20.5.18

Lagos na TVI, com Joaquim Letria.

No "Correio de Lagos" deste mês
Placa explicativa do Altar de Sto. António, colocada ao lado da imagem de S. José, induzindo em erro passantes e visitantes... 
No interior, essa imagem de S. José (identificado pelos lírios que empunha) está num pequeno nicho, à direita do altar-mor. É neste último, obviamente, que está o Sto. António.

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Sem Emenda - As Minhas Fotografias


Janela manuelina do Convento de Cristo, em Tomar – É talvez a mais famosa janela de Portugal. Também conhecida como “janela do Capítulo”. Fica em Tomar, cidade excepcional de monumentos e obras de arte. Tem o Convento de Cristo, pois claro. O aqueduto de Pegões (século XVI). A ermida de Nossa Senhora da Conceição, obra-prima renascentista entre todas (século XVI). A Sinagoga da cidade, caso raro de arquitectura da região e do país (século XV). A Igreja de Santa Maria dos Olivais (século XII). E tem também outras belezas, sem esquecer o rio Nabão, a cidade velha e a Tomar do século XIX e das indústrias. Esta janela já foi fotografada por milhões de pessoas. Já foi bandeira, rótulo de vinho e selo de correio. Já foi cartaz, azulejo e capa de livro. Mas não é mantida e preservada com todo o cuidado. Como deveria ser. A janela e todo o convento. Este convento e os outros. Neste Ano Europeu do Património, talvez seja mais uma oportunidade. Para mais orçamento. E mais atenção…

DN, 20 de Maio de 2018

Sem emenda - Sem recurso, nem recuo

Por António Barreto
Quando alguma coisa falha, procuramos um recurso. Junto de alguém, pessoa ou instituição. Com frequência, pensamos ter recuo. E tempo de espera e reflexão. É uma defesa, uma precaução. Melhor ainda, uma cópia de segurança. O backup. A instituição de emergência. O exército de reserva. A brigada de última instância. Quando a Terra treme, invoca-se Deus. E faz-se o mesmo perante as tempestades. Até os ateus, que nem sempre confiam nos pára-raios.
Quando há crise, olha-se para a finança e a segurança social. Quando a nação está em perigo, espreita-se para os países amigos. Quando o Estado corre riscos, conta-se com os militares. Quando a ordem e a segurança ameaçam ruir, espera-se pela polícia. Quando as elites falham, chama-se o povo. Quando os empresários fogem, recorre-se ao Estado. Quando a saúde está periclitante, procura-se o médico. Quando a corrupção reina, confia-se na justiça. O pior é quando a justiça tarda…
Há momentos na vida de uma nação em que, de repente ou gradualmente, se tem a sensação de que o recuo é curto e de que recurso é cada vez menor. Que tudo tem falhado. A justiça, o diálogo ou a decência humana.
Numa área, especialmente, a falta de recurso é assustadora. A falta de Justiça é aterradora. Os imediatos apelos à Justiça privada são o anúncio do pavor. As tentações da justiça pelas próprias mãos são sinais de desespero e de inferno à vista.
O pior da corrupção, privada ou pública, partidária ou empresarial, é que cada vez menos há recuo. Ainda se pensa em justiça, sobretudo com processos de inédita dimensão e inimaginável gravidade. Mas quando chega a vez de a própria justiça falhar ou se sentar no banco dos réus, então sente-se o frio nas costas, o arrepio do abismo: não há recurso, nem recuo!
A corrupção é injusta e imoral. É socialmente desigual e culturalmente repugnante. Eticamente condenável e politicamente abjecta. Infelizmente, parece que a maior parte dos que condenam a corrupção o fazem mais por inveja do que por convicção.
Estranhamente, a corrupção tem quase sempre defensores ou pretextos. Vale para crescer a economia e criar emprego. Serve para aumentar as exportações. Aceita-se para defender os interesses dos munícipes, para apoiar as iniciativas locais e para satisfazer as necessidades dos povos locais. É útil para democratizar a economia. Adopta-se para defender a democracia e recompensar os que deram contribuições financeiras para os partidos. Justifica-se para satisfazer grandes e antigas famílias com história de serviço ao país e à Pátria. Admite-se para isentar, de impostos e taxas, famílias, partidos, igrejas, sindicatos e associações. Utiliza-se para conceder subsídios especiais de criatividade ou solidariedade. Acode qualquer pessoa que se diga partidária das start ups tecnológicas e se declare favorecer causas actuais, como as energias renováveis e as alfaces biológicas. Usa-se para arranjar as parcerias público privadas. Desculpa-se para confortar a insularidade e a interioridade.
Até ao dia da indignação. Até chegar a altura do escândalo. Até ao momento em que a corrupção se torna intolerável. Em Portugal, esse momento já chegou. Faça-se a lista completa dos políticos, governantes, deputados, altos funcionários, magistrados, polícias, empresários, gestores e outros intermediários, facilitadores e fura-vidas envolvidos com a justiça e fica-se com um horrendo panorama de uma quermesse de maus costumes. Marque-se, para cada um, o tempo de espera, o atraso do processo e os procedimentos dilatórios e ter-se-á um quadro completo de ineficiência e de injustiça.
É verdade que a democracia pode sempre generalizar a corrupção. Numa palavra, democratizá-la. Mas também pode ser a única maneira de a combater preservando as liberdades. As mãos limpas e a ética justicialista acabaram sempre mal: não limparam a corrupção, nem salvaguardaram as liberdades.

DN, 20 de Maio de 2018

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18.5.18

Apontamentos de Lagos - Buracos perigosos - III


Fez ontem um mês que esta situação começou a ser denunciada. Como habitualmente, de nada adiantou.
O buraco tem mais de 1 m de profundidade, as paredes são verticais, começa a ter água no fundo, e em vez de um cabo eléctrico de 220 V vêem-se dois.

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AS INCONGRUENTES DECISÕES DOS MENINOS CAPRICHOSOS

Por Joaquim Letria
Eu só falo quando devo, por isso calei o bico sobre o Coutinho depois duma longa e apetitosa série de artigos que muito gosto me deu, ao escrevê-los e vê-los aqui publicados.
Comecei ainda no ano passado, pois a ameaça feia e inaceitável de expulsar os moradores à força, até ao fim do ano de 2017, não merecia que alguém se calasse. Mas veio o fim do ano e a Vianapolis e a Câmara Municipal meteram a viola no saco. Para salvar a face disseram que a expropriação, essa incongruente decisão de meninos caprichosos, seria efectivada em Março.
A verdade é que já vamos em Maio e nada. Soube que os meus queridos amigos Manuela e António Ramalho Eanes tinham escrito uma elegante missiva ao Presidente da Câmara e outra à Administração da Vianapolis, intercedendo a favor dos moradores do Coutinho, carta essa que ignoro se obteve resposta.
Entretanto, ouvi na Rádio e li nos jornais que o arquitecto Fernando Maia Pinto, professor da Escola Superior de Arquitectura do Porto, par de arquitectos ilustres que honram Portugal lá fora, homem capaz e ponderado, não só teceu uma série de considerandos de competência e bom senso, mas também se dignou anunciar que vai pedir a qualificação de interesse público para o edifício Coutinho.
Abril já passou, com as suas águas mil, estamos em Maio, comemorámos o Dia do Trabalhador, que sempre me traz à memória Sacco e Vanzetti, que nem os sindicalistas portugueses sabem quem   foram,  segundo um inquérito rápido que eu próprio fiz numa manif ad hoc onde interroguei a vox populi . O único manifestante que me disse que sabia quem eram, respondeu-me que era uma dupla que dá um concerto em Agosto no Altice Arena.
Com Maio a galopar, já esta semana houve quem lembrasse a derrota do nazismo, ou seja a entrada das tropas soviéticas em Berlim, que ocorreu a 8 de Maio; o Futebol Clube do Porto já se sagrou campeão, qualquer dia chegamos ao período de férias, caminhamos para o Outono, e nada! Nem Coutinho, nem Vianapolis, nada de nada!
Preocupa-me também a próxima chegada da “saison” oficial dos incêndios, porque ainda são capazes de transferir pessoal dos polis para a Protecção Civil e vice-versa, dada a similitude e origens dos “boys & girls” que povoam os dois organismos.
Confidenciaram-me que para além de deitar o Coutinho abaixo, a Vianapolis não tem mais nada que fazer em Viana do Castelo, o que julgo poder tratar-se dum caso de péssima programação, senão mesmo de gestão danosa. Mas se as cabecinhas a que estamos entregues e seus bufetes de advogados foram capazes de irresponsavelmente estoirar com os Estaleiros de Viana do Castelo, que eram uma jóia da coroa, não me custa pensar que com a transparência, inteligência e jogo de interesses das suas decisões mandem outra vez deitar o Coutinho abaixo só para dar trabalho à Vianapolis.  E lá vamos nós em mais uma volta do carrocel.
Ou continuamos a sustentar uma empresa ao Deus dará que não tem nada de positivo a fazer?!

Publicado no Minho Digital

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17.5.18

Não me venham com esses argumentos…

Por C. Barroco Esperança
Estou farto de que me rebatam com as agressões imperialistas a países islâmicos, com o saque de que são vítimas, as malfeitorias dos EUA e de Israel, a cumplicidade europeia e muito mais, para tolerar uma ideologia totalitária e criminosa – o Islão político.

Tenho denunciado esses crimes, mas não os aceito como argumentos para um cómodo silêncio sobre o mais implacável dos monoteísmos e a sua demencial fúria prosélita.
Aliás, gosto da Constituição dos EUA e em Israel aprecio a igualdade de género que não existe em nenhuma outra teocracia, seja o Vaticano, a teocracia monástica ortodoxa do Monte Athos e as islâmicas e não preciso de censurar tais países para denunciar o perigo muçulmano.
Exijo a todas os devotos o respeito pela laicidade. Sei da História o suficiente para ter o dever de combater a influência das religiões nos aparelhos de Estado, num regresso em que o oportunismo dos políticos europeus trai a laicidade e compromete a democracia.
Há um maniqueísmo intolerável que leva pessoas de esquerda a conformarem-se com a deriva totalitária do Islão, leviandade e masoquismo de quem vê amigos nos inimigos dos seus inimigos e cala atrocidades contra inocentes, os tiques patriarcais, a violência tribal e a eterna humilhação da mulher.
O dever que a Europa tem de receber refugiados é incompatível com a condescendência no desprezo pelo seu ethos civilizacional. Os direitos humanos, a igualdade de género e a liberdade de expressão não podem ficar à mercê de idiossincrasias religiosas.
A Europa, depois de derramado demasiado sangue, conquistou o direito às crenças, não-crenças e anti-crenças, através da repressão ao clero. Não pode agora consentir crimes, chantagem ou violência de qualquer religião, sob pena de permitir retaliações de outras, autóctones, numa espiral de violência que foi apanágio de épocas passadas.
Proteger os crentes não é aceitar as crenças. O Islão político e os dignitários devem estar sob vigilância, para não sermos imolados, e, em vez de combatermos as crenças, sermos obrigados a enfrentar os crentes.
O ressurgimento de um catolicismo agressivo, ligado a partidos fascizantes, já anda aí a governar na Europa, em vários países, talvez vingando a indiferença com que deixamos bramir ulemás, xeques, mulás e outros marginais, contra os infiéis, na conceção desses trogloditas, homens e mulheres cosmopolitas e livres-pensadores. Nós.
Ponte Europa / Sorumbático 

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16.5.18

Apontamentos de Lagos - Buracos perigosos - II


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15.5.18

RAUL MIGUEL ROSADO FERNANDES (1934-2018)

Por A. M. Galopim de Carvalho
Fomos colegas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, nos 15 anos em que também ali lecionei (em Geografia) e, não obstante, as nossas antagónicas e conhecidas posições no espectro político, demo-nos bem e, até, fomos amigos. Depois de jubilado e retirado na sua terra alentejana, mantivemos, por algum tempo, frutuoso contacto por E-mail.
Licenciado em Filologia Clássica, professor catedrático da dita Faculdade e reitor da mesma Universidade, entre 1979 e 1983, um “rústico erudito”, como ele próprio se definiu, soube caldear o elitismo do meio académico com a rusticidade e a frontalidade das gentes que trabalharam para este erudito e importante terratenente alentejano. Sim, porque Rosado Fernandes foi senhor de muitas terras, na região de Reguengos de Monsaraz, tendo sido nesta qualidade que fundou a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP). 
Professor brilhante de Línguas e Literatura Clássicas, grega e latina, agradável no trato, arguto e com notado sentido de humor, por vezes, marcado por inteligente ironia. Enquanto exerci funções de diretor no Museu Nacional de História Natural da Universidade de Lisboa, trabalhei com ele na qualidade de meu reitor, tendo visto nele também o homem atento, desembaraçado, avesso às burocracias e eficaz.
Rosado Fernandes serviu a República como deputado pelo CDS no Parlamento Nacional e no Europeu e foi nesta última qualidade que recordo um episódio que o define como homem honrado que foi.
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O ESTRAFEGO DO EURODEPUTADO

Devo confessar que exultei no dia em que o telejonal noticiou o insólito episódio ocorrido em Estrasburgo, numa sessão nocturna do Parlamento Europeu, entre 1995 e 1999, na qual o nosso eurodeputado Raul Miguel Rosado Fernandes “estrafegou o porcino gasganete” do colega dinamarquês, Freddy Blak, na sequência da grave ofensa à sua honradez feita por aquele eurodeputado socialista. Nesse prolongamento dos trabalhos, o nosso ilustre ex-Professor Catedrático de Línguas e Literatura Clássicas, da Faculdade de Letras de Lisboa, acabara de fazer uma intervenção na qual, sem deixar de reconhecer os malefícios do tabaco, defendia a liberdade dos fumadores satisfazerem essa sua opção, desde que não incomodassem os não fumadores. A contrapor esta posição, o dinamarquês, para seu azar, tratou-o de “sem vergonha” e acusou-o de receber dinheiro das empresas tabaqueiras. Como resposta pronta, em defesa da sua “reaccionária” honra e, segundo o próprio, “de maneira pouco ortodoxa”, o nosso auto-designado “rústico erudito” levantou-se calmamente do seu lugar, aproximou-se do colega, agarrou-o pela faceira e, atirando-o para fora do lugar, forçou-o a assentar o amplo traseiro no degrau da sua (dele) bancada.
Praticamente só me relacionei de perto com o Prof. Rosado Fernandes no período em que assumiu, e bem, as responsabilidades de Reitor da Universidade de Lisboa, nos anos, para nós muito difíceis, que se seguiram ao incêndio da Faculdade de Ciências, entre 1979 e 1983. Não obstante a pouquíssima ou nenhuma intimidade existente entre nós e as acentuadas diferenças nos rótulos ideológicos com que a comunidade nos marcou, encontro neste colega de Letras grandes afinidades com o meu modo de estar na sociedade. Isto, deixando de fora, como é evidente, a erudição que lhe vem de uma sólida formação humanística e a sua condição de cidadão abastado em termos de bens materiais.
Para um desconhecido, como então eu era, o Prof. Rosado Fernandes foi um dos “Magníficos Reitores” com quem mais fácil e simpaticamente me relacionei. Estou em crer que o facto de ser um homem culto e erudito, marcado, como ele próprio afirma, por uma certa rusticidade, rico e, ainda por cima, bem parecido e grande no tamanho, deram-lhe aquelas auto-segurança, simplicidade, cordialidade e jovialidade que todos lhe reconhecem. Avesso a burocracias desnecessárias, tantas vezes estúpidas, agilizou soluções, resolveu casos difíceis, encontrou consensos. Um certo fim de tarde, numa reunião no seu amplo gabinete, com representantes do Sindicato da Função Pública, na resolução de um problema muito intrincado, envolvendo quadros de pessoal e carreiras, dirigiu-se à porta, fechou-a à chave e meteu-a no bolso, dizendo «só sairemos daqui quando este assunto estiver resolvido». E assim foi. E o resultado não podia ter sido melhor.
Em minha opinião, que me assumo como cidadão caldeado por uma certa ruralidade (o que não é muito diferente de rusticidade), acho que a dose de rusticidade de que este meu colega se diz portador, só lhe fica bem no meio académico que partilhou, onde a insegurança e, não raras vezes, a mediocridade se disfarçam com prosápias e elitismos.
Não sendo indiferente aos apelos que evocam a resolução pacífica dos diferendos que a vida nos vai colocando pelo caminho, devo confessar que aquela reacção espontânea do nosso muito estimado alentejano agradou de sobremaneira às reminiscências neandertalenses que, certamente, ainda transporto comigo.
(Do meu livro “FORA DE PORTAS, Memórias e Reflexões”. Âncora Editora, 2008)

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