31.10.08

O casamento

- O que se passa é que vocês são todas umas galdérias!
A senhora, emplumada por uma estola de raposa prateada, abriu a boca esborratada de batôn pela comezaina, fez com ela um círculo perfeito, esbugalhou os olhos e disse:
- Oh!
O silêncio ampliou três vezes o redondo daquele «oh!».
Mas ninguém disse mais nada, e foi no meio de estarrecido silêncio que, pálido e muito digno, de fraque e segurando luvas amarelas de pele de porco, o noivo abalou porta fora.
Atrás deixou apenas destroços: a noiva, de branco até aos pés mas sem grinalda, soluçava. O pai da noiva desapertava os colchetes do vestido da desmaiada esposa, que amparava. As convidadas agarravam as tresmalhadas crias, lustrosas de veludos e meias de renda e sapatinhos de polimento. Os homens erguiam os ombros em ignorante interrogação, apertando os lábios em sinal de estupefacção.
(...)
Texto integral [aqui]; esta e as Histórias anteriores estão também no blogue do autor, Histórias de Chorar por Mais

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Os ratos a comer o queijo

Por Alfredo Barroso
HÁ POUCOS DIAS, no acto público de lançamento de um livro sobre «A corrupção e os portugueses» (da autoria de dois professores do ISCTE, Luís de Sousa e João Triães) a procuradora-geral adjunta Maria José Morgado (autora do prefácio) afirmou que não existe uma estratégia de combate à corrupção em Portugal e defendeu a criação de um sistema integrado de prevenção deste fenómeno, designadamente a constituição de uma base de dados única, sem o que não será possível tornar mais eficaz o combate à corrupção, de modo a permitir «apanhar o rato enquanto come o queijo».
A metáfora não podia ser mais oportuna, tendo em vista o surpreendente «lapso» que terá sido cometido por alguém, ainda não identificado, que decidiu introduzir na proposta de Orçamento de Estado para 2009 uma alteração à lei de financiamento dos partidos, que tornaria outra vez possível os donativos privados em dinheiro vivo, e não apenas, como agora sucede, através de cheques ou transferências bancárias.
A marosca foi detectada pelo Diário Económico, mas o certo é que, até agora, ainda não foi possível identificar o rato que queria comer o queijo. Para grande espanto do estimável público, nem o primeiro-ministro nem o ministro das Finanças, principais responsáveis pela proposta de OE, conseguiram descobrir quem foi o ‘safardana’ que, segundo eles, cometeu este mero ‘lapso’ comendo-lhes ‘as papas na cabeça’.
Curiosamente, também há poucos dias, o presidente da Entidade das Contas e Financiamentos Políticos, Miguel Fernandes, admitiu publicamente que este organismo não tem capacidade para controlar a corrupção associada aos donativos, acrescentando que só a alteração da legislação em vigor permitiria uma fiscalização eficaz das contas dos partidos. Queixume que caiu no ‘saco roto’ do inevitável dr. Vitalino Canas, porta-voz do PS, que mandou Miguel Fernandes ‘bugiar’, reclamando dele «maior eficácia, menos queixas e mais trabalho» – para gáudio dos ratos que comem o queijo.
Como isto anda tudo ligado, convém salientar que a directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, Cândida Almeida, também alertou, há poucos dias, para o regresso da corrupção «à moda de Al Capone», recordando as «prendas» que o famoso gangster de Chicago oferecia aos agentes da autoridade, e afirmando que «faltou coragem», na recente reforma penal, para combater a corrupção. Em suma: podem os ratos estar descansados que ninguém vai apanhá-los a comer o queijo.
NOTA: Esta e outras crónicas do autor estão no seu blogue Traço Grosso.

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Arquivo Humor Antigo, Ano de 1928

Marx na moda

Por Joaquim Letria
SE, POR UM LADO, os neo-conservadores e os neo-liberais parecem estar a viver em parte incerta, por outro lado os jovens universitários descobriram novas razões e sentem curiosidade depois de receberem impulsos para saberem o que era isso do comunismo e do socialismo que foi destruído antes de também se dar cabo do capitalismo.
Na Alemanha, as vendas do primeiro volume de “O Capital” triplicaram e prevê-se que continuem a aumentar. Também em Londres, onde Karl Marx está sepultado, os meios editoriais dizem que Marx, Engels e Lenine, e os seus trabalhos, “estão na moda”.
O ministro das Finanças alemão reconheceu à revista “Der Spiegel” que a teoria de Marx tinha coisas certas e admite que perante a falta de cumprimento do capitalismo há uma nova geração que mostra grande curiosidade pelas teorias socialistas de 1867.
«24 Horas» de 31 de Outubro de 2008

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Passatempo-relâmpago (com prémio)

TALVEZ ALGUNS SE RECORDEM de que o 31 de Outubro do ano passado foi uma das inúmeras datas-limite que Mário Lino indicou para a introdução de portagens em três SCUT na Costa de Prata. O assunto foi aqui muito discutido (*), mas houve uma questão para a qual nunca ninguém deu uma resposta satisfatória:
Como é que funcionará um sistema que, como ele garante, será 100% electrónico?
Para animar um pouco a discussão, eu apostei um almoço de lagosta em como isso não ia suceder até essa altura - mas ninguém aceitou o desafio. De adiamento em adiamento, Mário Lino lá foi dando sucessivas datas - que eu sempre acompanhei no que tocava à aposta... -, mas de todas as vezes sucedeu exactamente o mesmo: nem portagens... nem lagosta!
Entretanto, como encontrei um livro de Altino do Tojal cujo título me fez lembrar o esforçado ministro, resolvi oferecê-lo ao primeiro leitor que, nas condições habituais (**), o souber identificar.
(**) Uma resposta por leitor; comentários só possíveis a partir de um momento-surpresa.
Actualização: os comentários foram desbloqueados às 15h09m e a resposta certa dada às 15h30m. Ver a capa completa [aqui].

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30.10.08

O mundo compõe-se

Por Joaquim Letria
NÃO SEI SE O MUNDO continua sob a ameaça da Al Qaeda e de outros jiadistas terroristas, que podem dispor do antraz, do sarin, de outras armas biológicas e químicas, incluindo armas nucleares portáteis e serem más pessoas, preparadas na Somália, no Iémen, em Aden, no Paquistão, no Irão, no Afeganistão, na Tchechénia, na Ossetia do Sul ou na Abkasia. O que sei, é que neste mundo que nós, grandes e evoluídas potências ocidentais, judaico-cristãs, não paramos de roubar e reduzir a cacos, não se fala quase em terror. A não ser no das bolsas…
Dei por isso no outro dia quando me deixaram embarcar com 100 ml de água-de-Colónia e de cada vez que nos chamados meios cultos e políticos ouço os nossos estimados intelectuais e prezados agentes de segurança à brocha com as poupanças, os empréstimos, os resgates de investimentos, a criminalidade.
Têm mais medo do “car-jacking” do que dos islâmicos. O mundo está a compor-se…
«24 Horas» de 30 de Outubro de 2008

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Arquivo Humor Antigo, Ano de 1928

Magos da Matemática

Por Alfredo Barroso
A ESPECTACULAR E FULGURANTE subida das notas positivas nos exames, sobretudo de Matemática, tanto no ensino básico como no secundário, é comparável a um fenómeno do Entroncamento, só possível em Portugal.
Em 2008, nada menos do que 1.052 escolas básicas conseguiram aquilo que, em 2007, só 222 tinham conseguido. De 83 por cento de ‘chumbos’ em 2007 desceu-se para 26 por cento em 2008. Estamos perante um esforço titânico de aprendizagem ou um caso de pura magia estatístico-política?!
Estes resultados seriam motivo de grande regozijo, se não pesasse sobre eles a suspeita de ter havido uma acentuada diminuição do nível de exigência nos exames (não apenas de Matemática) para melhorar substancialmente as estatísticas em ano eleitoral. O nacional-porreirismo está em marcha!
Assim, o parecer do Conselho Nacional da Educação a sugerir que os ‘chumbos’ sejam abolidos nem precisa de ser adoptado pelo Ministério. Basta ‘servir’ exames por medida a todos os cábulas, transformando-os em magos da Matemática. Exulta a Ministra e regozijam-se os paizinhos. Perdem os meninos e perde o País.
É irresistível a comparação com aquilo que se passa no futebol português. Diz-se que a Liga Sagres está mais ‘competitiva’. Mas isso deve-se, infelizmente, à acentuada diminuição da qualidade das equipas chamadas ‘grandes’ e não, propriamente, ao facto de as equipas ‘pequenas’ e ‘médias’ terem subido de nível.
Matemática e futebol em Portugal, a mesma luta? Pelo menos é o que parece!
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NOTA: Esta e outras crónicas do autor estão no seu blogue Traço Grosso.

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Passatempo-relâmpago (com prémio)

OS RECENTES RESULTADOS da equipa de futebol do FCP são o pretexto para um passatempo cujo prémio será um exemplar deste interessante livro, a atribuir ao primeiro leitor que responder correctamente às seguintes perguntas:
: O tema principal do livro Morte no Estádio é: O assassinato a tiro de um futebolista do FCP (à saída de um bar)? O estrangulamento, com um fio de nylon, de um treinador do Boavista? O sequestro (e posterior afogamento) de um árbitro? O envenenamento de um guarda-redes do Leixões?
: Nos seus livros, Francisco José Viegas surpreende frequentemente o leitor ao dedicar várias páginas a: Cenas de perseguição automóvel? Receitas de culinária? Cenas de caça submarina? Pesquisas arqueológicas? Cenas de facadas?
: O livro Um Crime na Exposição, do mesmo autor, é acerca de crimes ocorridos na Exposição de Sevilha de 1992 ou na Expo-98?
NOTA: As condições são as habituais: uma resposta por leitor; comentários só possíveis a partir de um momento-surpresa. Actualização: os comentários foram desbloqueados às 14h13m, e as respostas certas foram dadas 4 e 5 minutos depois - v. comentários.

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Somália – Adultério e lapidação

Por C. Barroco Esperança
SEGUNDO INFORMAÇÃO da agência Reuters, os islamitas da Somália lapidaram uma mulher acusada de adultério. As testemunhas que assistiram à execução afirmaram tratar-se da primeira execução pública depois de vários anos.
A execução na praça pública foi presenciada por centenas de pessoas enquanto Maomé, algures no Paraíso, se rebolava de gozo e os guardas abriram fogo, quando um familiar corria para a vítima, e abateram um menino.
Por mais respeito que a fé possa merecer e por muito apreço que o multiculturalismo suscite, não pode haver na cultura europeia e na herança recebida do Iluminismo o menor respeito ou a mais leve consideração por tão boçal manifestação de barbárie.
Que teria sucedido à Europa se tivesse parado no tempo das Cruzadas a venerar Urbano II ou se, há um século e meio, Garibaldi não tivesse reduzido Pio IX à insignificância, à criação de dogmas e excomunhões?
A tradição é o argumento obsceno que a inteligência e o humanismo não podem aceitar. Na Índia, de vez em quando, ainda surge a família do defunto a empurrar a viúva para a pira funerária mas a justiça já consegue deter os trogloditas que ousam assar viva uma pobre mulher.
A Europa, pregando o respeito pelas tradições e violando a soberania dos países, como sucedeu no Iraque, perde a força moral para se opor ao fundamentalismo religioso que grassa no seu próprio espaço.
Há dias, o Director da BBC proibiu qualquer conteúdo irónico sobre muçulmanos e deu um exemplo intolerável de censura e cobardia.
O medo e a pusilanimidade são o húmus onde florescem a intolerância e a fé.
NOTA: Esta e outras crónicas do mesmo autor encontram-se no blogue Ponte Europa.

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Luz - XXIX

Fotografias de António Barreto - APPh

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Soldador e França Morte, Ílhavo. O senhor França Morte foi um grande armador de pesca. O seu filho, que também é, decidiu mandar construir um arrastão, muito moderno e de enorme capacidade, a que deu nome de seu pai. O barco, atracado ao cais da Gafanha da Nazaré, estava a receber os últimos retoques, na véspera do dia da sua primeira viagem para o mar alto! (2006).
NOTA: estas fotos, juntamente com crónicas diversas do mesmo autor, estão também no seu blogue Jacarandá

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29.10.08

Valores e interesses

Por Joaquim Letria
INTERESSANTE VER a aparente sinceridade de muita gente, em geral, e de políticos em particular, que nos querem convencer do nojo que sentem e do repúdio que advogam a certas proximidades, acordos e negócios entre nós, os nossos amigos e parceiros com que descaradamente nós e eles negociamos, sem que exista qualquer outra afinidade recíproca que não seja a da convergência dos interesses.
Ouvimos dizer isto agora, acerca da aproximação e abertura da Europa a Cuba, ficamos espantados com o que escutamos de reprovação às cumplicidades com Angola e, ultimamente, parece ser moda atacar as relações privilegiadas com a Venezuela e seu presidente, Hugo Chavez, alheados da importância da comunidade portuguesa naquele país da América Central e nas vantagens que as empresas e o Estado podem lá ir buscar num momento de crise como o que vivemos. A verdade é que hoje os nossos valores podem empurrar-nos numa direcção enquanto os nossos interesses nos atiram para outra.
«24 Horas» de 29 de Outubro de 2008

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Passatempo-relâmpago (com prémio)

ESTA ANEDOTA, respigada do arquivo Humor Antigo, é um bom pretexto para um passatempo-relâmpago relacionado com uma divertida história da autoria de Jorge Amado. Antes de mais, será preciso ir [aqui] e ler o que lá está. Depois, para ganhar o prémio (*), bastará ser o primeiro a responder correctamente a qualquer uma das três perguntas seguintes:
Qual o título da história? Qual o título do livro onde ela foi publicada? Qual o nome pelo qual era conhecida a personagem principal?
Como de outras vezes, as respostas só serão possíveis a partir de um determinado momento-surpresa, que ocorrerá durante a tarde de hoje. Cada leitor poderá concorrer uma única vez.
(*) O prémio será um exemplar (muito velhinho, mas foi o que se arranjou...) do livro em causa.
Actualização: o passatempo já terminou - ver comentários.

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A felicidade das doenças

Por Alice Vieira
OS AUTOCARROS são o ponto de encontro de todas as mulheres doentes de Lisboa.
Mesmo que anteriormente vendam saúde, chegam ali e zás!, ele é o reumático, ele é o fígado, ele são os rins, ele é o coração, ele são os nervos.
Não há como uma bela doença (sobretudo se acompanhada por uma série de análises “que nunca dão nada, mas eu é que me sinto”) para estabelecer uma onda de solidariedade entre quem vai sentada e quem vai de pé. Não sei porquê, mas os homens nunca entram nesta anedota. Olham para elas em silêncio, às vezes encolhem os ombros, mas não mais do que isso. Ali, doença é património feminino.
E os autocarros transformam-se numa espécie de sala de espera de um centro de saúde ambulante, onde o médico nunca chega e a consulta acaba por ser desmarcada, e cada uma desce na sua paragem — senão curada, pelo menos muito mais reconfortada.
(...)
Texto integral [aqui]

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28.10.08

Aprender com o passado

Por Joaquim Letria
AO CONTRÁRIO DO PACTO estabelecido em Espanha no período de transição para a democracia, o apuramento da verdade e o castigo dos crimes não foram incluídos na refundação democrática na Argentina, Uruguai e Chile.
O golpe militar no Uruguai (Junho de 1973), no Chile (11 de Setembro de 1973) e na Argentina (Março de 1976) não provocaram guerras civis e as respectivas ditaduras foram muito mais breves do que a espanhola – 12 anos no Uruguai, 7 na Argentina e 17 Chile, naturalmente que eternidades para quem as sofreu.
A Argentina foi o único destes países onde se julgaram alguns dos militares golpistas. No Chile, os militares amnistiaram-se a si próprios e no Uruguai um referendo democrático aprovou a amnistia.
Ao contrário do que se está a procurar fazer em Espanha, penso que estudar documentos, recolher testemunhos, analisá-los e divulgá-los é melhor do que condenar e castigar. Julgar o passado deve servir para aprender.
«24 Horas» de 28 de Outubro de 2008

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«Acontece...» - Passatempo com prémio

Por Carlos Pinto Coelho
Clicar na imagem, para a ampliar
Como se chama esta igreja?
Onde fica?
O que existe por detrás deste edifício?
Numa primeira fase, cada leitor poderá dar uma única resposta-tripla. Caso demorem a aparecer as respostas certas, serão fornecidas dicas, voltando o passatempo à estaca-zero. O prémio será um exemplar do livro cuja capa se vê [aqui].
NOTA: Esta fotografia, como todas as outras aqui afixadas em posts com o título genérico «ACONTECE...», é da autoria de CPC.
Actualização (29 Out 08 / 9h 10m): o passatempo terminou. Pede-se a Pedro Galego que, nas próximas 48h, escreva para sorumbatico@iol.pt

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Paraíso

Por João Paulo Guerra
Há quem chame ao Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina o Último Paraíso do litoral português.
O DRAMA É QUE A DESIGNAÇÃO mais adequada parece ser a de Paraíso Perdido. Não faltam notícias sobre projectos para fazer da região o que os assassinos da paisagem fizeram da costa sul do Algarve: um inferno de betão, alcantilado sobre falésias, superlotado, a morrer em função da erosão irremediável do litoral. Depois virão as consequências seguintes, entre as quais a escassez de água potável, como já aconteceu no Algarve e acontece nas costas de Espanha. Mas, entretanto, até lá chegarmos, alguns se encherão de dinheiro por conta da morte anunciada do litoral. E o que verdadeiramente interessa é o negócio, com a sua teia de compromissos, contrapartidas e comissões.
Ninguém parece ter aprendido nada com os erros cometidos na costa sul do Algarve. Os promotores imobiliários fazem o seu papel, procurando cada centímetro onde ganhar o máximo de dinheiro rapidamente e em força. Mas inaudito é o papel dos autarcas, defendendo por regra os interesses da ganância imediata contra os do futuro do país e das regiões. Os autarcas da região não fogem à regra. E a mais recente notícia sobre a chacina do litoral dá mesmo conta da declaração do presidente da Câmara de Odemira a defender a construção nas falésias da Zambujeira do Mar. Depois há a teia imensa de diplomas e planos, um emaranhado que se contradiz e desdiz, que põe e contrapõe, criando de facto a confusão necessária para que a única lei aplicável seja a da selva.
O que mais indigna em toda esta tramóia é que não haja poder ou instituição, do alto da sua magistratura, que faça algo de decisivo para travar a monstruosidade que se anuncia e não se limite a declamar uns pífios lamentos por um paraíso que vai tornar-se um inferno.
«DE» de 28 de Outubro de 2008

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Passatempo-relâmpago (com prémio)

PARA ACOMPANHAR a crónica anterior, escolhi uma ilustração que em tempos foi feita para um famosíssimo livro; mas também poderia ter optado por esta que aqui se vê. Pois bem; o Sorumbático oferece um exemplar desse clássico da literatura ao primeiro leitor que responder correctamente a todas as 4 perguntas seguintes:
Quanto ao post de Nuno Crato: Qual o título do livro para o qual a ilustração foi feita? Qual o nome do escritor? Qual o nome completo do ilustrador (sem abreviaturas)?
Quanto a este post: Qual o nome pelo qual é conhecido o gigantesco animal pré-histórico representado no desenho?
Actualização (12h12m): as 4 respostas certas foram dadas no comentário-2, pelo que o passatempo terminou.

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Quanto maior, melhor

Por Nuno Crato
JÁ PENSOU COMO SERIA O MUNDO se os seres humanos tivessem o dobro da altura? Poderia pensar-se que nada de especial aconteceria, pois tudo seria construído nessa proporção. Mas isso não é verdade. Não há forma de o nosso corpo aumentar uniformemente. Se a nossa altura fosse multiplicada por dois e o mesmo acontecesse com a largura, a cintura e outras medidas tiradas com fita métrica, a superfície da nossa pele teria de aumentar quatro vezes e o nosso volume oito. Com o nosso volume multiplicado por oito, o mesmo aconteceria ao nosso peso. Então, para os ossos terem a resistência necessária, que é função da área do seu corte transversal, teriam de ser proporcionalmente mais grossos e pesados. Não há maneira de tudo aumentar na mesma proporção. O factor multiplicativo que é aplicado no comprimento aparece ao quadrado para a área e ao cubo para o volume. O expoente é dois para a área e três para o volume.
(...)
Texto integral [aqui]

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Fórmula 2009: o aquecimento dos motores

Por Manuel João Ramos

Clicar na imagem para ver melhor o cartoon.

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27.10.08

Memória

Por Joaquim Letria
UMA DILIGÊNCIA que a Procuradoria Geral da República mandou arquivar e que dizia respeito ao pedido dum cidadão espanhol para que se investigasse a morte acidental dum irmão do rei Juan Carlos, quando os Bourbon residiam no Estoril, na década de 1950.
Esse pedido indicia que as coisas andam estranhas, em Espanha, onde o mediático juíz Baltazar Garçon anda agora a remexer nas ossadas dos mortos da guerra civil e da repressão da ditadura, apesar da democrática lei da amnistia de 1977.
Quando Franco morreu na cama, em 1975, e se produziu a exemplar transição democrática, ninguém em Espanha quis ver investigadas as violações dos Direitos Humanos nem que fossem condenados os verdugos da violência assente nos escombros duma guerra civil em que mais dum milhão de pessoas foram mortas.
Uma ditadura de 40 anos condicionou toda a evolução até à democracia. E isso também se aplica à memória colectiva dos povos de Espanha e à sua gestão em democracia, capaz de distorcer passados de tortura e morte com mais de 70 anos.
«24 Horas» de 27 de Outubro de 2008

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Realidade vista por um ângulo obtuso

'Cadeira' de Matemática
QUEM ME ENVIOU esta fotografia referiu, também, o nome da escola onde foi tirada. Infelizmente, não esclareceu o aspecto mais importante: se isso aconteceu antes ou depois da introdução dos novos equipamentos pedagógicos high-tech. De qualquer forma, este quadro não deixa de ser bastante interactivo...

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A velha sebenta

Por A.M. Galopim de Carvalho
ERA O TEMPO DAS SEBENTAS. A fotocópia estava ainda por nascer e, mesmo após ter surgido, a sua acessibilidade e a sua operacionalidade estavam longe de satisfazer as necessidades dos estudantes. A reprodução de textos assentava, sobretudo, no stencil, uma finíssima folha de papel, encerada, na qual o bico da caneta ou a tecla da máquina de escrever imprimiam uma fragilidade que deixava passar a tinta colocada à superfície de um rolo que se fazia passar sobre a dita folha. Esta operação, de início, manual e, depois, mecânica, esteve na base da instituição sebenta. Para certas disciplinas, a sebenta era o único e mais do que suficiente elemento de estudo. “Empinava-se a sebenta” e a aprovação no exame da respectiva cadeira estava garantida. Via de regra as sebentas passavam de mão em mão, de ano para ano. Estavam enxovalhadas, anotadas, riscadas, sujas, parcialmente rasgadas e, muitas vezes, sem capa, dado o seu uso intenso e prolongado. O seu nome reflectia isso mesmo. Dado que, de ano para ano, o programa não mudava um milímetro. Feito o exame, o aluno que concluísse a cadeira, vendia de imediato aquele molho de papel a um colega que necessitasse dele. E eram sempre muitos.
(...)
Texto integral [aqui] - Esta e outras crónicas do mesmo autor estão também no seu blogue Sopas de Pedra.

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26.10.08

Justiça e sociedade em Portugal, 2006 - Algumas reflexões

Por António Barreto
DIZ-SE QUE OS “POVOS TÊM OS GOVERNOS QUE MERECEM”. Não falta quem pense que os governantes são, nas qualidades e nos defeitos, iguais aos governados. Houve um presidente da Televisão portuguesa que, perante críticas à qualidade das emissões, assegurou a opinião pública que a televisão era como o povo, nem melhor, nem pior. É frequente referir-se a condição dos dirigentes políticos como sendo igual à dos cidadãos. Já ouvi, nestes últimos anos, pessoas qualificadas garantir que os magistrados não são mais do que homens e mulheres como os outros. E já me foi dito, a mim e a milhares de telespectadores, que “os portugueses têm a justiça que merecem”.
Eis afirmações, próximas daquilo que se chama o “senso comum”, que merecem breve análise e comentário. Não concordo com nenhuma delas. A ideia de que os dirigentes são pessoas iguais às outras, que têm os mesmos limites e as mesmas fraquezas, assim como os mesmos talentos e qualidades, pode ser interessante, do ponto de vista eleitoral ou demagógico. (...)
Texto integral [aqui]
Esta e outras crónicas do autor estão também no seu blogue, o Jacarandá

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Uma designação abrangente

ONTEM, VOLTARAM a ser notícia os gastos do Estado com consultores externos - e lá apanhámos com os dois verbos-siameses incontornáveis em tais circunstâncias: «Tribunal de Contas ARRASA; Governo DESVALORIZA».
No relatório (um dos que já devem ser feitos com copy/paste), o T.C. dá-nos conta de escândalos para todos os gostos - e gastos:
Desde a constatação de que grande parte das despesas corresponde a encomendas feitas a - apenas - um par de consultores, até ao facto de haver, no Estado, quem já seja pago para fazer esses estudos encomendados fora; à mistura, ainda vem a informação de que cerca de metade não teve qualquer seguimento - que é como quem diz: não serviram para nada.
No entanto, a melhor de todas é a que nos dá conta de que mais de 1 milhão de euros foram gastos... ninguém sabe dizer em quê!
*
Perguntar-se-á, possivelmente, o que é que está aqui a fazer a imagem de cima. Bem... veio aqui parar por associação-de-ideias com uma expressão que se usa muito no Norte e que se aplica a aldrabões, vira-casacas, salta-pocinhas, trapalhões, incompetentes, irresponsáveis, imaturos e outros semelhantes: cabem todos (uns mais, outros menos), na curiosa classificação de trampolineiros - com perdão dos ginastas referidos na tabuleta, porque estes, ao contrário dos outros, não comem do nosso bolso.

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Os que hão-de guiar-te à vitória

Por Nuno Brederode Santos
O CDS NÃO CUIDA dos seus maiores, nem rega a sua árvore genealógica. Recusou o centrismo de Freitas do Amaral, desautorizou o institucionalismo que Adriano Moreira nem teve tempo para fixar na mira, desprezou o neoliberalismo de Lucas Pires, para - sempre empurrado pelos ventos eleitorais - vir aterrar nas mãos de Manuel Monteiro e Paulo Portas. Este acabaria por escorraçar aquele, em espasmos intestinais onde, vistos os factos de fora, a ideologia não meteu prego nem estopa. Nenhum dos idos é saudoso nessa casa da Família Adams sita no Largo do Caldas.
Monteiro, desabrigado, encetou uma aventura pessoal de contornos difíceis de prever e impossíveis de descrever: após sucessivos desaires (que culminaram nas autárquicas de Lisboa), anunciara recentemente a disponibilidade da sua Nova Democracia para desaparecer, a bem de uma qualquer inovação da direita para 2009, mas a aplicação de duas multas pela Comissão Nacional de Eleições deu-lhe agora o pretexto dourado para reconverter esse horizonte cinzento numa odisseia em technicolor - e, por isso, anunciou, esta semana, que não paga as multas e que o PND está pronto para o martirológio da extinção, mas não pactuará com a infâmia da perseguição que lhe é movida.
(...)
Texto integral [aqui]

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25.10.08

Passatempo-relâmpago (com prémio)

NUNCA SOUBE ao certo o que sucede às pessoas que trabalham nos turnos da noite quando muda a hora. Será que trabalham 60 minutos a mais em noites como a de hoje, e outros tantos a menos em fins de Março?
Seja como for, o assunto é um bom pretexto para mais um passatempo-relâmpago, em que se premiará o primeiro leitor que responder correctamente às seguintes duas perguntas:
1-Qual o título do ultra-famoso livro de H. G. Wells em que a personagem principal está perfeitamente à vontade nesses assuntos de mudança de horas - quer para a frente, quer para trás?
2-Quem é o autor do livro infanto-juvenil cujo capítulo 23 (dedicado a uma mudança de hora muito especial) se pode ler [aqui]?
NOTA: Cada leitor poderá dar uma única resposta (dupla). Os comentários, inicialmente bloqueados, só serão possíveis a partir de um determinado momento-surpresa, que ocorrerá durante o dia de domingo. O prémio, a atribuir ao 1.º leitor que responder correctamente às duas questões, será um exemplar do referido livro de H. G. Wells.
Actualização: os comentários foram desbloqueados às 13h30m e as respostas certas foram dadas às 14h31.

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Lazer e laser depilatórios

Por Joaquim Letria
O BASTONÁRIO da Ordem dos Médicos voltou a defender a Lei do Acto Médico que Jorge Sampaio vetou em 1999.
Pedro Nunes, um oftalmologista por vocação, acha que essa lei devia estar em vigor, fazendo com que “tudo o que jogasse com a saúde das pessoas teria de ser feito por médicos ou por indicação médica”. Este “upgrade”, diga-se de passagem, vem a propósito de depilações a laser mal feitas. Teríamos assim, a juntar aos neurocirurgiões, aos obstetras e aos ortopedistas os clínicos depilatórios. Os quais, aliás, bem podem estar no espírito auto-regulador da Associação Ibérica de Laserterapia e Tecnologias Afins, dirigida por António Lúcio Baptista, um defensor de cursos universitários de laser.
Com semelhante elevação, ainda acabamos com um ministro do Lazer. Para tratar do laser, claro! Não era giro?!
«24 Horas» de 24 de Outubro de 2008
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NOTA (CMR): Se eu soubesse que o Joaquim Letria ia escrever acerca deste assunto, teria guardado, para afixar hoje, a foto que publiquei [aqui]!

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Passatempo-relâmpago (com prémio)

À esquerda, vê-se Colin Powell exibindo, nas Nações Unidas, as 'suas provas' das ADM que justificariam a invasão do Iraque.
PARA COMEMORAR o apoio que Colin Powell deu, recentemente, a Barack Obama, aqui fica um passatempo com prémio. Este, como já se percebeu, será (pelo menos!) o livro que se vê à direita, a atribuir a quem adivinhar a palavra que foi encoberta.
Para já, cada leitor poderá dar um único palpite. No entanto, se a resposta certa demorar a aparecer, serão fornecidas dicas, voltando o passatempo à estaca-zero.
Actualização: o passatempo terminou às 10h35m, como se pode verificar [aqui].

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24.10.08

A batata quente

Por Joaquim Letria
OS PARTIDOS PORTUGUESES recusaram aceitar uma batata que uma organização evangélica de protecção aos mais desfavorecidos quis distribuir em Portugal, à semelhança do que já aconteceu em mais de 40 países. A ideia é usar a imagem da batata quente como um símbolo da luta contra a pobreza extrema que os políticos prometeram em 2000 reduzir para metade, assinando a Declaração do Milénio, válida até 2015.
A organização evangélica “Desafio Miqueias” e a católica “Rede Europeia Fé e Justiça” distribuíram uma carta assinada por 265 organizações católicas e evangélicas onde se diz que “a pobreza é crime”.
“A pobreza é uma batata quente que andamos a passar de uns para os outros. Menos a quem precisa”, dizem na carta. Apesar de não conseguirem que recebam as batatas na AR, os militantes vão pôr uma camioneta do Exército de Salvação carregada de batatas em São Bento. Ainda alguém aproveita e leva uns tubérculos para casa…
«24 Horas» de 23 de Outubro de 2008

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O Sorumbático estará hoje representado no programa «Ao Fim do Dia», do RCP, que começa pouco depois das 23 h e termina às 23h 30.
Humor Antigo, Ano de 1928

A Quadratura do Circo - A múmia

Por Pedro Barroso
A MÚMIA MORA NUM SARCÓFAGO e lembra vagamente o tempo em que a pessoa estava viva.
Dela as pessoas têm também a distante ideia de uma cara de ferro, autoritária e dura, coisa para esquecer.
Embalsamada, é sabido, uma múmia, embora silenciosa, tem a utilidade que tem. Mas pode durar imenso tempo. Iludindo-nos com a sua presença silente, a que, por mero respeito pelos mais velhos, concedemos alguma educada condescendência.
Bem maquilhada, uma múmia pode dar a ilusão de estar viva. Pode até dar a ilusão de modernidade.
Nada mais enganador, contudo, que uma múmia pretendendo ser favorita. Uma múmia não convence ninguém. Favorita? Nem na cama do faraó, nem no coração do povo.
A múmia está paralítica no tempo e nas causas. Representa o tempo passado e as causas perdidas. Vive à base de anfetanol duricida, coisa para calosidades resistentes. Se o nome não for assim, paciência. Perceberam a ideia.
Outra coisa importante:
A própria múmia sabe que já não está viva. Faz menção, através de um desenho dourado na tampa do sarcófago, de recordar alguns traços de quando ainda valia alguma coisa e tinha vida, e poder, e decisão.
Mas hoje não. Está, obviamente deitada no chão, na cripta de alguns devotos, oculta debaixo de um manto imenso de pó e eternidade, envolta em faixas de bálsamos e cheiros. Mesmo reeditada e repintada de dourados, a múmia não é mais que isso. Uma antiguidade; digna do British Museum.
Sê-lo-á brevemente, transladada com pompa e circunstância, acompanhada no doloroso passo por todos os que a adoraram em vida e a quiseram reinventar depois de falecida.
Idólatras sem futuro, obnubilados pela manhã de nevoeiro, ainda persistem em prolongar o estertor e todos os dias a põem de pé, para terem a ilusão de que ainda seja um ser animado, para causar agitação.
É sabido e de nossa experiência, que uma múmia pode governar um país. E, apesar de, aparentemente, ainda falar, esta múmia creio que tenha apenas uma vaga memória do que já foi; ou talvez ventríloquo incorporado, pois nada parece funcionar nem com paixão, nem com energia, nem com verdade.
Algo não bate certo; nem o silêncio nem a fala. Nem o passado, nem o futuro.
E uma múmia, mesmo já conhecida - uma, duas, trinta vezes vista – torna-se uma desilusão de vida, uma morte anunciada. Não dá.
Isto só lá vai com alma.
E as múmias, é sabido, têm os mecanismos da alma avariados.

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23.10.08

O passatempo em que o Blasfémias homenageou Vasco Gonçalves foi ganho por A. Caldas, tendo V. Casimiro ficado em 2.º lugar. O valor certo era 670g.
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Comentário aos comentários
que tenho lido sobre o assunto
O TEMA DA SEMELHANÇA entre o que está a ser feito por esse mundo fora e o que Vasco Gonçalves fez, por cá, há mais de 3 décadas tem sido muito glosado. O curioso é que, pelo que se lê na blogosfera, o general é muito mais atacado do que os seus "seguidores".
Terá isso alguma lógica?
Repare-se: Vasco Gonçalves foi coerente com o que sempre proclamou, enquanto os políticos actuais defendem o capitalismo e agem como se sabe. Quem, afinal (e vendo a realidade friamente), é mais digno de censura?
Dir-se-á que o que está a suceder «é assim, porque não podia ser de outra forma».
Será verdade, porventura.
No entanto, quem já era crescido em 1975 sabe que se pode dizer exactamente o mesmo em relação ao PREC; e dificilmente se poderá concluir outra coisa, tendo em conta a situação que se vivia na época, as relações de forças entre povo, políticos e militares, e ainda - acima de tudo - os antecedentes próximos de uma longa guerra colonial e de uma ditadura acabada de ruir.
Penso que quem não acompanhou esses acontecimentos de perto dificilmente terá uma visão abrangente, clara e imparcial dessa realidade que faz parte da nossa História recente e em que Vasco Gonçalves, goste-se ou não, teve um papel marcante.

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Humor Antigo, Ano de 1928

As crianças de Timor

Por Joaquim Letria
MAIS DE METADE das crianças de Timor estão a passar fome. 60% das crianças com menos de 5 anos sofrem de má nutrição crónica. 80% das famílias timorenses não têm comida suficiente. Mais de 70 % dos jovens não tem emprego nem hipóteses de vir a arranjar trabalho.
Isto com independência, democracia, vigiados por soldados australianos e com políticos encharcados em petrodólares. Foi para isto que se montou aquela operação de propaganda mundial em que os políticos portugueses da altura desempenharam um papel decisivo e hoje bem recompensado.
Então e agora!? Não vai uma vigiliazinha por estas crianças timorenses!? Não há quem acenda uma velinha!? E as ONG (que mamaram 11 milhões de contos) não dão uma ajudinha? Vá lá! Por Timor Lorosai! Ao menos matem a fome às crianças!
«24 Horas» de 22 de Outubro de 2008

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Passatempo-relâmpago (com prémio)

QUANDO, NO SÁBADO passado, fui à minha varanda fotografar o granizo que nela caía (do tamanho de ervilhas grandes!), deparei-me com esta cena.
Pergunta com prémio (*): qual terá sido a associação-de-ideias que me levou, de seguida, a procurar um livro de Carlos de Oliveira?
(*) Um exemplar de uma obra de um outro escritor neo-realista português, a atribuir ao 1.º leitor que der a resposta certa. Actualização: a resposta certa foi dada às 11h37m, pelo que o passatempo terminou.

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Luz - XXVIII

Fotografias de António Barreto - APPh
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Tormes é uma terra virtual. É uma aldeia sonhada por Eça de Queirós em “A cidade e as serras”. O nome da ficção acabou por dar nome à terra real. Ali, a mulher de Eça tinha uma casa e uma quinta. Eça esteve lá uma única vez, não mais de dois dias, detestou o desconforto, o frio, o nevoeiro, tudo. Fugiu. A família, décadas depois, conservou a casa, arranjou-a primorosamente, ali produz vinho verde de boa qualidade. Ali estão umas recordações e umas relíquias do escritor. Quando lá cheguei, este senhor aparava a hera. Com a minúcia de uma manicura. (1990).
NOTA: estas fotos, juntamente com crónicas diversas do mesmo autor, estão também no seu blogue Jacarandá

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A crise financeira e a recessão

Por C. Barroco Esperança
COM A MESMA FACILIDADE com que os excelsos peritos mundiais provocaram o terramoto nos mercados financeiros, garantem agora os especialistas que a tempestade já passou.
Compreende-se a piedosa intenção de tranquilizar os cidadãos que sofrem a borrasca e esperam sobreviver à intempérie, mas está instável o tempo e incerto o futuro.
Vale a pena recordar, perante o caos assustador dos mercados financeiros, a reacção dos principais dirigentes mundiais. Bush ficou em estado de choque, tal como no longínquo 11 de Setembro, até que o seu secretário de Estado, co-responsável pela tragédia, propôs o plano de 700 mil milhões de dólares que chumbou no primeiro exame, passou com deficiência no recurso e não resolveu o problema. Era um xarope amargo, criado por Henry Paulson e vendido por Bush, responsáveis pela doença, a pagar em prestações suaves pelas próximas gerações de contribuintes.
Na Europa, enquanto os cúmplices da tragédia, recolhiam magníficas recompensas e as vítimas começavam a perder empregos e poupanças, os principais dirigentes políticos pareciam baratas tontas a hesitarem entre o salve-se quem puder e a resposta concertada dos Estados.
Foi perante a ansiedade e desorientação que apareceu um plano coerente e exequível, da autoria do melhor ministro das Finanças das últimas décadas, o inglês Gordon Brown, que, com a rara intuição da senhora Angela Merkel, foi acolhido pela União Europeia e copiado por outros países e pelos EUA.
Nicolas Sarkozy e Durão Barroso, oportunistas agarraram o comboio do êxito, embora de futuro incerto, e rumaram aos EUA para viajarem de jipe, conduzidos por Bush. Ficou a foto dos dois agentes funerários em visita a um coveiro com contrato a prazo.
Foi o último acto de vassalagem que prestaram ao xerife do Texas.
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NOTA: Outras crónicas do mesmo autor encontram-se no blogue Ponte Europa.

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22.10.08

... e viva o dinheiro vivo!

ESTA MANHÃ, quase toda a gente (blogues e jornais online) reproduziu a notícia do Diário Económico [v. aqui], cujo resumo se pode ver em cima (Público online - v. [aqui]). A meio da tarde, porém, chegou um desmentido, como se pode ver em baixo (Público online - v. [aqui]).
Assim, e até se perceber onde pára a verdade, o livro que se vê do lado direito fica em armazém.
Actualização-1: no Jornal das 20h, da SIC, o insuspeito António José Teixeira 'desempatou', esclarecendo que, de facto, a notícia do «DE» está certíssima; e explicou porquê. Assim sendo, o livrito cuja capa aqui se mostra será enviado ao autor do primeiro comentário que venha a ser feito ao assunto.
Actualização-2: ver comentários 1 e 2.

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Matosinhos a Narciso

Por Joaquim Letria
ESPERO QUE NARCISO MIRANDA ganhe as eleições para a Câmara de Matosinhos. Conheci o antigo autarca quando se lutava pela democracia e ele se preocupava com isso.
Hoje, se tiverem a pouca vergonha de o expulsarem do PS, não haverá na presidência da Câmara de Matosinhos ninguém mais socialista e mais sério do que Narciso.
As gentes de Matosinhos sabem-no, por isso o PS brama que “qualquer militante que avance com uma candidatura contra o partido sofrerá as consequências desse acto”.O PS aproveitar Narciso e mostrar-lhe o devido respeito é que não faz!
Claro que Narciso não deve ficar preocupado. Onde é que esta gente estava quando era precisa?
No passado, já lhe fizeram todas as malandrices. Vale a pena Narciso Miranda tentar. Se a “Associação Narciso Miranda Matosinhos sempre” ganhar, lá vou eu dar um abraço a Narciso. Podem crer! Até porque Matosinhos é das cidades onde melhor se come em Portugal!
«24 Horas» de 22 de Outubro de 2008

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Da Fome e do Medo

Por Baptista-Bastos
OBSERVAMOS EM VOLTA e reconhecemos, com uma clareza dolorosa, o estado do País. Portugal não desempata, e as forças em presença demonstram ser incapazes de enfrentar, com grandeza e, simultaneamente, com humildade, a agressividade de um sistema, o capitalista, que "poucas vezes, ou nenhumas, foi verdadeiramente democrático" [Emmanuel Mounier, in A Esperança dos Desesperados, ed. brasileira]. Agora, apela-se, dramaticamente, à participação activa da sociedade. Ao ponto de, há dias, na reunião com Sarkozy e Durão Barroso, o extraordinário Bush, cuja trágica inutilidade é componente da crise, ter afirmado: "É urgente construir o capitalismo democrático." Tudo isto, incompetência, leviandade, submissão, arrogância, mentira, tem abrangido o conjunto das condições da nossa existência. Parece que habitamos no interior das ameaças do "Leviatã" e o estado de guerra instalou-se, de uma forma ou de outra, no interior de todos nós.
(...)
Texto integral [aqui]

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Nota do autor: «Um olhar diferente, mas não isento de fundamento (ver aqui), sobre as eleições mais badaladas do momento».

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21.10.08

Regulação

Por Joaquim Letria
PINTO BALSEMÃO é um dos maiores patrões dos media portugueses. Mas sendo-o, nunca deixou de mostrar uma louvável preocupação pela liberdade de Imprensa. Maior, até, do que alguns colaboradores seus.
Quando foi primeiro ministro, dispondo do Expresso, Balsemão nunca se serviu do jornal para intervir num ambiente politicamente complexo nem alguma vez impediu que publicasse o que quer que fosse, incluindo críticas que lhe eram dirigidas na sua qualidade de chefe do Governo.
Balsemão tem, mais do que ninguém, toda a autoridade para falar contra a regulação que estão a impor aos meios de informação portugueses. As suas recentes palavras mereceriam ponderação dos democratas que restam nos partidos em geral e na Assembleia da República em particular. Enfim, dos poucos que ainda têm alguma vergonha na cara.
«24 Horas» de 20 de Outubro de 2008

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Humor Antigo, Ano de 1928

O Ano de António Costa

Por J. L. Saldanha Sanches
QUANDO ANTÓNIO COSTA foi eleito presidente da Câmara de Lisboa havia a esperança que ele conseguisse mudar a Câmara. Agora o que voga por aí é o receio de que a Câmara consiga mudar António Costa.
A CML são 13.000 funcionários e não se sabe quantas empresas municipais. A causa é uma estrutura produto de uma aliança sagrada entre o PS/PSD/PCP/CDS (o Bloco ainda tem as mãos limpas) que distribui centenas de empregos, geralmente de Administração ou de direcção com VUPs (viaturas de uso pessoal no sofisticado jargão da nomenclatura municipal), cartão de crédito e cartão frota NI (gasolina ilimitada no território nacional-internacional).
Tudo isto torna as opções dramaticamente claras: dinamizar a cidade, ou criar espaços para a cultura é, por enquanto, secundário. O alvo central é livrar a cidade das sanguessugas que são as empresas municipais.
(...)
Texto integral [aqui]

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Pi...orou

DEVIDO À CRISE financeira que por aí vai, a quebra das cotações das acções nas bolsas fez com que a rentabilidade do fundo da nossa Segurança Social se desvalorizasse 3,14% até Setembro.
Já agora: quem é que há dias, no Parlamento, invectivou a "economia de casino" referindo-se, nomeadamente, aos governos que jogam na bolsa os dinheiros dos contribuintes? Pois... Visto por esse 'ângulo', o 'curioso número' 3,14 até tem a sua pi...ada.

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Burocracia - Passatempo com prémio

O LEITOR Jorge Oliveira enviou-nos as imagens de dois documentos: um deles é uma carta para uma empresa; o outro é a resposta que mereceu. Ambos se podem ver [aqui].
Por baixo delas, estão as imagens das capas de dois livros que serão atribuídos aos melhores comentários que, até às 20h de amanhã, quarta-feira, venham a ser feitos a tão insólita situação.
Actualização: O passatempo terminou. Ver comentário-7

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Os enteados de Nobel

Por Nuno Crato
ALFRED BERNHARD Nobel (1833 –1896) foi um químico sueco que fez uma fortuna com a invenção da dinamite e de outros explosivos. Na altura, usavam-se materiais muito sensíveis às oscilações de temperatura e de manuseamento muito delicado e perigoso. Nobel conseguiu embeber nitroglicerina, um explosivo poderoso e muito instável, numa substância terrosa inerte, uma espécie de areia fina. Com isso criou um material transportável com segurança e que mantinha a sua potência explosiva. Nobel inventou ainda um explosivo gelatinoso mais potente, a gelatinite e um conjunto de materiais similares. Fez uma fortuna e houve quem o acusasse de tirar lucros da morte dos outros.
(...)
Texto integral [aqui]

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20.10.08

Piratas

Por Joaquim Letria
PASSEI A INFÂNCIA a ler histórias de piratas, a ver filmes com o Errol Flynn e a admirar Sir Francis Drake. Não esperava chegar a velho a simpatizar de novo com os piratas e até a preferi-los a banqueiros, políticos e reguladores financeiros.
Os flibusteiros do Golfo de Aden já não são os antigos piratas da perna de pau, de olho de vidro e cara de mau. São sofisticados cavalheiros que, quando abandonam as lanchas rápidas e as sumptuosas vivendas com vista para o mar nas costas da Somália, vestem os seus Armani em Abu Dabi ou no Dubai, usam computadores portáteis e telefones-satélite, negoceiam com inteligência e tratam da vida com dinheiro à vista e sem bancos nem sistema judiciário a encarecerem a vida de quem trabalha.
Este ano, abarbataram 63 navios que lhes renderam dezenas de milhões e negoceiam em tudo: ajuda alimentar da ONU, 374 reféns, cargueiros com químicos, 33 tanques T-72, 150 lança-granadas, artilharia anti-aérea e munições para todos os gostos. Os maiores!
«24 Horas» de 17 de Outubro de 2008

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Passatempo-relâmpago (com prémio)

COMO JÁ DEVE ter suspeitado quem costuma visitar o Sorumbático, um exemplar deste clássico da literatura juvenil será atribuído ao primeiro leitor que indicar o nome do respectivo autor - mas, atenção!, só depois de afixada a crónica de Joaquim Letria intitulada Piratas - o que sucederá durante a tarde de hoje, a uma hora ainda não determinada.
NOTA: cada leitor poderá dar uma única resposta. Já agora, extra-concurso: há (ou havia...) uma diferença importante entre piratas e corsários. Qual é (ou era)?
Actualização (15h15m): a resposta certa já foi dada, pelo que o passatempo terminou.

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Sabores e cantares

Por A.M. Galopim de Carvalho
DURANTE SÉCULOS, como o faz notar Monarca Pinheiro (1999), o alentejano viveu de «frustração sublimada em invenção. Com as migalhas que lhe couberam, soube inventar uma cultura de eleição, e esta é, talvez, a sua maior glória. Do pouco fez muito e bem». E entre esse muito e bem, nascido da alma deste povo, salienta-se a sua capacidade inventiva nos cozinhados, a que o autor se refere como «arte dos comeres», a par da «arte de musicar», internacionalmente reconhecida, em especial, através dos seus cantares.
Parafraseando Mário Rodrigues Correia, Director do Centro de Formação Profissional do Sector Alimentar, na apresentação de “A Cultura Gastronómica em Portugal – Alentejo” (1995), a cozinha alentejana, como cozinha tradicional que é, afigura-se como uma «serenata de aromas e sabores do passado que se prolonga pelo presente e que, pretendemos nós, se perpetue no futuro». Nestas palavras alude-se, de forma poética, a um sentimento generalizado alusivo a uma certa associação que, em particular no Alentejo, se faz entre os sabores da sua cozinha e as vozes dos grupos corais, sentimento esse, já expresso também por Mathilde Guimarães (1944), ao afirmar: «Para mim, para sempre, ficam ligados os cantares e os comeres alentejanos».
(...)
Texto integral [aqui]

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Reitoria - Átrio dos Passos Perdidos - 21 Out 08 - 18 horas

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19.10.08

O envelhecimento da população: a saúde e novos desafios sociais

Por António Barreto
QUANDO SE FALA da “parte fraca” da sociedade, sempre pensamos em crianças, nos idosos e nos doentes.
Uma inspiração marcante no desenvolvimento do Estado de protecção ou no Estado Providência é justamente essa: no cuidado a ter para com os mais fracos: as crianças, os doentes e os idosos.
Acontece que, pela minha observação pessoal (que não reputo representativa), noto os imensos progressos feitos no cuidado das crianças e dos doentes e sublinho a menor atenção, a muito menor atenção prestada aos idosos.
Nas últimas décadas, ao mesmo tempo que os cuidados destinados às crianças e aos doentes não cessaram de aumentar, a marginalidade e a solidão dos idosos não parou de crescer.
Ao mesmo tempo que as crianças devem ter toda a espécie de cuidado, protecção e instituições (até para os pais poderem ir trabalhar) e vão-no recebendo, são cada vez mais os idosos que devem deixar a casa da família, ir viver sozinhos, ir residir em lares especializados, arrastarem-se sozinhos por hospitais e casas de saúde, enfim, morrer sozinhos.
(...)
Texto integral [aqui]

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Passatempo-relâmpago (com prémio)

O FESTIVAL de incompetência cujos detalhes se podem ler [aqui] remete-nos para este livro de Umberto Eco. Pergunta-se: Qual é o seu título?
NOTA: este passatempo seguirá as regras dos dois anteriores. Quanto ao prémio, será um exemplar de um clássico da literatura italiana: «O Leopardo»; em alternativa: «Crónicas da Inforfobia», um hino aos infor-trôpegos deste mundo [em PDF aqui, p. ex.].
Actualização: os comentários foram desbloqueados às 13h43m e a resposta certa foi dada às 13h46m.

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A morte de Cleópatra

Pormenor de A Morte de Cleópatra- Hans Makart, 1875
Por Nuno Brederode Santos
PELOS SEUS PRÓPRIOS MEIOS - e porventura engenho e vontade - o PSD recolocou-se numa dilacerante encruzilhada. Um dia se saberá se por acção ou omissão, mas o certo é que Manuela Ferreira Leite (MFL) abriu as portas ao regresso em força de Santana Lopes, desencadeando uma espécie de segunda volta do último Congresso, que todo o País julgava encerrado. Um Congresso que ela ganhou (mesmo que por magra margem), deixando Passos Coelho num segundo lugar (que uns considerarão honroso e outros promissor) e fechando estrondosamente as portas ao populismo da componente mais arcaica do partido, na pessoa de Santana, mas com óbvias e graves repercussões para as ambições de Luís Filipe Menezes e Alberto João Jardim. Agora - e sem razão aparente - é ela que lhe reabre o caminho para uma candidatura à Câmara de Lisboa, um cargo que Jorge Sampaio elevou a umbral de todos os cargos e que, num partido de oposição, corresponde ao segundo ou terceiro mais importante de todos os lugares electivos.
(...)
Texto integral [aqui]

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18.10.08

O infalível teste "20 minutos de chuva"

HÁ DIAS, quando Helena Roseta aceitou um determinado trabalho na CML (em assuntos de habitação), Sá Fernandes comentou, satisfeito: «Agora só falta o PCP!». Referia-se, evidentemente, à unidade da esquerda, na autarquia.
Fique lá, então, com a sua satisfação - pois, enquanto nas eleições legislativas nos pode interessar se um candidato é de esquerda ou de direita, isso é o que menos importa quando estão em causa os verdadeiros problemas do dia-a-dia que infernizam a vida do cidadão-pagante, nomeadamente quando a sua resolução não se vislumbra, nem ao perto nem ao longe; e, no que toca a incompetência, ela acha-se muito bem distribuída por todo o espectro partidário.
*
Recentemente, em Coimbra, houve também problemas graves com uma tromba-de-água. Confrontado com o facto de as sargetas estarem entupidas, Carlos Encarnação respondeu, sem se rir nem ser contraditado pelo entrevistador (cito de memória): «Isso não tem influência, pois a água vem com tanta velocidade... que lhes passa por cima».
*
Conheço um administrador de uma empresa que costuma dizer que é fácil detectar um gestor incompetente - e, por extensão, um autarca ou um governante desse jaez:
No que toca a despesas, é o que poupa nos tostões como se fossem milhões, e ao mesmo tempo gasta milhões como se fossem tostões. No que toca aos problemas do dia-a-dia, é o que talvez se mostre capaz de os "resolver ", mas completamente incapaz de os "evitar ou, sequer, prever".

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O Totobola dos totós

PENSE-SE O QUE SE PENSAR dos sucessivos líderes do PSD, uma coisa é certa: Manuela Ferreira Leite surgiu como uma ruptura contra uma certa forma de fazer política em que se especializaram, com mais ou menos sucesso, pessoas como Alberto João Jardim, Luís Filipe Menezes e Santana Lopes.
É, pois, com alguma perplexidade que vemos este último em vias de se apresentar como candidato do partido à Câmara da capital, numa eleição praticamente simultânea com a das legislativas - onde o PSD aparecerá tendo, à cabeça, alguém que se identifica, no essencial, como o oposto do Menino Guerreiro.
Pois bem; se a ideia do PSD é apresentar-se aos eleitores de Lisboa com uma espécie de dupla no Totobola (1-2), talvez não fosse mau ter em conta que Santana pode fazer com que, por comparação, o sofrível António Costa até pareça aceitável - já que falámos de Totobola... esse é que é o "xis" da questão.
-
Este texto veio a ser publicado, como 'carta ao director', no Público de 23 Out 08

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HÁ CERTAS notícias que, quando publicadas aos pares, são muito mais interessantes do que separadas...
Actualização (19 Out): esqueci-me de referir uma foto que tirei e uma crónica do J. Letria a propósito dos ex-combatentes que andam a vender rifas nas ruas - ver [aqui].

Recordando Gomes Freire de Andrade

«O corpo (...) mal queimado foi atirado ao mar, que pouco depois o lançou de si primeira e segunda vez, foi roído pelos cães thé que por fim enterrarão na praia um resto» - in «Vida e Morte de Gomes Freire», de Raul Brandão
.
TALVEZ O ASPECTO do forte de S. Julião da Barra não fosse muito diferente deste quando, no dia 18 de Outubro de 1817, o general Gomes Freire de Andrade, então com 60 anos, nele foi enforcado e queimado. Os restantes companheiros tiveram tratamento semelhante, mas no Campo de Sant' Ana (*), no decurso de um macabro espectáculo que não ficou a dever nada aos autos-de-fé do Santo Ofício.
Pergunta com prémio (**): Como se chamava o senhor que, pouco antes das execuções, comentou, optimista: «He [é] verdade que a execução se prolongará pela noite, mas felizmente há luar...» (***)
*
(*) - Debalde percorri o agora chamado Campo dos Mártires da Pátria em busca de algo que recordasse tão dramáticos acontecimentos. O que encontrei de mais significativo foi o que se pode ver [aqui].
(**) - As condições deste passatempo, cujo prémio será um exemplar de uma obra de Raul Brandão (a que é atrás referida, ou «Os Pescadores» ou «Húmus» - à escolha do vencedor), serão iguais às dos dois anteriores: os comentários, inicialmente bloqueados, serão possíveis a partir de um determinado momento-surpresa, que ocorrerá durante o dia de hoje. Cada leitor poderá dar uma única resposta.
(***) - Foi neste interessante desabafo que, em 1961, Luís de Sttau Monteiro se inspirou para dar o título à sua famosa peça de teatro. Tendo estado proibida durante a ditadura, «Felizmente há luar!» foi levada à cena em 1978, no Teatro Nacional, numa encenação do autor.
Actualização: depois de desbloqueados os comentários às 15h01m, o passatempo terminou com duas respostas certas, das quais a primeira foi dada por Marco.

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17.10.08

Em honra do "20.000" - Passatempo-relâmpago (com prémio)

DESDE TEMPOS IMEMORIAIS, porventura muito antes de Pitágoras e dos pitagóricos, que certos números provocam no Homem um grande fascínio; é o caso do 3, do 7, e de todos os terminados em zeros - o que se deve, neste caso, ao facto de o ser humano ter 10 dedos nas mãos, e à consequente numeração de base-10 (*).
Outros, como o 13, o 17 ou o 777, parecem dever o seu prestígio ao facto de serem composições dos primeiros.
Vem isto a propósito (quem diria!) da crónica do Pedro Barroso, hoje afixada, em que ele se refere aos 20.000 milhões de euros que o Estado destinou para avalizar os bancos, um número que traz à memória um outro, igualzinho: o valor estimado para a fuga e fraude fiscais, em Portugal...
Pergunta-se: qual o livro de Júlio Verne em que o autor deu honras de título a tão bonito número?
NOTA: as condições em que decorre este passatempo são iguais às que se vêem [aqui].
(*) Certas civilizações utiliza(va)m a base-20 devido à contagem, também, dos dedos dos pés, que não são menos do que os outros (se não em utilidade, pelo menos em número)... Por sua vez, os antigos babilónios eram grandes entusiastas da base-60, ainda hoje usada, e sem fim à vista!, nas unidades angulares e de tempo.
Actualização: o desbloqueio teve lugar às 14h34m, e a resposta certa foi dada 10 minutos depois.

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