10.12.16

A recontagem e Moscovo

Por Antunes Ferreira
As últimas eleições presidenciais nos Estados Unidos da América parece que não chegaram ao fim com a proclamação de Donald Trump como vencedor. O complexo mecanismo eleitoral norte-americano está a ser posto em causa, nada que não tivesse acontecido antes. Mas, desta feita, está a atingir dimensões nunca vistas, desde as manifestações de rua contra o candidato eleito até às dúvidas cada vez maiores dos resultados do escrutínio.
As considerações dubitativas deram como resultado que três estados que eram considerados a “cintura da ferrugem” avançassem para a recontagem dos votos eleitorais: Michigan, Winsconsin e Pennsylvania. Um espanto. Trump apressou-se a vir a terreiro considerando que se trata de uma atitude estúpida que não iria alterar o que se iria verificar: o próximo presidente norte-americano a partir de Janeiro seria ele e ponto final.
Os lobbies têm muitíssima força em Washington e no resto do país. Na política americana (e em quase todas as outras) não se pode viver – e vencer – sem eles. E o apelo ao patriotismo (muitas vezes ao “patrioteirismo”) é uma arma igualmente muito utilizada pelos partidos do espectro político. Da direita até à esquerda ele serve-lhes de bandeira e até aos extremismos de cores antagónicas issi também acontece. O populismo usa-o como arma de arremesso e a democracia teme-o. Porém, a ditadura também. Este é o Mundo em que vamos sobrevivendo.
O ainda presidente dos EUA, Barack Obama, declarou, ontem (sexta-feira), que pretende analisar o resultado das últimas eleições depois das suspeitas da intervenção de um hacker russo. "Podemos estar a passar por um novo limiar e temos de ser nós a fazer o balanço do que está a acontecer. Devemos fazer uma revisão, desenvolver estratégias futuras, para entender o que aconteceu, para, daí, tirar algumas lições", disse Lisa Monaco, conselheira de Barack Obama, para questões de contra terrorismo e segurança interna.
Era impensável que assim acontecesse – mas aconteceu. Já em Outubro, responsáveis do Departamento de Segurança Interna dos EUA tinham acusado Rússia de ter pirateado as plataformas do Comité Nacional Democrata e de outras organizações políticas, para interferir nas eleições. O mais interessante (e importante) é que no início da semana, estas mesmas acusações foram reiteradas.
O Departamento de Segurança disse estar confiante de que o governo russo ordenou a invasão dos emails de várias pessoas e instituições", incluindo políticos norte-americanos”. E sublinhou em comunicado que acreditava " que apenas um alto responsável russo poderia ter autorizado este tipo de actividade", podia ler-se no comunicado.
No entanto, esta não é a primeira vez que umas eleições norte-americanas se veem confrontadas com uma interferência estrangeira. Em 2008, quando Lisa Monaco pertencia aos quadros superiores do FBI, a agência alertou as campanhas do então senador Obama e do senador John McCain para uma possível infiltração dos respectivos sistemas por parte da China, revelou a conselheira.
Em Outubro, os EUA acusaram oficialmente a Rússia de realizar uma ampla campanha com o objectivo de influenciar as eleições. A denúncia, feita pelo Departamento de Segurança Nacional e pelo gabinete do director dos Serviços de Informação norte-americanos, dizia que o Kremlin realizou acções de pirataria em computadores do Comité Nacional do Partido Democrata e de outros órgãos e personalidades políticas. Os responsáveis do partido democrata já apelaram a Barack Obama para divulgar mais informação relacionada com os alegados ataques informáticos por parte da Rússia.

Hoje há a certeza que os segredos não são segredos. A capacidade de informação é um poder que abarca o Mundo e qualquer dos seus habitantes. Não se pode esconder nada. Razão tinha George Orwell com o seu “1984”. Não é o “Big Brother” que “is watching us”, é a globalização, é a Aldeia Global de McLuhan. É, um destes dias, a máquina a substituir o homem. E o Trump a ser presidente

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8.12.16

Burqa e nicab

Por C. Barroco Esperança
Depois de a França ter proibido, em abril de 2011, o uso do véu integral em espaços públicos, decisão aceite pelo Tribunal dos Direitos Humanos, em 2014, mais três países se juntaram, com justificações diversas, ao clube dos países proibicionistas.
 No mesmo ano, em junho, a Bélgica proibiu que se aparecesse «com a face coberta ou escondida, em parte ou na totalidade, de forma a tornar impossível a identificação», em locais acessíveis ao público.
Em setembro deste ano, a Bulgária aprovou a lei que proíbe usar em público roupas que cobrem parcial ou totalmente o rosto, salvo por motivos profissionais ou de saúde.
 Na última semana, o Parlamento holandês aprovou a proposta que proíbe burqa, niqab, capacetes e passa-montanhas, nos transportes e edifícios públicos, e Geert Wilders, do partido da extrema-direita, defende a interdição total e lidera as sondagens eleitorais.
 Na Itália, Suíça, Alemanha e Reino Unido discute-se o problema e nos dois últimos já se ensaiaram as primeiras restrições.
A ingenuidade de quem vê na proibição um atentado à liberdade religiosa, que é preciso defender, talvez não seja alheia à onda de racismo e xenofobia que varre a Europa com reflexos eleitorais catastróficos a ajudarem partidos de direita extrema ou abertamente fascistas.
 Não terão os imigrantes o dever de respeitar o “ethos” cívico e democrático europeu, à semelhança do que os europeus fazem quando emigram para países muçulmanos ou de hegemonia budista?
 Deixar à extrema-direita a defesa de valores civilizacionais consolidados é comprometer a alternância democrática e, em última análise, renunciar à democracia. 
Fonte informativa: DN, 1-12-2016, pág. 28.
Ponte Europa / Sorumbático

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6.12.16

PERGUNTA DE ALGIBEIRA -11 (Fim)

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PERGUNTA DE ALGIBEIRA -11 (Cont.)

Este divertido problema, aparentemente muito simples, tem 3 graus de dificuldade, que conduzem os mais incautos a respostas erradas:
Mais frequentemente, respondem 16 e 60, mas A RESPOSTA CERTA É 15. 

Veremos isso aqui, ainda hoje, em "ACTUALIZAÇÃO". Até logo!
.
ACTUALIZAÇÃO
O 1º problema consiste em decifrar os valores numéricos associados a cada coisa. Logo aí, há algumas pessoas que se enganam, mas a maioria acerta:

  • Copos correspondem ao número 10
  • Garrafas correspondem ao 5
  • Canecas de cerveja correpondem ao 1

Em seguida, trata-se de fazer a conta da 4ª linha, e aí o problema divide-se em dois:
Muitas pessoas, embaladas com as 7 somas anteriores, não reparam que o último sinal é "x" e não "+".
Assim, somam 5+1+10 e respondem 16...
.
Mas o erro mais frequente consiste no seguinte:
Ao fazer a operação 5 + 1 x 10, muita gente não tem conta a regra que obriga a fazer primeiro a multiplicação (ou a divisão) e só depois a soma (ou a subtracção).
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Ou seja: 
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Trata-se de calcular 5 + (1 x 10)= 15
e não (5 + 1) x 10 = 60
.
Qualquer máquina de calcular dará, aliás, o resultado 15 a quem escrever 5 + 1 x 10 = 

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PERGUNTA DE ALGIBEIRA - 11

ATENÇÃO: 
Ver também o post seguinte

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5.12.16

Sem Emenda - As Minhas Fotografias

À espera de um patriota, em Guimarães – Na velha “cidade berço”, um dispositivo engenhoso, mas muito antigo, dos tempos da fotografia ambulante, permite a qualquer patriota vestir a farda e a pose do nosso primeiro, D. Afonso Henriques. Este último, criador do Estado português, designado fundador da nacionalidade, primeiro rei de Portugal, filho do Conde Henrique de Borgonha e de Dona Teresa de Leão e casado com Dona Mafalda de Sabóia, foi um verdadeiro filho de imigrantes. No castelo de São Jorge, em Lisboa, no castelo e praças de Guimarães, em Santa Cruz, em Coimbra e tantas outras localidades, a sua estátua, o seu busto e as suas imagens perpetuam um país eternamente à procura de patriotas dispostos a dar a cara! Como faz a esquerda, hoje. Como fazia a direita, ontem.

DN, 4 de Dezembro de 2016

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4.12.16

Sem emenda - Não é final, mas é vitória…

Por António Barreto
Na “Internacional”, é a luta que é final. Mas entre os slogans e as senhas das revoluções, a “vitória final” ou a “vitória, sempre” fazem parte do arsenal semântico. Em Portugal, este fim-de-semana, assistimos a uma liturgia vitoriosa inédita. É a primeira vez, em quase quarenta anos, que o PCP comemora a vitória. Com cuidado. Com precauções. Com ameaças. Mas vitória!

Um relógio parado está certo duas vezes por dia. A primeira vez foi há 42 anos: aconteceu uma revolução militar que se transformaria gradualmente em revolução política e social! Prevista há muito, esperada durante décadas e desejada tempos sem fim, fez-se e foi o que se sabe. O PCP garantiu que a tinha previsto. Cavalgou-a. Dirigiu-a durante uns meses. Perdeu-a em 1975, a 25 de Novembro. Por isso, as esquerdas detestam o 25 de Novembro. Por isso, o PS, que aplaudiu, tem hoje vergonha do 25 de Novembro. Por isso, o Parlamento recusou o ano passado associar-se à comemoração dos 40 anos e, este ano, não aceitou evocar a data. Felizmente que agora o dia se transformou no Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, que tem o condão de mobilizar as opiniões e os jornais. Foi também o dia em que morreu Fidel Castro, o mais duradouro ditador do século XX, o mais longo mito e o mais perene herói das esquerdas, incluindo de muitos socialistas que esquecem o ontem e sonham com amanhãs. Parte do mundo deixou-se deslizar numa obscena lamúria em que se festejava em Fidel Castro o que não se tolera em ditadores como Salazar, Mussolini, Franco e Pinochet. Mas Fidel é de esquerda. Como os ditadores Estaline, Pol Pot, Mao e Ceausescu. Deve ser por isso que tem todas desculpas.

O PCP espera agora que o seu relógio acerte pela segunda vez. Há quarenta anos que é contra a CEE, contra a União e contra o Euro. Nunca deu resultado, nem teve êxito. Desta vez, espera que sim. Os dissabores da União, as ameaças de desmembramento e a ascensão da extrema-direita fazem-no ter esperança.

No dia 2 de Dezembro, o PCP iniciava o seu 20º Congresso, em cuja abertura o secretário-geral desferiu um dos mais brutais ataques à União Europeia e ao Euro, à economia de mercado e à iniciativa privada, em louvor da “pátria”, da saúde e da economia pública. Apesar disso, tudo leva a crer que o PCP vá apoiar o governo do PS por mais algum tempo. Mesmo que tenha de disfarçar, como fará com a nomeação de Paulo Macedo, até ontem o coveiro do SNS.

Na véspera, comemorara-se o 1º de Dezembro, que é agora, também, o Dia internacional de Luta contra a Sida, tema mais actual e mais mobilizador do que a independência nacional. Esta deu origem a uma festa “oficiosa”, vá lá saber-se o que é isso, ainda por cima com a presença das mais altas entidades nacionais. Mas é curioso ver, nestes tempos de viragens e reversões, como a festa da Independência Nacional foi cancelada pela direita, há cinco anos, e restaurada pela esquerda, agora. No dia anterior, a 30 de Novembro, os Reis de Espanha terminavam a sua visita de Estado a Portugal, durante a qual elogiaram o bom entendimento ibérico.

Por toda a esquerda, democrática ou não, corre uma palavra ou um conceito a definir uma política: patriótico! É o que se houve aos governantes, aos congressistas do PCP e aos porta-vozes do Bloco. Mas é também o que corre no topo das instituições, Presidente e Primeiro-ministro. A palavra pode ser banal. A sua utilização oportunista. A sua evocação automática. Mas é a palavra dos perigos imprevistos. E dos fantasmas ameaçadores. Patriótico é também contra a globalização, contra o liberalismo político e económico, contra o mercado livre e contra a liberdade científica. Pátria! Pátria! Quantos crimes se cometeram por tua causa!

DN, 4 de Dezembro de 2016

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3.12.16

Ditadores à rasca

Por Antunes Ferreira
Chamem-se o que se lhes quiser chamar mas a verdade é que ditadores são pura e simplesmente… ditadores. Costumam rodear-se de cortes reverenciais povoadas pelos yess men porque como diz o povo “enquanto o pau vai e vem quem descansa são as costas” São eles que os adulam que os apaparicam que os idolatram que os convencem que são deuses na terra ou que detêm o poder porque a vontade divina assim o quis.
Nestes últimos dias morreu Fidel Castro, José Eduardo dos Santos declarou que não se recandidatará a Presidente de Angola, o Presidente da Gâmbia, Yahya Jammeh, foi derrotado nas eleições. Todos eles são ditadores. Este último terá mesmo afirmado em dada altura que “sentia orgulho em ser ditador”. Claro que estes casos não são regra (antes fossem) mas poderiam ser um aviso para os muitos que ainda vão sobrevivendo. Não são. Os ditadores têm orelhas moucas.
Fidel Alejandro Castro Ruz que a partir da Sierra Maestra, acompanhado de seu irmão Raul e de Che Guevara, desencadeou una guerra de guerrilla que viria a derrubar outro ditador o ex-sargento Fulgencio Baptista, manteve-se no poder durante 49 anos e transformou politicamente Cuba num estado socialista autoritário e uni partidário. A sua aproximação à então União Soviética com a colocação de mísseis nucleares na ilha podia ter estado na base da III Guerra Mundial. Felizmente assim não aconteceu.
O estado de decadência a que Cuba chegou deve-se muito a el Comandante. Os fugitivos que estão refugiados nos Estados Unidos não conseguiam encontrar a Liberdade na sua própria terra. Os lamentos, as carpideiras, as crianças agitando bandeiras e sobretudo o macabro cortejo transportando as cinzas de Fidel foram um espectáculo deprimente, uma encenação deplorável, uma homenagem desarrazoada a um ditador. Porque Fidel Castro era um ditador .
Na Gâmbia Jammeh foi (e ainda é) outro ditador. O antigo militar “reinou” no país africano durante 22 anos, e até à hora em que escrevo este texto ainda não reconheceu a sua derrota. Temos de analisar o que ocorrerá com pinças,  O homem, de 51 anos, tinha dito durante a campanha que só Alá o poderia retirar do cargo…. E com isto está tudo dito a respeito dele. Mas, não está. Especialista em declarações, cada uma pior do que a outra teve o desplante de afirmar que dirigiria o país durante “mil milhões de anos”…
Pelos vistos o tiro saiu-lhe pela culatra o que não é mau, é péssimo, num militar que chefiou um golpe que o levou ao poder. Mas a vida, mesmo a castrense, tem destas coisas: como os alcatruzes da nora, uns em cima outros em baixo. E assim continuam, mesmo quando o poço fica seco. Basta que o animal o não saiba e que o homem que o chefia muito menos…
Chega-se agora a Luanda. O ainda Presidente José Eduardo dos Santos ditador da mais fina esterpe, nomeou já o seu sucessor na presidência. Claro que depois de eleições, como sempre entre chapeladas, o que quer dizer manipuladas. Santos (é costume trata-lo por Dos Santos, mas eu não gosto de transformar minúsculas em maiúsculas) é um dos maiores corruptos do continente africano; até há quem diga do Mundo. Creio que é um exagero…
Além disso a sua corte é um bom exemplo do nepotismo mais descarado; não há familiar, seja directo, seja por adopção, seja por compadrio, seja por matrimónio, que não tenha o seu tacho. Todos abancam à mesa do Orçamento – se é que há orçamento, e havendo-o, que possa contemplar todos – e se há alguém que duvide basta consultar os lugares proeminentes dirigidos ou chefiados por familiares de Santos. A nomeação da filha Isabel para presidente da Sonangol é sintomática.
Mas a nomeação de João Lourenço como seu sucessor na chefia do MPLA (o partido único) que o mesmo é dizer na presidência de Angola não é ditadura – é kimilsunguismo. 

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