17.12.17

Hoje, em Porto de Mós (Lagos)

Felizmente, ainda há locais de fuga para quem, como eu, está saturado da política nacional...

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Sem emenda - Este meu país tão raro!

Por António Barreto
O caso “Raríssimas” ocupa a crónica nacional. É natural. Tem contribuído, para o clima nacional, com várias revelações. Ou confirmações. Como seja, por exemplo, o primado do mexerico nos costumes. Ou o papel da inveja na cultura nacional. Ou ainda a indiferença pela realidade e pelos factos, assim como o desprezo de muitos profissionais e comentadores pelos números. E também a facilidade com que não se resiste à tentação da pele, da carne e do bolso. Ou, finalmente, a posição do bilhete de avião, do carro, do vestido e da gamba na escala de valores morais.
O caso despertou velhos fantasmas. O dos polícias e inquisidores que entendem que se devem vigiar as organizações de solidariedade e criar uns milhares de vigilantes para cuidar de uns milhares de organizações. O da rústica simplicidade com que se afirma que é necessário nacionalizar as instituições privadas e estatizar as funções sociais. A estúpida candura dos que garantem que o Estado não corrompe, não desperdiça, não se deslumbra e não mente.
Milhões! Palavra mágica! Número mágico! Desencadeia imediatamente todos os maus sentimentos do mundo. Inveja. Desconfiança. Ambição. Milhões! Quem os tem, guarda-os, não distribui e quer mais. Quem os não tem quer ter. Quem não tem desconfia. E quem desconfia tem inveja.
Infelizmente, a inveja e o mexerico são suficientes para muita gente. É verdade que a corrupção, o nepotismo e o deslumbramento são insuportáveis e não devem ser financiados. Mas não podem fazer esquecer os factos e as situações a analisar. Na verdade, “milhões” pode ser muito ou pouco. Depende dos resultados e para quê. Quem se interessou realmente por saber quanto era gasto com cada doente e a que título? Quantas pessoas eram auxiliadas e acompanhadas? Quais as condições de acesso a estes tratamentos? Quantas pessoas trabalham nestes casos de doenças especiais muito exigentes? Quantas famílias vivem nas mesmas condições? Quantos não conseguem ter o mesmo apoio? O que pode ser feito com voluntários e o que deve ser feito com técnicos remunerados?
Quantas crianças doentes estão a ser tratadas naquela organização? Quantas pessoas estão internadas? Que outras formas de tratamento estão a ser seguidas? Quantas pessoas foram tratadas desde que a associação começou a receber subsídios do Estado? O acompanhamento implica técnicos em tempo inteiro? Quantas horas por dia? Quantos dias por semana? Há outras instituições semelhantes? Gastam mais ou menos? Muito mais ou muito menos? Tratam mais pessoas ou menos? Há voluntários ou só técnicos remunerados? Quantas pessoas existem em Portugal com doenças semelhantes e com exigências deste mesmo género? Há pessoas que não conseguem subsídios ou tratamento?
O que sabemos com segurança da “Raríssimas” não nos permite chegar a uma conclusão certa. É possível concluir que o seu trabalho é precioso, bem pago, justamente remunerado, devidamente recompensado, deve ser continuado, pode ser replicado e constitui uma função útil e necessária.
É possível concluir que aquele dinheiro é bem empregue, que os sacrifícios que aquele trabalho exige devem ser devidamente recompensados e que o facto de se tratar de milhões é indiferente dado que as necessidades custam isso e muito mais.
Mas também é possível concluir que há dinheiro a mais, que muitos recursos são ilicitamente aproveitados por pessoas e famílias que se aproveitam, que aquele trabalho é mais bem feito por outras associações privadas e por instituições públicas.
E também seria legítimo concluir que aquele trabalho é desperdício, fonte de corrupção e promiscuidade, factor de propaganda eleitoral e demagogia política e motor de promoção pessoal e deslumbramento.
Mas, para concluir o que quer que seja, é indispensável prestar atenção aos factos, aos números, à realidade e á história. Enfim, minudências. Pois…
DN, 17 de Dezembro de 2017

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Sem Emenda - As Minhas Fotografias

Um copo de Ginjinha ao sol, com mulheres e homens – À porta de uma chapelaria e ao lado de uma tasca famosa na Baixa de Lisboa, duas mulheres fumam um cigarro e bebem ginjinha. Uma exibe alguns encantos modernos, um piercing, uma tatuagem e unhas azuis escuras. Perto delas, uma rapariga, sozinha, bebe um copo. Lá dentro, outra rapariga bebe a sua ginjinha e conversa com dois latagões. À entrada da porta, um valente Português olha para a situação e para o fotógrafo. Esta imagem, recente, vale páginas inteiras sobre a mudança na sociedade portuguesa contemporânea. Vale manifestos feministas e proclamações sobre a liberdade das mulheres. Na sua normalidade banal e quotidiana, aquelas quatro mulheres dizem mais sobre os costumes e as relações sociais do que um tratado ou um manual. Em pano de fundo, o reflexo nas montras da Chapelaria mostra o Palácio da Independência.

DN, 17 de Dezembro de 2017

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15.12.17

ONTEM, HOJE E AMANHÃ

Por Joaquim Letria
Uma das melhores formas de escaparmos, por momentos, ao dia a dia do mundo de hoje é mergulharmos, uma vez por outra, no tempo dos humanistas e apreciarmos as realidades de então, através das suas manifestações de fé no homem, as quais se podem encontrar quer na arte, quer no pensamento filosófico, e tanto na ciência como na política.
O tempo prodigioso que vai do século XIV até ao princípio do século XVI foi, em todos os sentidos, uma verdadeira renovação através da qual o homem abandonou as tristes certezas da Idade Média para se lançar na mais bela aventura da criação.
Foi um tempo de renascimento, uma verdadeira Primavera na qual o homem se redescobriu, sendo capaz de recuperar as emoções, os pensamentos e as esperanças na mais variada e pletórica plenitude.
O homem descobre, então, com surpresa e deleite, o mundo antigo, ao mesmo tempo que o latim eclesiástico se converte num espantoso instrumento de novidade e comunicação. Com inegável espanto redescobrem-se os antigos e cria-se um novo sentido da vida e do mundo.
O primeiro mundo a ser descoberto foi esse mundo antigo, na surpreendente variedade da sua riqueza, ao qual se veio acrescentar o descobrimento do novo mundo americano que, juntamente com os requintes orientais então ao dispor de todos, dava a sensação de que se havia entrado na posse duma fabulosa herança cuja riqueza não conhecia limites.
Talvez o mais surpreendente fosse a atitude com que se entrava no novo tempo. Penetravam-no ao mesmo tempo que o estavam criando. A redescoberta da ciência permitiu-lhes ver com outros olhos a realidade que os rodeava e traçar o caminho da renovação do pensamento.
A redescoberta da Antiguidade nunca lhes fechou os olhos, como ficou para o provar a prodigiosa criação nas artes plásticas, ao mesmo tempo que o sentido criador da palavra viva os levou a estudar e desenvolver novas línguas que forjaram uma literatura de imensa eficácia criadora, sem que por isso tenham traído a sua devoção pelo latim.
O violento e perigoso desenvolvimento do cisma religioso que desemboca num novo tempo de guerras e de preocupações foi o corredor para a modernidade que serviu de antecâmara ao fascinante mundo que nos traz até este século.
Acredito que o sonho dos humanistas contivesse erros fundamentais e fosse irrealizável, como o demonstrou a História. Mas tal não impede que tenhamos verdadeiro prazer nas escapadas que lá possamos dar e que nos levam a acreditar que algo de harmonioso, inteligente, sensível e pleno pode resultar deste estranho período que é o nosso e que não podemos permitir que contribua para olharmos pra a História com nostalgia pelo passado em vez de termos confiança no futuro.
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Publicado no Minho Digital

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14.12.17

Portugal e a descentralização administrativa

Por C. Barroco Esperança
A regionalização do País, prevista na CRP, desde 1976, foi inviabilizada pelo referendo de 8 de novembro de 1998, resultante da maquiavélica proposta de Marcelo Rebelo de Sousa, então líder do PSD, e de um exótico mapa de 9 regiões, apresentado pelo PM, António Guterres.
O desinteresse do eleitorado, com menos de 50% de participação, tornou inconsequente a decisão, mas a dimensão do repúdio, superior a 60%, quer da regionalização, quer do mapa proposto, contra menos de 35% de votos a favor, trucidou a Regionalização do Continente.
É possível que o exemplo do poder autocrático e os desmandos da Região Autónoma da Madeira, onde se temia que um único partido e o mesmo soba se eternizassem, tornasse o eleitorado receoso da Regionalização, que era, e é, imprescindível. Aliás, na Madeira, só o referido soba foi substituído.

Com a regionalização adiada para as calendas gregas, pretende este Governo promover a descentralização, mas o primeiro anúncio foi claramente infeliz. A deslocação para o Porto do INFARMED – Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde, I.P., sem ponderação nem justificação técnica, ameaça uma descentralização que precisa de ser explicada e aceite pelos portugueses.
Atribuir mais verbas e competências às autarquias parece uma boa ideia, mas a reduzida dimensão e a falta de massa crítica de muitas delas podem converter num sorvedoiro de dinheiros públicos e de discricionariedade uma legião de caciques que se limitem a criar postos de emprego enquanto a inexorável desertificação do interior se intensifica.
Não se pode descentralizar sem se saber para onde e por que razão. É impossível manter 308 Municípios e 3.092 Freguesias onde é exagerada a dimensão dos aparelhos político-administrativos, aquém dos das regiões autónomas. Corre-se o risco de atomizar o País, em vez de o modernizar, de criar empregos públicos e fomentar o caciquismo, em vez de relançar a economia rural, desenvolver a cidadania e promover a participação cívica.
Para pior, já basta assim.
Depois de um referendo, é politicamente insustentável uma decisão que o contrarie, sem o repetir, a menos que se assuma a regionalização, nos programas eleitorais, decisão que os partidos devem ponderar. A decisão pode e deve ser concertada entre partidos, como objetivo nacional, para 5 ou 4 regiões (Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve ou Alentejo/Algarve.

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10.12.17

Sem Emenda - As Minhas Fotografias

Judeu em oração, com chapéu, na esplanada do Muro das Lamentações – Este senhor usa um chapéu tradicional, um dos vários usados habitualmente, com relevo para a Kipá (solidéu) e o Shtreimel (em pele), os mais curiosos de todos. Jerusalém é um dos sítios mais carregados de história. Todas as variedades de cristãos, judeus e muçulmanos têm aqui os seus lugares sagrados. Além de outros, David, Salomão, Cristo e Maomé andaram por ali. Na cidade, com seis mil anos, há centenas de sinagogas, igrejas e mesquitas. Nada é simples, nada é fácil. Se há sítio no mundo onde há problemas sem solução, Jerusalém é um deles. Equilíbrio instável, paz provisória, tempo de espera… são estas as expressões que substituem as de paz, estabilidade ou solução. Há milhares de anos que é assim. A recente decisão do presidente Trump é estranha. É um governo estrangeiro que, de facto e não de direito, designa a capital de Israel! O gesto, criticado por quase todo o mundo, tem potencialidades para desencadear mais uma série interminável de acidentes e incidentes. Mais uma…
DN, 10 de Dezembro de 2017

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Sem emenda - Como nas claques

Por António Barreto
A comparação já foi feita: o debate político parece-se cada vez mais com o futebol e respectivas claques. O que interessa é a cor e a camisola. O que conta é saber quem apoia e quem critica. Ou quem é apoiado e quem é condenado. O caso, o objectivo, a decisão, o programa, o valor e a ideia são de menor apreço e quase indiferentes. Importa, isso sim, é saber se é a favor ou contra o grupo, o chefe e o partido. Importa berrar e bramar, ameaçar e apoiar, vibrar de prazer ou rosnar de ódio, bajular ou agredir. Se os meus são criminosos, desculpam-se, porque a culpa é dos outros, batoteiros por definição.
Os meus têm valores. Os outros têm interesses. Os meus têm causas. Os outros têm bolsos. Os meus preocupam-se com o interesse nacional e o bem comum. Os outros só pensam nos seus grupos e nas suas corporações. Os meus são democratas, justos, racionais, eficientes, com causas, pergaminhos sociais, cultura e mérito. Os outros são candidatos a ditadores, oportunistas, mentirosos, prisioneiros dos lobbies e defensores de interesses ocultos. Se, entre os meus, já houve corruptos e aldrabões, esquecemo-nos facilmente. Os corruptos dos outros, por seu turno, são eternos.
Ouvir os socialistas falar hoje dos sociais-democratas e dos populares é ficar a conhecer um rosário de insultos e calúnias. Só comparável ao que se ouve aos sociais-democratas quando estes se exprimem sobre os socialistas; aos comunistas e aos bloquistas quando se referem aos partidos da direita; e a todos e cada um quando se exprimem sobre os outros. Um dos objectivos desta oratória consiste em explicar os saneamentos políticos e as nomeações dos amigos: os que vão sair são incompetentes, mentirosos e eventualmente corruptos. Os que entram, os meus, são exemplos de virtude e competência.
Outra dimensão de fino recorte intelectual é a da culpa. Não fui eu, foste tu! Não fomos nós, foram vocês! O vosso governo fez muito pior! A culpa é do governo anterior! As causas já vinham de trás! A pobreza e a miséria dos professores, a destruição do Serviço Nacional de Saúde, a imprevidência na protecção civil e a vulnerabilidade das instalações militares são da total responsabilidade do governo anterior. Assim como o aumento das desigualdades sociais. Ou o escândalo das energias renováveis. Tal como o anterior governo dizia. E o antes desse.
A este tom grave de acusação não corresponde depois acção judicial. Nem sequer demonstração pública das malfeitorias dos outros. Bem se pode esperar para saber mais sobre as famigeradas parcerias, as falências bancárias, as fugas de milhares de milhões, os offshores, a descapitalização fraudulenta, o mero roubo e os ajustes directos! Bem se pode esperar pela conclusão de processos de negligência na protecção civil!
Como o futebol, a política têm regras próprias e especiais. É permitido mentir, ameaçar, caluniar, roubar, corromper e não cumprir os contratos… E quando não é permitido, é tolerado. E se não é tolerado, o autor fica, em geral, impune. A verdade é que, como no futebol, o que os meus fazem é justo, o que os outros fazem é crime. Os meus podem “meter a mão”, quebrar os pés do adversário e faltar às regras, desde que o árbitro ou o juiz não vejam.
A grandeza deste debate e a qualidade destes termos são surpreendentes! A escola de oratória politica e parlamentar é hoje o comentário desportivo das televisões, horas a fio, diariamente, em todos os canais! O que criou o estilo político parlamentar foi a televisão, o futebol, a democracia directa dentro dos partidos e o sistema eleitoral. O que se diz, mente ou berra não se destina a ser ouvido pelos eleitores, mas sim pelos colegas de partido. São eles que decidirão se um deputado é fiel ao chefe e se é suficientemente agressivo contra os inimigos. Não parece que tão cedo haja condições para alterar este estado de coisas. A calúnia e o insulto têm uma função redentora: a de servir de biombo à falta de justiça.

DN, 10 de Dezembro de 2017

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7.12.17

A difícil catarse da guerra colonial



Por C. Barroco Esperança
Quarenta e três anos depois da derrota política, militar e moral, Portugal não conseguiu fazer ainda a catarse da tragédia para que a ditadura nos arrastou, nem compreender que, após o fim dos outros impérios coloniais, era insustentável manter a mística de um país ‘do Minho a Timor’.
Juntam-se na mórbida nostalgia do “nosso Ultramar, infelizmente perdido”, a desolação de quem perdeu os bens de uma vida e a vida de familiares, os dramas de um regresso traumático, os saudosistas da ditadura, e quase 500 mil ex-militares que não aceitam que a guerra em que participaram fosse um crime, de um exército de ocupação contra povos coloniais. A síndrome de Estocolmo tornou-se o lenitivo para a dor de uma causa inútil, injusta e criminosa.
Poucos compreendem que o ato heroico do 25 de Abril foi o fim de uma descolonização que começou em Dadrá e Nagar-Aveli e continuou no ato demencial de incendiar o Forte de S. João Batista de Ajudá, para prosseguir em Goa, Damão e Diu, e acabar, fatal e tardiamente, em Angola, Moçambique e Guiné. Alguns nunca pensaram que Portugal era o único país que negava o direito dos povos coloniais à autodeterminação e que cada dia de guerra prolongava o sofrimento inútil e a perda de vidas, de quem lutava por uma causa justa e de quem era obrigado a opor-se-lhe.
José Vilhena, o caricaturista desassombrado e brilhante humorista, definiu um ‘patriota’ como ‘o que ama a sua pátria’, para logo acrescentar: “não confundir com nacionalista, que ama também a Pátria dos outros”.
Foi o nacionalismo fascista o responsável pelo atraso do nosso país e pela guerra levada aos países de outros, quando a moral, o direito e a comunidade internacional já tinham condenado o colonialismo.
Defender hoje o que já então era uma insana obsessão do salazarismo, que a cobardia de Marcelo Caetano prolongou, é um ato pouco abonatório dos defensores. Respeito os que creem na bondade da guerra colonial, bem como os que ainda peregrinam de camuflado, a agradecerem anualmente à Sr.ª de Fátima um milagre negado a 9.553 jovens, mortos, amputados ou paraplégicos, e aos incontáveis traumatizados de guerra. Crenças!
É tempo, dos que não se reveem no branqueamento do colonialismo, de testemunharem a guerra que transportam, e o que viram e souberam no teatro de guerra onde tombaram militares portugueses e guerrilheiros e familiares dos combatentes da independência dos seus povos.
A falsificação da história não honra os militares portugueses da minha geração, dignos de melhor causa, e que não mereciam os horrores que sofreram e infligiram.

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6.12.17

DÉFICE NA EDUCAÇÃO

Por A. M. Galopim de Carvalho
No passado dia 3, o Primeiro Ministro, na cerimónia de entrega do Prémio Manuel António da Mota, no Palácio da Bolsa, no Porto, disse, preto no branco:
“De uma vez por todas, o país tem de compreender que o maior défice que temos não é o das finanças. O maior défice que temos é o défice que acumulámos de ignorância, de desconhecimento, de ausência de educação, de ausência de formação e de ausência de preparação”.
Dito, creio que, de improviso, o que está no pensamento de António Costa, veio ao encontro do que ando a dizer há muitos anos.
Num país, como Portugal, onde a investigação científica e o ensino superior, em todas as áreas do conhecimento, está ao nível do que caracteriza os países mais avançados, é confrangedor assistir à generalizada iliteracia dos portugueses, incluindo muitos dos nossos quadros superiores, intelectuais de serviço e políticos de profissão que, embora conhecedores dos domínios em que se movimentam, são falhos de outras culturas, em particular da científica, que a escola deveria dar mas não deu, como está implícito nas palavras do Primeiro Ministro. (...)
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Texto integral [AQUI]

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5.12.17

Máquinas de Costura

Destas, a imagem mais antiga é de 1850, mas há referências a máquinas de costura 20 anos antes.
Assim, a do cartaz é posterior, tal como o facto histórico associado, que não consegui identificar.

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4.12.17

Alguém sabe explicar o significado político da imagem usada neste anúncio?

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XXXI Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis

O Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa (MUHNAC-ULisboa) organiza, de 7 a 10 de dezembro, a XXXI Feira Internacional de Minerais, Gemas e Fósseis, subordinada ao tema "MINERAIS DE LÍTIO".
Este evento, que constitui desde 1988, uma grande festa do MUHNAC-ULisboa e uma marca na vida cultural da cidade, reúne colecionadores e comerciantes de minerais, gemas e fósseis, oriundos de vários países da Europa, bem como um vasto público, representado por milhares de visitantes, que tem aqui uma oportunidade ímpar de adquirir ou simplesmente deleitar-se com a observação de exemplares únicos.
Paralelamente à Feira, terá lugar um programa complementar  de conferências e atividades
de divulgação cultural e científica, destinada a jovens e adultos. Conheça o programa de atividades aqui.
Horário
7 de dezembro - das 13h00 às 20h00
8 e 9 de dezembro - 10h00 às 20h00
10 de dezembro - 10h00 às 18h00
ENTRADA LIVRE
Mais informações em www.museus.ulisboa.pt


Serviço de Comunicação e Imagem

MUHNAC_Vertical_positivo 
1250-102 Lisboa
Tel: 213 921 810 | Ext. 35210

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3.12.17

Sem emenda - Um Te Deum laico e republicano

Por António Barreto
Te Deum é a designação de um hino que faz parte da Liturgia das Horas da Igreja Católica. É a forma abreviada de Te Deum Laudamus, Louvamos-te, Ó Deus! O momento apropriado para cantar este hino é o final de Dezembro, quando os fiéis agradecem as benesses recebidas durante o ano decorrido. É também inspiração para músicos que cultivaram o género: Purcell, Charpentier, Mozart, Haydn, Bruckner e outros compuseram, com este título, obras-primas festejadas por crentes e não crentes.
Hoje, as coisas tomam outras formas. Dispensa-se o génio musical. Retira-se o Deus fora de moda. Antecipa-se a cerimónia para o início do novo ano fiscal. Coloca-se em cena o objecto do louvor. Rodeia-se o sujeito de uma corte bem apessoada, que até pode ser um Conselho de Ministros, em vez dos tradicionais querubins. Adjudicam-se os procedimentos a uma Agência de Imagem. Contrata-se uma Universidade “a fim de credibilizar” o exercício, segundo as palavras dos protagonistas.
Seleccionaram-se umas dezenas de figurantes por amostra calibrada, a quem se pagam deslocações, bebidas, um snack e um per diem de ajudas de custo (150 euros, segundo testemunhos). Solicita-se a um sacerdote que se ocupe do ritual. Os figurantes agem como se de um coro grego se tratasse, mas em intervenções sucessivas, não em coral clássico. Às perguntas inteligentes dos figurantes, o solista responde com desenvoltura. A fim de mostrar o espírito de equipa, vários membros da Corte são chamados a participar.
Vozes incómodas fizeram reparos. Foi-lhes dito de imediato que “no ano passado também houve”. A quem referisse que já é a segunda vez que isto se faz, foi esclarecido que o anterior governo também tinha feito algo de parecido na televisão. Aos que estranharam a inclinação dos socialistas, de Costa e de Sócrates, para a propaganda, foi garantido que as direitas, Cavaco Silva, Santana Lopes e Passos Coelho, também o faziam.
É preciso má vontade para comparar esta liturgia honesta à propaganda das direitas! Na verdade, enquanto estas tudo fazem para enganar os cidadãos, as esquerdas apenas se limitam a ouvir o povo, escutar as pessoas, tentar perceber o seu pensamento e entender os anseios profundos da população. Só com muita má fé se pode imaginar que este governo queira fazer qualquer coisa que não seja uma genuína e honrada tentativa de ouvir e de sentir o pulsar dos Portugueses, as suas críticas e as suas sugestões! 
Aqueles vinte ministros não eram os patrões dos funcionários presentes no coro litúrgico e em nada intimidavam os que, livremente, pretendiam fazer perguntas: eram coadjuvantes competentes, prontos a ouvir e esclarecer. Aquela Universidade e aqueles académicos eram dedicados à ciência e à cultura, não estavam ali para obter reconhecimento e fama junto de quem decide os orçamentos. Aquela Agência de imagem desempenhou as suas funções de modo isento e com profissionalismo.
O que ali se passou não foi medíocre. Não foi armadilha, nem manipulação. Não foi a transformação da informação em publicidade empacotada. A quermesse de Aveiro é boa e genuína. É uma encenação patriótica e plural. A melhor prova de que é coisa boa reside no facto de, no ano anterior, se ter feito igual. E de dois anos antes, na televisão, organizada pelo governo da direita de Passos Coelho, ter havido coisa parecida!
Os cidadãos que ali se deslocaram prestaram um serviço ao país, dispuseram-se a representar os restantes Portugueses que não puderam estar todos presentes, deram ao governo dados autênticos, entre eleições, sobre o estado da nação. Fizeram-no de modo mais verdadeiro do que as sondagens que não permitem esta consulta de proximidade. Melhor do que o focus group a seguir aos incêndios, este Grupo é uma auscultação em comunhão. É o próprio de um governo para as pessoas, não para os números.

DN, 3 de Dezembro de 2017

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Sem Emenda - As Minhas Fotografias

Par de namorados, com telemóvel, na Cidade Proibida, Pequim – Em poucas semanas de visita à China, das quais uma na capital, foi este o único par de namorados que vi exibindo na rua um gesto de ternura, partilhada aliás com o telemóvel que era seguramente um objecto de interessada comunhão. Ao que parece, os Chineses não gostam de liberdades excessivas, do Google e de manifestações de sentimentos na rua! Talvez a Cidade Proibida tenha inspirado estes dois jovens… O Palácio que ocupa esta cidade tem seis séculos de existência. Já esteve degradado várias vezes, mas sempre recupera e renasce. É o maior palácio do mundo, uma verdadeira cidade! Consta que tem 9.999 divisões, mas parece que a prova nunca foi feita! Era daqui que o Imperador governava a China, o Império e, julgava ele, o mundo.

DN, 3 de Dezembro de 2017

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