pela contratação de avençados em juntas de freguesia que, para manterem os empregos, garantiriam a manutenção do poder ao presidente da sua secção.
«DE» de 29 Dez 09

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29.12.09

Passatempo-relâmpago de 30 Dez 09

Em qual destes e-books há um capítulo cujo título é igual ao do post anterior?
As respostas só serão possíveis a partir de um momento-surpresa, que ocorrerá durante o dia de amanhã, 30 Dez 09. O prémio, a atribuir ao primeiro leitor que der a resposta certa, será um exemplar (em papel, claro!) de um dos livros cuja capa aqui se vê: ou o 2.º ou o penúltimo. Actualização (12h24m): a resposta certa já foi dada.

O epitáfio

Por Joaquim Letria

O EPITÁFIO É O CÚMULO da vaidade. O epitáfio é o cartão de visita daqueles que se despedem.

Isabel I de Inglaterra quis que o seu epitáfio “sucintamente recordasse o meu nome, a minha virgindade, a duração do meu reinado, as reformas com que contribuí para a religião e a salvaguarda da paz”. Instruções deixadas em testamento.
Já o Imperador José II da Áustria reconhece no seu epitáfio as suas desditas sem fim, não se atemorizando a gravar na pedra aquilo que lhe marcou a existência: “Aqui jaz José II que foi desgraçado em todas as suas empresas”.

Passear num cemitério não será passatempo que se recomende, mas a verdade é que se vem de lá enriquecido e divertido. O homem é tão néscio que, muitas vezes, depois de morto, pretende continuar a enganar os vivos como se estes fossem todos parvos.
Giovanni Mosca sonhou com a impossível sinceridade: ”Nas lápides só se escrevem mentiras. Se alguém tivesse a coragem de escrever “Fulano de tal, sem Vergonha”, naturalmente que uma onda de sinceridade se abateria sobre os cemitérios e os homens passavam a morrer com medo dos seus defeitos ficarem eternizados em pedra.

Por a morte ser o grande problema dos vivos, os cemitérios também são conhecidos por “Quintas das tabuletas” e estão transformados em parques enciclopédicos, carregados de epitáfios cheios de vaidade, exagero e falta de vergonha.
«24 horas» de 29 de Dezembro de 2009

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Passatempo Calimero de 29 Dez 09


No seguimento da crónica anterior e da imagem da direita, pergunta-se: qual o livro, da lista que se pode ver [aqui], que melhor se adapta ao assunto em causa? Naturalmente, o prémio será um exemplar dessa mesma obra.
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Nota: este passatempo destina-se, de início, apenas aos leitores que não tenham ganho nada nos que aqui foram propostos durante o presente mês. No entanto, se a resposta demorar a surgir, a participação será aberta a todos. Actualização (14h41m): a resposta certa já foi dada, como se pode confirmar [aqui].

O Ano Novo do Doutor De Castro

Por Nuno Crato

NA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO TEXAS, em Huntsville, o professor John M. De Castro dedica-se ao estudo dos hábitos alimentares. Ao longo dos anos tem produzido um número impressionante de trabalhos sobre os condicionantes da dieta humana. Recruta voluntários a quem pede para anotarem durante semanas tudo o que comeram, quando comeram, onde comeram e como comeram. Estuda depois os dados com métodos estatísticos rigorosos.

Há tempos, lendo um interessante livro de Christian Camara e Claudine Gaston (Pourquoi les marmottes ne fêtent pas le nouvel an?) reparei que estes dois divulgadores científicos se divertiam a imaginar como comeria o Doutor De Castro e como seria o seu dia-a-dia. Talvez ele se distraísse pouco, fizesse uma vida solitária e andasse tristonho pelas ruas. Pelo menos, segundo os seus artigos, é a melhor maneira de não comer demais. (...)

Texto integral [aqui]

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Passatempo-relâmpago de 29 Dez 09 (sem prémio...)

POR MAIS do que uma vez se elogiou aqui a decisão de proteger os parques de motociclos com pilaretes, por forma a evitar a sua ocupação indevida por parte de automóveis. E até se mostraram imagens do que sucede nos casos em que isso não foi feito.
Estas duas fotos são do mesmo parque (na Av. João de Deus, em Lisboa), mas tiradas com algumas semanas de intervalo. A questão que se coloca pode dividir-se em duas:

1ª - o que é que a foto de baixo tem de especial?
2ª - o que será que documenta uma 3ª foto (tirada pouco depois)?

As respostas podem ser vistas [aqui]

28.12.09

Discursos

Por João Paulo Guerra

Se as condições de vida dos portugueses dependessem de discursos, Portugal seria um país de gente feliz, sem angústias nem lágrimas. Mas não é.

TANTO "O PRINCÍPIO do fim da crise", como os recentes "sinais claros de retoma", na realidade representam um país com bastante mais de meio milhão de desempregados, e isto contando apenas com os registados e mantidos nos centros de emprego. Um país em que 6 em cada 7 trabalhadores têm trabalho em condições de precariedade, esse paraíso da exploração que funciona como pressão sobre os empregados, regredindo em certos casos a vis condições de contratação e relação laboral do século XIX. "O princípio do fim da crise", como os recentes "sinais claros de retoma", representam um país de pobreza, de exclusão, de incerteza, com velhos condenados à miséria ao fim de uma vida de trabalho e jovens sem perspectivas de futuro.

O optimismo dos titulares do poder, ao perorarem sobre "o princípio do fim da crise", dirige-se a uma clientela. Em Portugal há uma casta que se tem empanturrado com a governação das últimas três décadas. Uma casta para a qual criar riqueza é produzirem-se novos-ricos. E não estou só a falar da economia esquemática, isto é, feita de esquemas que rebentam todos os dias nos jornais, mas dos que abicham benesses, favores, contratos, subsídios, isenções, avales que o Estado desvia dos orçamentos que, segundo a Constituição, deviam destinar-se à "construção de um país mais justo e mais fraterno".

Pelo Ano Novo, o país terá mais discursos, novas promessas e as mesmas políticas.

«DE» de 28 Dez 09

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O PASSATEMPO «Os circunflexos e os perplexos» foi prolongado até às 20h de hoje.
Actualização (20h40m): a classificação já se encontra afixada.

Vivam as escutas!

Por Joaquim Letria

GRAÇAS A DEUS que Portugal está cheio de escutas. Não daquelas pestilentas, autorizadas por algum juiz, que dão conta de poucas vergonhas a meia voz de alguns artistas fedorentos, mas das escutas criadas na filosofia dos escuteiros de Baden Powell, com o fito de educar mentes sãs em corpos sãos, de crianças e adolescentes a aprenderem responsabilidades que lhes servirão no futuro.

Suponho ser graças à Igreja Católica que actualmente vemos tantos jovens carregados de material de campismo e fardados nas ruas de Portugal, despertando para uma alegria que não encontram em casa e raramente descobrem na escola.

Confesso que nunca pensei sentir felicidade por ver escuteiros, fosse a venderem calendários à porta de assembleias de votos, seja nos transportes públicos rumando para acampamentos e reuniões. Mas hoje, quando os vejo, fico feliz porque também conheço os outros jovens que pais e sociedade entregaram aos bichos.

Gosto de ver escuteiros porque são correctos, educados, apresentam-se com disciplina, sabem falar e têm orgulho na farda que os honra. Juro que não fui eu que mudei, mas perante as nossas circunstâncias já não vejo os escuteiros como um grupo de meninos vestidos de parvos, chefiados por um parvo vestido de menino. Ainda bem que existem.
«24 horas» de 28 de Dezembro de 2009

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Tempo de Natal em Barrancos

Por A. M. Galopim de Carvalho

FOI HÁ QUASE CINQUENTA ANOS. Conheci Barrancos no começo dos anos sessenta. Estava-se em férias de Natal e era o meu primeiro ano como assistente na Faculdade de Ciências. O Professor Carlos Teixeira, na altura, o director do departamento de Geologia, mandara-me chamar. Tinha à sua frente, entre pilhas de livros e papéis, um grosso volume encadernado a couro, com letras douradas, onde se lia Système Silurique du Portugal, uma importante memória da autoria de um dos fundadores da geologia portuguesa, Nery Delgado, publicada no início do século XX.

– Neste trabalho, – apontou, depois de me retribuir o cumprimento – no capítulo referente a Barrancos, estão citadas várias jazidas de ftanitos com Monograptus. Passe o Natal com a família lá em Évora e depois meta-se a caminho. Localize as que puder e faça umas boas colheitas. Temos cá exemplares do centro e do norte do país, mas do sul, só temos isto, – concluiu -, passando-me para a mão um fragmento de rocha cinzenta, muito dura e compacta, exibindo os ditos fósseis. (...)
Texto integral [aqui]

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27.12.09

Foi actualizado o blogue Arroz Doce, de Joaquim Letria,
com a crónica Faca na Liga, de hoje
Foi actualizado o blogue Humor Antigo, tendo-se iniciado a publicação correspondente a 1924.

Cada um contribui segundo as suas possibilidades...

Lixo de 'rico' e lixo de 'pobre' nas avenidas novas de Lisboa
NESTES DIAS, não se nota 'diferença de classes' quando o que está em causa é contribuir para que Lisboa seja - e cada vez mais - uma cidade suja, caótica, sem um mínimo de auto-estima e de onde fujo sempre que posso.

NOTA: repare-se que os ecopontos da foto de cima, e ao contrário do que frequentemente sucede (ali e um pouco por toda a cidade), nem sequer estão cheios.

Quatro décadas: da mudança à incerteza

Por António Barreto

ERA UM PAÍS FECHADO. Um Estado autoritário. E um povo inculto. Era Portugal do início dos anos sessenta. Pequeno, pobre e periférico. País rural, quarenta por cento da população, mais do que qualquer outro na Europa ocidental. Uma alta natalidade estava na origem da população mais jovem do continente. Uma obscena mortalidade infantil (mais de oitenta por mil) e uma esperança de vida reduzida (sessenta anos para os homens e sessenta e cinco para as mulheres) denunciavam o atraso social e económico. Os horizontes eram fechados, a escola medíocre e insuficiente, a saúde pública quase inexistente, poucos os empregos industriais e a liberdade diminuta. A maior parte dos agregados domésticos não tinha acesso aos serviços públicos de água, de electricidade ou de saneamento. As infra-estruturas eram pobres e ineficazes, as deslocações eram difíceis. Os portugueses viajavam pouco dentro do seu próprio país. O número de analfabetos elevava-se a quarenta por cento da população. Legalmente oprimidas, as mulheres tinham pouco empregos (apenas quinze por cento da população activa), eram mantidas à margem do espaço colectivo e não tinham o mesmo estatuto de cidadania que os homens: viviam e morriam, em maioria, fechadas nas suas vidas domésticas. Era assim que viviam os portugueses há cinquenta anos. (...)

Texto integral [aqui]

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26.12.09

Se «não há duas sem três», qual é a terceira?

Obrigando os autocarros a parar na única faixa disponível, basta um carro para bloquear completamente esta avenida, propagando o caos a toda a zona em redor
Sem comentários
ENQUANTO nos apregoam (e muito bem!) as vantagens dos transportes públicos (nomeadamente na poupança de energia e na luta contra as emissões de CO2), é assim que eles são acarinhados, pelo menos em Lisboa.
.
Estas duas fotos (tiradas na mesma zona e com poucos minutos de intervalo) não mostram nada de novo, pelo que só têm algum interesse quando completadas com uma terceira. Alguém adivinha porquê, ou o que ela documenta?
Actualização: a solução pode ser vista [aqui]
Ver comentário-2

«Dito & Feito»

Por José António Lima

CONFRONTADO COM A QUESTÃO do casamento entre homossexuais, Cavaco Silva contrapôs: «A minha atenção está noutros problemas, como o desemprego, o endividamento, o desequilíbrio das contas públicas, a falta de produtividade e de competitividade do país». Uma resposta ponderada e preocupada, com a qual não deixarão de estar de acordo até muitos dos que aprovam a legislação dos casamentos gay.

Mas eis que o ressuscitado deputado socialista Sérgio Sousa Pinto vem comunicar ao país que vê nas sensatas palavras do Presidente da República «uma intromissão na agenda do partido que apoia o Governo», ou, pior ainda, «uma dramatização indesejável da vida política», se não mesmo um cenário de horror: o PR está «a pôr em causa as condições de estabilidade política». (...)
Texto integral [aqui]

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Passatempo-relâmpago de 26 Dez 09

Para que servia esta máquina?
Actualização (13h36m): a resposta certa já foi dada

Bué de presépios

Por Antunes Ferreira

COM A CHEGADA DAS FESTAS, há quem se dedique a coisas que não lembram ao diabo, salvo seja. Um exemplo. Cá em casa fazemos colecção de presépios. Que já são bué. De acordo com fontes bem informadas e que, além disso, fizeram uma laboriosa e atenta contagem, já são 417 (mais vaca, menos burro). Em cinco armários com paredes de vidro, como o PCP. Iluminados a preceito. Todos os Natais acrescentamos um que outro ao acervo. E, mesmo durante o ano… Por onde passamos, se vemos algo interessante, é tiro e queda. Óbvio, se houver euros, cada vez mais caros e raros.

Temo-los dos mais diferentes, das proveniências mais diversas, das dimensões mais variadas e dos estilos e materiais mais interessantes. Até um, boliviano, com a Senhora deitada na cama e com o ilustre rebento ao lado. Sentado, atento, reverencial e cuidadoso, está José, o primeiro pai putativo. Da História e do menino. Para compor o ramalhete, uns quantos pastores com caras de índios. (...)
Texto integral [aqui]

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Humor Antigo - Ano de 1927

25.12.09

Mudam-se os tempos

Por Joaquim Letria

QUE ESTEJAM A PASSAR um Santo Natal, na companhia de todos os vossos entes queridos e na paz do Senhor! Eu não poderia ter mais paz, a olhar para uns preciosos álbuns de pintura que fizeram o favor de me oferecer com a amabilidade da pia desculpa de que não se sabe o que se pode oferecer a quem tem tudo.

Passo assim este Natal a desfrutar o chilrear dos netos e a descobrir que a pintura espanhola nem sempre foi do agrado dos britânicos, o que explica a pobreza da sua presença nas boas colecções inglesas onde praticamente se encontrava vetada em detrimento de Whistler e Gainsborough.

Os britânicos interessavam-se muito mais pelas paisagens destes pintores do que pelas caveiras, os sepulcros e as cruzes dos Anos do Ouro. El Greco, Murillo e Zurbarán foram mesmo ridicularizados pela deformação dos seus personagens e por aquilo que lhes imputavam como sendo “o culto da miséria e da morte”.

Interessante como na pintura os britânicos procuram hoje aquilo que, para eles, dantes era demasiado sombrio, demasiado misterioso, demasiado austero, demasiado católico e chegam ao ponto de descobrirem influências de Velazquez em Hazlitt, em Millais e em Whistler. Mudam-se os tempos…
«24 horas» de 25 de Dezembro de 2009

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Passatempo-relâmpago de 25 Dez 09

O DESENHO que aqui se vê (retirado de uma publicação de 1924) ilustra uma invenção que se propunha salvar muitas vidas. Pergunta-se: qual a utilidade reivindicada pelo seu criador?
Actualização: a resposta certa (incluindo a referência a outras utilizações) já está dada.

O Drama do Desemprego

Por Maria Filomena Mónica

ANDO HÁ MESES para escrever um artigo sobre o desemprego. Se não o fiz, é porque o tema me bate à porta e me faz sofrer. Poder-se-ia pensar que um membro da classe média estaria acima destas preocupações, mas há muito que o fenómeno deixou de ser um exclusivo do proletariado. Agora, as empresas usam o mundo como palco das suas actividades, o que, para um país que vendia mão-de-obra barata, é complicado. Tudo isto faz parte do Progresso mas, tal como sucedeu durante a Revolução Industrial, este provoca vítimas. Se me preocupa o desemprego dos jovens – alguns deles meus alunos – angustia-me mais o de longo prazo, que atinge gente já fragilizada. Aos primeiros, digo para emigrarem; aos segundos, não sei o que aconselhar. (...)
Texto integral [aqui]

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No Reino do Absurdo

Ver pormenores [aqui]

24.12.09

Deus nos pôs a virtude

Por Joaquim Letria

W. BUSH TINHA DITO que a nação mais poderosa do mundo, na qual ele mandava depois do papá também ter sido presidente, ia travar uma luta sem quartel contra o mal. Parte principal desta luta era apanhar,”morto ou vivo”, Ossama Bin Laden, o filho-família saudita, amigo dos Bushes do Texas.

Robert Gates, o secretário de Defesa de Bush que Obama aproveitou, veio dizer uma coisa surpreendente: já há um bom par de anos que os Estados Unidos não fazem nem pevide de ideia sobre onde possa estar o cérebro do 11 de Setembro de 2001, o que pode significar apenas uma coisa:os Estados Unidos da América não querem apanhar Bin Laden. Ou alguém acredita que se quisesse, não o tinha já apanhado?!

Mais surpreendente nesta história é aparecer também Gordon Brown, o sucessor do paladino Tony Blair, a acusar os paquistaneses de não apanharem Bin Laden. Isto depois de Bruce Riedel, ex-CIA, e diversos talibãs presos, terem garantido que se sabe onde está Bin Laden.

Qualquer dia, ainda se descobre que Bin Laden andou a passear em Lisboa, na Rua de São Domingos, e a PSP fez que não o conhecia para que o homem passasse uma feliz quadra natalícia. Deus nos pôs a virtude!

Já agora, um feliz Natal para todos!

«24 horas» de 24 de Dezembro de 2009

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Do arquivo Humor Antigo, Ano de 1927

Curtas-Letragens - «Natal...»

Por Miguel Viqueira

POIS, NATAL OUTRA VEZ... Para uns o pior é coleccionar os pares de peúgas que os mais velhos oferecem, impenitentes; para outros, arrumá-los. Para aquele seu conhecido, o pior do Natal é suportar os cunhados. O Natal, que perdeu o sentido religioso de antanho e se converteu na festa da família, ou na chatice da família, que diria o tal outro, para ele foi sempre época de melancolia, desde miúdo. E de saudade. Apetecia-lhe sempre estar com quem não podia e tinha saudades do impossível. Hoje lembra-se sempre de tipos e de coisas perdidos na noite dos seus dias, como aqueloutro desconhecido, de umas duas vezes a idade dele da altura, que se perfilava no meio da rua deserta cada anoitecer. Era uma álea de plátanos, lisa e direita, mal iluminada, algumas folhas outonais ainda no chão húmido de chuva recente teimando em não sucumbir ao inverno, ninguém por perto, o silêncio apenas quebrado pelo rumor da cidade que então parecia longínquo. (...)

Texto integral [aqui]

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Passatempo «Os circunflexos e os perplexos»

O PASSATEMPO que hoje aqui se propõe terá uma primeira fase sob a forma de passatempo-relâmpago e outra que decorrerá durante 2 ou 3 dias. Para já, há dois prémios reservados, que se podem ver [aqui]:
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1ª fase: «A quem se devem as palavras que acima se transcrevem?» (As respostas só serão possíveis a partir de um momento-surpresa). Actualização (12h26m): a resposta certa já foi dada, como se pode confirmar no link atrás indicado.
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2ª fase: Serão premiados os melhores comentários que sejam feitos a este assunto até às 20h do dia 26 (pelo menos). Cada leitor poderá concorrer quantas vezes quiser. De vez em quando serão afixadas pequenas 'dicas' para animar a discussão.

Actualização: o passatempo prolonga-se até às 20h de 28 Dez 09. Quem não tiver G-Mail pode enviar os seus comentários para sorumbatico@iol.pt

Actualização (20h34m): o júri decidiu atribuir o 1.º prémio a 'Mg' e o 2.º a Carlos Antunes'. Dado que os prémios são os livros indicados no link, 'Mg' poderá escolher o que quer, (tem 24h para o fazer), ficando o outro para C. A.

Crianças com quem brinquei

Por C. Barroco Esperança

RECORDO, SEIS DÉCADAS depois, os garotos que me acompanharam na escola primária, crianças que a vida flagelou, filhos de mães que pariam todos os anos e de pais que se emborrachavam todos os dias.

Vinham de Cairrão, do Carapito e da quinta do Ordonho, descalços e com uma côdea de pão duro. Aprendiam a ler e a escrever, decoravam os rios e as serras de Portugal, as descobertas, batalhas e outras glórias do país que lhes negava uma sopa quente e um copo de leite. Passavam o dia numa escola onde chovia, com o soalho apodrecido pela humidade e o tecto a ameaçar ruir. O vento, a chuva e a neve entravam pelos buracos das janelas onde faltavam vidros cuja substituição não cabia no orçamento da Câmara da Guarda.

A Primavera e o Outono aliviavam os corpos da dureza do clima. A chuva não fazia grande mossa, era pouca a roupa e o corpo conhecia dias piores. (...)
Texto integral [aqui]

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Luz - Argélia

Fotografias de António Barreto- APPh
Numa rua de Argel (1972)
(Clicar na imagem, para a ampliar)

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23.12.09

A guerra assimétrica

Por Joaquim Letria

TALIBÃ QUER DIZER ESTUDANTE. Neste caso, estudante do ensino islâmico, tal como é ensinado e memorizado nas madraças. A motivação dos talibãs é, portanto, religiosa. Acreditam na força da sua fé para acabarem com os seus inimigos. O seu universo não cabe nas mentes nem nos corações. Aspiram a conquistar também as almas. Se tiver de ser pelo medo, pois que seja.

No Afeganistão há muitas falhas geológicas, tribais e espirituais. Ali há miséria, corrupção, falta de escolas, inexistência de estruturas de Estado, tribos, clãs, etnias, ópio, senhores da guerra e criminosos comuns. É aqui se trava uma guerra assimétrica sob todos os aspectos, quer pelos meios e tácticas militares, quer pela fé e pela razão. Lamentavelmente, ninguém quer ver a realidade e acabamos por ficar com W. Bush a falar do bem e do mal.

Sem dinheiro para mandar cantar um cego, também nós vamos mandar mais homens para o Afeganistão para agradar a Obama. Este, por sua vez, manda mais 40 mil homens para esta guerra, ou não fosse ele prémio Nobel da paz. Segundo todos os indícios, trata-se de forçar uma negociação que permita uma retirada menos desonrosa, como se pactuar com o diabo não fosse um péssimo resultado.
«24 horas» de 23 de Dezembro de 2009

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Ainda o problema das badaladas do relógio

FOI AFIXADO hoje, às 14h31m, um comentário que pretende compilar as respostas dadas ao problema proposto por Nuno Crato na sua última crónica «Passeio Aleatório».

Passatempo-relâmpago de 23 Dez 09

in O Regresso do Menino Nicolau
de Goscinny e Sempé

JÁ SE SABE que um cartoon não pretende representar fielmente a realidade, e pode até afastar-se dela mais do que uma caricatura. Este, no entanto, contém um erro que talvez pudesse ter sido evitado. Qual é?
Dado que a questão é simples, as respostas só serão possíveis a partir de um momento-surpresa. O prémio, a atribuir a quem primeiro der a resposta certa, talvez possa ser um exemplar de As Brincadeiras do Menino Nicolau (a confirmar). Caso contrário, será um livro de igual valor.

Actualização: a resposta certa (pelo menos a que se pretendia...) foi dada à 15h02.

Crispado

Por João Paulo Guerra

O Natal português de 2009 tem uma receita deveras original: Natal crispado à portuguesa.

TOMEM UM CHEFE DE ESTADO e um chefe de Governo com maioria relativa, a um ano de eleições presidenciais. Misturem-se os interesses pessoais e partidários de cada um e intrigas quanto baste para apimentar a receita. Agite-se um tema fracturante, com o qual o Governo entenda ser possível estilhaçar as coligações negativas no Parlamento. Esprema-se a cooperação estratégica a ver se ainda dá algum sumo. Não dá.

Mande-se tudo para os jornais por interpostas pessoas: assessores offline ou em gozo de folga, opinion makers com opiniões pré-fabricadas e monitorizadas, credenciadas agências de recados, algumas palavrinhas às pessoas certas, umas quantas sugestões explícitas e outra tantas ameaças veladas. Deixar levedar até às edições dos jornais da manhã do dia seguinte e esperar por reacções nas rádios, televisões, jornais online, blogues e no boca-a-boca. (...)

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Pergunta de algibeira

AINDA no seguimento do tema solstício de Inverno, aqui fica o desafio de explicar uma estranha frase que se pode ler neste livro:
«Fomos para Madagáscar, 10 de Dezembro de 1691 (sendo nesta latitude o dia mais longo do ano)».

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22.12.09

Essa estranha mania de comemorar os solstícios

Por Nuno Crato

Vista aérea de Newgrange
APROXIMA-SE O SOLSTÍCIO DE INVERNO, evento comemorado há muito por todas as civilizações. É o dia mais curto do ano, diz-se, o que torna ainda mais estranha a comemoração. Será que a humanidade detesta tanto assim o calor e a luz? Mais misterioso ainda: como sabiam os antigos, que não possuíam relógios, detectar com precisão os solstícios?

Na realidade, ainda antes de inventarem a escrita e dividirem os anos em meses e semanas, os homens assinalavam os solstícios e equinócios. Sabemo-lo pelos restos de cultos megalíticos, que nos mostram menires e outros marcos, dispostos de forma a assinalar os alinhamentos do Sol em alturas distintas do ano, nomeadamente nos solstícios e equinócios. O marco celestial mais antigo que se conhece, a anta de Newgrange, na Irlanda, que se estima ter sido construída há mais de cinco mil e trezentos anos, tem a sua entrada alinhada com o nascer do Sol no solstício de Inverno. (...)

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Guerrilhas

Por João Paulo Guerra

Sou jornalista há 16 primeiros-ministros e bastante mais de 20 governos e não consigo recordar-me de um ambiente político tão degradado e rasteiro como o que se vive por estes dias.

JÁ VI PRATICAMENTE
de tudo. Um ex-presidente do Conselho a dar entrevistas convencido que continuava a chefiar o Governo, um primeiro-ministro em greve, gabinetes que caíram por uma parte do próprio Governo lhes tirar o tapete, primeiros-ministros e governos inteiros que fugiram. Mas nunca tinha visto Presidência da República e Governo a trocaram recados, queixas e reprimendas pelos jornais, acusando-se reciprocamente de intriguistas. Tanto mais que este clima de degradada crispação não é de agora. No Verão passado, Presidência e Governo envolveram-se em azedas trocas de acusações de espionagem.

Para além do baixíssimo nível da discussão, há a registar que esta novela de cordel que se arrasta nos jornais constitui verdadeira "Guerra do Alecrim e Manjerona" (...)

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Votos de um ecológico ano novo para Lisboa

Por Manuel João Ramos:

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O futuro de Obama

Por Joaquim Letria

OBAMA JOGA O SEU FUTURO no plano de saúde e no Afeganistão. Num caso e noutro não está a ganhar. Para alargar a asneira, começou já por garantir ao Paquistão um aumento de 5 mil milhões de dólares na ajuda financeira.

O Afeganistão não se entende a ler manuais duma realidade da dimensão da França, atravessada por seis cordilheiras, desde o Hindu Kush, junto à China, até à fronteira do Irão.

Há mais de 20 séculos que o Afeganistão é um território de passagem, enlace da Rota da Seda, entre a China e o Bósforo e, ao mesmo tempo, corredor do Índico, por onde escorrem ópio, especiarias e pólvora, cruzando Bombaim e Viena, com a Pérsia a abrir e a fechar a passagem, daí o medo do poderio que pode substituir as suas fortificações, entre o Mar Cáspio e o golfo Pérsico.

Podem olhar para o mapa e verem tudo isto. Mas entenderão a mescla de raças, a ausência de Estado, a força dos clãs, a importância dos senhores da Guerra, a vitalidade da papoila, o valor da heroína, a instabilidade permanente das alianças, as inimizades das diferentes tribos? Querem cidades afegãs para servirem de exemplo. Mas conquistar afegãos e paquistaneses não é fácil. E vencê-los militarmente ainda é mais difícil. Perguntem aos russos…

«24 horas» de 22 de Dezembro de 2009

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A propósito do problema proposto no final da crónica anterior...

(De Humor Antigo - Ano de 1927)

Partidas do Pai Natal - (com um alerta aos matematicofobos)

Por Nuno Crato

NÃO E SÓ NO CARNAVAL que se pregam partidas. Nesta época festiva, o Pai Natal anda pelas lojas a inventar promoções especiais. No outro dia encontrei-o junto às prateleiras do supermercado, mesmo ao pé dos pacotes de sumo de laranja. Estava a rir-se às bandeiras despregadas. “Imagina tu”, disse-me ele, “que acabei de fazer um acordo com o gerente que me vai permitir comprar um número ilimitado de presentes para a criançada.”

Explicou-se. O gerente tinha uma promoção de sumo de laranja com 20% de desconto. Cada litro, que originalmente custava um euro, ficava a 80 cêntimos. O Pai Natal propôs-lhe uma coisa diferente. Ele venderia pacotes com 1,2 litros pelo preço de um litro. Por cada litro oferecia 20% de sumo adicional. (...)
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21.12.09

Passatempo-relâmpago de Natal

A PERGUNTA que desta vez pode valer um prémio é: de que página (de uma publicação com 370) foi respigada esta velha anedota?
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Cada leitor poderá dar uma única resposta, terminando o passatempo às 20h de terça-feira, dia 22. Para já, estão disponíveis Um Cântico de Natal (de Charles Dickens) e Contos de Natal do Inspector (de Artur Varatojo), a atribuir aos dois leitores que mais se aproximem da resposta certa. No entanto, atendendo à actual quadra (e também ao facto de terem chegado mais livros), é bem possível que haja outros prémios, além desses dois. Isso só dependerá do número de participantes.
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Actualização (20h05m): a resposta certa pode ser vista [aqui]

Comunicação Institucional

Por Joaquim Letria

NOS IDOS DOS ANOS 80 fiz, até hoje, bons amigos em Castela. Foi o meu amigo Eduardo Sotillos, então secretário de Estado e porta-voz do Governo, quem me apresentou a Sabino, o chefe do “staff” real, infelizmente desaparecido do nosso convívio, não há ainda muito tempo. Seria ele a guiar-me os passos mais importantes que as minhas funções me exigiram na capital de Espanha.

Conheceria, depois, Juan Cebrian Tello,que razões familiares afastariam da Zarzuela onde foi Chefe das Relações com os Meios de Comunicação da Casa do Rei. E chegou agora a vez de Ramon Iribarren ocupar esse importante e respeitado lugar.

Iribarren, jornalista de 61 anos, licenciado em Ciências Políticas, director-geral das Relações Informativas do Ministério do Porta-Voz do Governo, conselheiro de Imprensa em duas importantes embaixadas e membro do Gabinete do Director do Centro Nacional de Inteligência(CNI), estava agora ligado à Armada.

Por aqui se vê o valor que em Espanha se atribui à informação institucional. Como é para falar verdade, nem a Zarzuela nem a Moncloa se apoiam em chusmas de assessorzecos como as que por cá tão mal deixam ficar essa relevante tarefa.

«24 horas» de 21 de Dezembro de 2009

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Humor Antigo - Ano de 1927

Mudar o clima

Por João Duque

QUERO MUDAR DE CLIMA, de mood. Estou cansado de falar em obra pública e na capacidade que muitos destes projectos têm em destruir valor às futuras gerações de portugueses.

Quero mudar de clima e acreditar que a educação e a inovação vão salvar Portugal. Não tendo matérias-primas, mas com uma excelente localização para podermos ser porto de entrada e saída de produtos por via marítima, ou aérea, vou acreditar que temos ainda uma hipótese de podermos liderar o desenvolvimento de produtos inovadores que possam dar ânimo e alento aos jovens portugueses que como eu querem mudar de clima.

Quero mudar de clima. Tentar ser mais rigoroso e optimista na esperança de que os decisores do meu país vão decidir sobre os bens públicos com a mesma consciência e zelo que teriam ao decidir sobre os seus próprios bens. (...)

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O último degelo

Por A. M. Galopim de Carvalho

NO MOMENTO PRESENTE, marcado pela conferência de Copenhaga, em que muito se fala de mudanças climáticas e da inegável responsabilidade da sociedade de consumo numa parte deste processo, quanto a mim, demasiadamente politizado, vale a pena reflectir sobre o que tem sido, nos derradeiros milhares de anos, o sobe e desce da temperatura do planeta, à escala global, e o consequente sobe e desce do nível geral da superfície do mar.
Nos últimos dois milhões de anos da história da Terra foram registadas seis grandes glaciações intercaladas por cinco períodos de aquecimento global, ditos interglaciários, no pico dos quais os níveis do mar subiram muito acima do nível actual. A mais recente destas seis glaciações, ocorrida entre há 80 000 e 10 000 anos, conhecida por Würm, na Europa, e por Wisconsin, na América do Norte, não será certamente a última, e nós estamos a viver o período interglaciário entre esta e a próxima, a acontecer, muito provavelmente, daqui a uns bons milhares de anos. (...)

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20.12.09

Os anões, o ministro e a burka

Por Ferreira Fernandes

O GOVERNO FRANCÊS quer proibir as vestes islâmicas integrais nos locais públicos. A burka que envolve o corpo das mulheres da cabeça aos pés, com uma ligeira abertura nos olhos.
O ministro Eric Besson, da Imigração, anda a convencer os deputados. Discutiu questões conceptuais, laicismo, igualdade das mulheres... Questões capazes de entreter juristas como a discussão do sexo dos anjos ocupou os sábios bizantinos.
Mas os deputados, mesmo os formados em Direito, já têm o curso tirado quando andam à caça dos votos e falam com o homem do talho, e gostam de argumentos concretos. Besson deu-lhes um: "Olhem, isto é como o lançamento dos anões." Surpresa. O ministro explicou: as correntes islâmicas que defendem a burka argumentam que as mulheres exercem a sua liberdade em querer andar assim, certo? Pois era exactamente o argumento dos patrões das discotecas onde anões ganhavam a vida deixando-se ser lançados contra redes: perguntem aos anões, eles gostam! Porém, em 1995, o Conselho de Estado francês proibiu o lançamento de anões por ser contra a dignidade humana.
As mulheres islâmicas são menos que os anões? Como a pergunta do ministro não foi feita a certos xeiques, mas a deputados de uma democracia em 2009, talvez a burka seja banida de Paris.

«DN» de 19 Dez 09

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Humor Antigo - Ano de 1927

As reformas difíceis

Por António Barreto

EM PORTUGAL e no mundo ocidental, há duas décadas, a palavra reforma transformou-se no santo-e-senha da política contemporânea. Para os governos, que as querem fazer ou fizeram; para as oposições, que denunciam os governos por as não fazer; para a sociedade civil que ora as deseja com entusiasmo, ora as receia e contraria com veemência; para as instituições internacionais, mais ou menos tecnocráticas, que as consideram sempre essenciais.

As reformas de que se fala, em todos os domínios da vida colectiva e pública, são as mais vastas e profundas que se possam imaginar: direitos dos cidadãos, educação, saúde, trabalho, segurança social, transportes, comunicações, regulação das actividades económicas, tudo necessitava de reformas a fim de permitir a mudança e o desenvolvimento. Parecia que um novo mundo se anunciava, com a globalização, a abertura das sociedades, a liberalização da economia e um novo conceito de liberdade e de direitos humanos. Boas ou más, com ou sem ideologia aparente, vivemos duas décadas de pressão para fazer reformas. (...)

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FOI ACTUALIZADO o blogue «Arroz Doce», de Joaquim Letria, com a crónica «Faca na Liga» desta semana.

19.12.09

Hoje, na SIC-N (22h), mais uma edição de Plano Inclinado. As 6 anteriores podem ser vistas [aqui].

O Salvador da Pátria

Por Alice Vieira

O SR. LUÍS CONCEIÇÃO guia o carro n.º 25 de uma cooperativa de táxis de Oeiras.
Apanhou-me naquele descampado que é, à noite, a TVI, e quis logo saber se eu era figurante.
Eu estava estafada, e não dei grande troco.
Mas nem vale a pena falar, porque o Sr. Luis Conceição só quer que o oiçam, e a tudo responde:

- Só conto ao Sócrates.

O Sr. Luis Conceição, que diz já ter feito de tudo na vida, desde pertencer à Marinha Mercante que, segundo afirma, lhe está a dever milhares de contos, até andar pelas Américas, tem um plano infalível para pôr Portugal no primeiro lugar entre todos os países do mundo, no que toca a bem-estar, emprego, saúde, cultura, tudo. (...)

Texto integral [aqui]

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Passatempo-relâmpago de 19 Dez 09

A IMAGEM da esquerda foi tirada da capa do policial O Camelo Preto, que aqui se mostrou recentemente. Será que o senhor da direita é o mesmo? Ou será outra personagem? E, no segundo caso... quem é ele?
As respostas só serão possíveis a partir de um momento-surpresa. O prémio (a atribuir a quem primeiro der a resposta certa) será um exemplar do livro de onde foi recortada a segunda imagem.

Actualização (17h13m): a resposta certa já foi dada, como se pode confirmar [aqui].

Cismo sobre o sismo

Por Antunes Ferreira

POR MAIS INCRÍVEL que pareça, não me dei conta do sismo. E estava acordado. Sem tirar nem pôr. Quando a minha mulher me chamou, agitadíssima, da nossa sala de estar, face ao tom que ela usava, larguei o que estava a fazer, ou seja, a arrumar umas coisas para a nossa viagem a Goa, e cheguei ao pé dela, ainda os copos e demais quinquilharia que ali temos tremelicavam, campainhando.

Não percebi o que se passava. E adiantei que teria sido mais uma façanha dos vizinhos de cima. Não fora; fora um terramoto. Como a Raquel não bebera sequer um copito de vinho ao jantar, nem tinha aspecto de quem delirasse, sosseguei-a dentro do possível. Ela estava, naturalmente, muitíssimo assustada. «Pareceu-me que aquela parede dançava e ia cair em cima de mim. E tu, sem teres sentido nada!...» (...)
Texto integral [aqui]

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Foi actualizado o arquivo Humor Antigo - Ano de 1927

18.12.09

Tio Magalhães comprou uma quinta…

Por Joaquim Letria

PARECE QUE O CASO é sério. Fala-se de incumprimento da lei, falta de mínima transparência na gestão da Fundação para as Comunicações Móveis (FCM), vultuosas transferências financeiras imprevistas e injustificadas, lucros transformados em défices, despesas mal explicadas, contas por esclarecer. Tudo isto a embrulhar a operação do minicomputador Magalhães e a famosa empresa da computação J.P. Sá Couto, cujo favorecimento ainda está por esclarecer. Mas há muita gente, por enquanto, a rir-se e a cantar que “Tio Magalhães comprou uma quinta”. Vamos ver por quanto tempo mais…

Sem sair da FCM, um escritório de vão de escada nas Avenidas Novas para receber e distribuir milhões, os inquiridores poderão, se quiserem, averiguar a aplicação pedagógica nas escolas públicas dos Magalhães. É bem possível que uma comissão parlamentar de inquérito, séria, concentrada e aplicada demonstre, aos preocupados cidadãos deste país, que para além da falta de transparência e seriedade de todo este caso, e em cima de todos os esquemas das martingalas típicas deste PS, o caso da FCM é, todo ele, mais uma pouca vergonha de negligência e de desperdício.

«24 horas» de 18 de Dezembro de 2009

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Passatempo-relâmpago de 18 Dez 09

NO SEGUIMENTO da crónica anterior, aqui fica o passatempo-relâmpago de hoje. Trata-se de tentar adivinhar quanto indica a balança. Adianta-se que é um valor entre 1000 e 2000 g.
O passatempo termina às 20h de hoje, sendo o prémio (a atribuir a quem mais se aproximar da resposta certa) um exemplar de Peregrinação (2 vol. ed. Público), A Ilha do Tesouro (ed. Visão) ou Curso de História da Náutica (ed. Alfa), à escolha do vencedor. Cada leitor poderá dar uma única resposta.

NOTA: um dos livros que se colocou na balança foi A Taça de Ouro, de John Steinbeck, que narra as aventuras de Henry Morgan, flibusteiro referido por Ferreira Fernandes. A coroa de glória desse 'artista' foi nada menos do que a conquista e saque da cidade do Panamá!
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Actualização (20h04m): dado que a resposta certa era 1300g (como se pode ver aqui), o vencedor é João Rodrigues, com um erro de 180g.

Piratas com direito a reforma

Por Ferreira Fernandes

CADA ÉPOCA deveria dar o seu contributo para que Hollywood possa continuar a fazer-nos sonhar. Como pensam que se inventou a pala preta, a mão de gancho e a perna de pau dos piratas? Bebeu-se na realidade do corsário Sir Francis Drake, do Barba Negra, do pirata John Rackham, do bucaneiro Henry Morgan.
O destino de um pirata nunca foi a reforma tranquila, contando aos netos aquela vez em que o galeão do conde da Ericeira foi abalroado no porto de Saint-Denis. Quando, em 1566, a cidade do Funchal foi assaltada pelo flibusteiro Monluc, o piloto deste era português. Apanhado, foi enforcado em Lisboa.
Aos piratas tirava-se-lhes um olho, decepava-se uma mão, cortava-se uma perna. Daí o folclore, cujo único atavio indolor era o papagaio ao ombro. Ganhou o cinema.
Infelizmente, os dias de hoje já não alimentam essas tradições. No começo de Dezembro, uma fragata holandesa aprisionou 13 piratas somalis no oceano Índico. Libertou-os ontem - nenhum país aceitou julgá-los. Como poderá Hollywood sobreviver a esta sensaboria? Felizmente, ainda há o adolescente que tirou da Net o último disco dos Black Eyed Peas. O seu julgamento - do único pirata dos tempos modernos a ser julgado - será a emoção a que temos direito.
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«DN» de 18 Dez 09

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Onde arquivar?

Lisboa, esquina da R. José Carlos Santos com a Av. República
NO MEU arquivo de fotografias, tenho uma pasta intitulada «promessas», onde guardo inúmeras imagens que documentam o "antes" e o "depois" de promessas de António Costa, - devidamente separadas em sub-pastas, conforme os assuntos.
Esta, que tem poucos dias, não sei se a meta em "pintar passadeiras" ou em "tirar carros dos passeios"...
Se calhar (e na dúvida), até a apago, pois não tem nada de novo em relação a muitas outras tiradas no mesmo local em datas anteriores - quer recentes, quer remotas.

O Natal na empresa

Por João Duque
Dois jovens universitários encontraram-se nos bancos da faculdade em Outubro de um ano qualquer.

MIGUEL, ALTO E BELO, dava brilho e vida em tudo o que tocava. António ficava sempre na sombra. Trabalhava muito mais, mas não tinha nem o rasgo nem o brilhantismo do colega.
Nos exames Miguel obtinha sempre notas elevadas, concluindo sempre mais depressa e melhor, os exercícios ou os trabalhos. António só alcançava notas modestas. E mesmo com livros ou materiais iguais aos do Miguel, nunca seria capaz de tanta "categoria" da qual se gabava o Miguel.

Miguel tinha sucesso, tinha dinheiro, tinha namoradas bonitas e era bom aluno. Não tinha muito tempo para olhar em redor, mas isso também não era para ele importante. (...)

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[aqui]

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17.12.09

A quem se devem tão sábias palavras?

Catálogo de “filhas de putice”

Por Joaquim Letria

“FILHAS DE PUTICE” do guterrismo e socratismo estão a ser reunidas em relatório para serem apresentadas em instâncias europeias enquanto a Justiça portuguesa parece estar a julgar os casos que já recorreram aos tribunais portugueses.

Há funcionários públicos a receberem metade do vencimento, outros retirados das suas funções em situação de mobilidade especial, pessoas enviadas para casa, recebendo gradualmente parcelas cada vez mais pequenas do vencimento. Alguns funcionários recebem menos dum terço do seu vencimento, descontando o mesmo valor para a Segurança Social para, na reforma, poderem habilitar-se a pensões por inteiro.

Por trás destas situações estão simpatias políticas, discriminações, colocações a quilómetros de casa, acções de formação inúteis, favorecidos conhecidos mesmo antes de falsos concursos, perseguições psicológicas e favorecimentos partidários.

Estas e outras sevícias fazem parte dum repertório iniciado no tempo de Guterres e aprofundado, com requintes de malvadez, no tempo de Sócrates, alguns destes casos por ordens e instruções superiores. As instâncias comunitárias e a Organização Internacional do Trabalho estão ao corrente das situações.

«24 horas» de 17 de Dezembro de 2009

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Ainda os sismos

QUANDO SE FALA de tremores-de-terra, vem sempre à baila uma série de questões relacionadas com a prevenção e as consequências. Infelizmente, para além dos especialistas pouco se fala do perigo que constituem os aparelhos de ar-condicionado que, aquando de um sismo grande, caem nas ruas, podendo ter o efeito que se imagina.
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A foto mostra o n.º 58 da Av. Manuel da Maia, em Lisboa (onde funciona o I.G.F. da Segurança Social), ornamentado, só nesta fachada, com mais de 40 desses aparelhos.
Já agora: o que é que tornou famoso o senhor que deu o nome a essa artéria?

Passatempo-relâmpago de 17 Dez 09

NESTAS duas obras, os seus autores - que foram contemporâneos - dão destaque a um mesmo acontecimento que, decerto, veio hoje à cabeça de muita gente. De que é que estamos a falar?
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As respostas só serão possíveis a partir de um momento-surpresa, sendo o prémio (a atribuir a quem primeiro der a resposta certa) um exemplar de um dos livros cujas capas se podem ver [aqui] - à escolha do vencedor.

Actualização (16h09m): o passatempo já terminou. JPN tem agora 24h para indicar qual o livro que prefere.

Red Bull corta as nossas asas

Por Ferreira Fernandes

LISBOA NÃO É Lisboa SAD nem Lisboa SA, nem clube, nem empresa, é a capital portuguesa. Tal como o Porto não é SAD nem SA, é cidade portuguesa. Uma não seria o que é sem a outra. Durante séculos fizeram-se assim, uma para a outra. Foi no Porto que os cruzados do Norte da Europa foram convencidos a parar em Lisboa e fazê-la parte do Portugal que se fazia. Foi Lisboa que se levantou com o Mestre de Avis e livrou o Porto de ser castelhano. Foram uma e outra, pelos séculos, por Portugal.
Camilo nasceu no Bairro Alto e foi buscar a mulher da sua vida à Baixa do Porto; entre os dois acontecimentos, aprendeu na aldeia de Vilarinho de Samardã o português que lhe permitiu fazer lembrar a Lisboa e ao Porto que o resto de Portugal não é paisagem.
Eu, que sou de fora, de outros lugares que este Portugal permitiu, olho as duas cidades, vejo-as tão diferentes e não consigo vê-las afastadas. Sorrio às picardias bairristas, conheço-lhes as vantagens e fraquezas e amo ambas. Gosto que compitam porque, afinal, beneficio eu. Mas compitam, desculpem-me a inocência das palavras, como irmãs de destino comum. Que uma bebida manhosa leve uma, Lisboa, a roubar a outra, Porto, é indigno de tanto passado. E, basta ver o que acontece no país aqui ao lado, enfraquece o futuro
«DN» de 17 Dez 09

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Luz - Argel

Fotografias de António Barreto- APPh

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Rapaz e rapariga numa rua de Argel. (1972)

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A agressão a Berlusconi

Por C. Barroco Esperança

A CONDENAÇÃO de um acto bárbaro, gratuito e intolerável não admite evasivas. Repudiar a grotesca agressão de que foi vítima o primeiro-ministro italiano é um dever perante os silêncios sonsos e o gozo obsceno de muitos. A luta política não consente arruaças e pancadaria como métodos que se substituam ao debate de ideias.

As tensões sociais e a espessura da crise não podem ser agravadas com a displicência com que alguns encaram estes actos marginais, felizes por terem atingido quem já deu sobejas provas de não merecer o lugar que ocupa e de envergonhar as instituições do seu país. (...)

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